CDS apela ao PPE para excluir partido de Viktor Orbán

Centristas consideram que partido de Viktor Orbán deve ser suspenso ou expulso do PPE.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, e o cabeça de lista do partido às eleições europeias, Nuno Melo, escreveram uma carta ao presidente do Partido Popular Europeu (PPE), Joseph Daul, na qual pedem a suspensão ou exclusão do FIDESZ (União Cívica Húngara), que é o partido do presidente da Hungria, Viktor Orbán.

“A escalada de incidentes, conflitos e declarações do partido FIDESZ no que diz respeito ao PPE, aos seus dirigentes e à nossa união democrática e pluralista, quebraram de forma evidente e deliberada a nossa união e propósito comuns”, lê-se na carta escrita por Assunção Cristas e Nuno Melo, a que o Jornal Económico teve acesso.

Segundo os dirigentes do CDS-PP, a democracia livre e pluralista, o respeito pelos direitos humanos e as liberdades fundamentais e o primado do Estado de Direito foram “postos em perigo” pelas políticas seguidas pelo FIDESZ, devendo ser “defendidos com unidade e clareza”.

Algo que passa, no entender de Cristas e Melo, pela aplicação do artigo 9.º dos estatutos do PPE, avançando-se para a suspensão ou exclusão do FIDESZ daquele que é o maior agrupamento partidário no Parlamento Europeu, e que inclui os eurodeputados eleitos pelo PSD e pelo PP.

Pretende-se que os responsáveis do até agora “partido-irmão” húngaro sejam ouvidos pelo PPE, aferindo o “compromisso deste partido e do seu presidente, Viktor Orbán, aos princípios e valores da nossa família política europeia”.

Os centristas lançaram igualmente um desafio ao Partido Socialista Europeu para tomar a mesma atitude relativamente aos partidos socialistas romenos e maltês, “envolvidos em casos graves de corrupção”. Como exemplos apontam a tentativa de aprovar uma lei de amnistia que evitaria a condenação do socialista romeno Liviu Dragnea, impedido de exercer funções de chefe do governo devido a uma condenação por fraude eleitoral, estando também acusado de participar no desvio de 21 milhões de euros ligados a fundos comunitários. E ainda a ligação entre a investigação de casos de corrupção no governo socialista de Malta e o homicídio da jornalista Daphne Galizia.

Ler mais
Relacionadas

Orbán enfrenta nova onda de contestação após aprovação da “Lei da Escravatura”

Milhares encheram as ruas da capital da Hungria. A designada “Lei da Escravatura” cria condições legais para que a entidade empregadora exija até 400 horas de horas extras aos seus trabalhadores, por ano.

Milhares de pessoas manifestaram-se na capital da Hungria contra a “lei da escravatura”

Milhares de húngaros manifestaram-se hoje em Budapeste contra uma alteração do Código do Trabalho proposta pelo partido do primeiro-ministro, Viktor Orbán, e qualificada pelos críticos de “lei da escravatura”.

Orbán diz que Hungria pondera ações legais contra a União Europeia

Primeiro-ministro húngaro reafirmou as objecções ao processo votado por Estrasburgo e disse esperar “um debate legal sério” sobre a decisão,
Recomendadas

Só um terço do novo Governo são mulheres

Radiografia à orgânica do Governo revela entre os 70 elementos do novo governo, 26 são mulheres e são 44 são homens. Seriam precisas mais duas mulheres na liderança de ministérios ou secretarias para atingir a meta de 40% de representação.

Jorge Seguro Sanches regressa ao Governo para integrar Ministério da Defesa

Jorge Seguro Sanches volta a integrar o Executivo de António Costa, um ano depois de ter sido afastado. Foi um dos principais rostos responsáveis por cortes nos rendimentos garantidos no setor da energia, no anterior Governo.
antonio_costa_legislativas_altis_2

“Os governos não se medem em função do número de membros”, diz António Costa

O primeiro-ministro indigitado sustentou que a nova orgânica das secretarias de Estado é “ajustada ao programa do Governo”.
Comentários