Catarina Martins ouve de António Costa que “ainda não chegámos ao ponto” da requisição civil da saúde privada

Coordenadora do Bloco de Esquerda disse que as camas disponibilizadas pelos hospitais privados são “uma gota de água no meio de um tsunami” e voltou a exigiri que toda a capacidade instalada de saúde em Portugal fique “sob a alçada e articulação” do Serviço Nacional de Saúde.

Tiago Petinga/LUSA

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, aproveitou o debate parlamentar com o primeiro-ministro para voltar a apelar à requisição civil como forma de colocar toda a capacidade instalada de saúde em Portugal “sob a alçada e articulação do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, mas ouviu de António Costa que “ainda não chegámos a esse ponto”, acrescentando esperar que tal não venha a ser necessário.

“Entendemos não ser necessário criar conflitos onde estes não se justificam”, disse o primeiro-ministro, destacando as 38 convenções já assinadas e as camas disponibilizadas por prestadores de saúde dos sectores social e privado. Minutos antes, Catarina Martins acusara os hospitais privados de não terem abertura para colocar à disposição sequer 10% das suas camas para doentes não-Covid e de oferecerem para doentes de Covid-19 menos do que os novos internados desta terça-feira. “É uma gota de água no meio de um tsunami”, defendeu.

Catarina Martins começara a sua intervenção dizendo que é “uma enorme hipocrisia lançar culpas de um lado para o outro” pelo acréscimo nas infeções, internamentos e mortes causados pela pandemia, precisamente no dia em que foi divulgado o maior número de sempre (218) no que diz respeito a mortes. Algo que a levou a aconselhar ao Governo para “parar o que tiver de ser parado, para travar contágios, com os apoios necessários”, tal como garantir condições de segurança aos que têm de continuar a trabalhar, com mais testagem e rastreio de infeções.

Por seu lado, António Costa disse que “o país tem conseguido enfrentar esta crise sem suspender a democracia”, mas recordou que é possível requisitar ao Estado meios humanos, materiais e até estabelecimentos para aumentar a capacidade de resposta à pandemia de Covid-19. E, depois de defender a manutenção das aulas presenciais enquanto não houver indicações de que a estirpe inglesa do SARS-CoV-2 é a dominante e de destacar o número de testes efetuados em Portugal, deixou a ressalva de que “se e quando o Governo entender que é mesmo necessário proceder à requisição civil iremos fazê-lo, ao abrigo do estado de emergência, se este o permitir, ou da Lei de Bases da Proteção Civil, que o permite”.

Numa segunda ronda de perguntas no debate parlamentar, Catarina Martins voltou a dizer que “os grandes grupos privados de saúde querem fazer lucro à custa da pandemia”, repetindo que os privados colocaram apenas 880 das suas 11.300 camas hospitalares à disposição do Estado, sendo dessas 80 para doentes de Covid-19. ” Não espere pela rutura do SNS para chamar os privados. Faça-o já”, apelou.

Sobre a necessidade de aumentar os apoios sociais aos afetados pela pandemia, de modo a “não defraudar as expectativas de quem ouve anúncios de apoios de milhões”, António Costa respondeu à coordenadora do Bloco de Esquerda que a Segurança Social já apoiou 2,4 milhões de pessoas desde o início da pandemia. E destacou o “passo em frente” dado pelo Orçamento do Estado para 2021 no que diz respeito ao aumento no subsídio de desemprego, colocando o valor mínimo ao nível do limiar de pobreza, ou na criação da prestação social extraordinária.

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