CDS-PP quer esclarecimentos da DGS sobre vacinação entre 12 e 15 anos

O CDS-PP questionou esta terça-feira o Governo sobre a vacinação contra a covid-19 de adolescentes entre os 12 e 15 anos, apelando a esclarecimentos da Direção-Geral da Saúde sobre algumas recomendações já emitidas, como a necessidade de prescrição médica.

Ana Rita Bessa
Deputada do CDS-PP no Congresso de Aveiro

Numa pergunta dirigida à ministra da Saúde, Marta Temido, os centristas lembram que no final de julho a Direção-Geral da Saúde emitiu um comunicado sobre vacinação contra covid-19 destes adolescentes, no qual “reitera a importância de continuar a vacinação contra a covid-19 das pessoas com 16 ou mais anos de idade […]”, e “recomenda a vacinação prioritária contra a covid-19 dos adolescentes com 12-15 anos com comorbilidades associadas a maior risco de doença grave”.

Na altura, citam os deputados do CDS, a DGS referiu que “emitirá recomendações sobre vacinação universal de adolescentes com 12-15 anos, logo que estejam disponíveis dados adicionais sobre a vacinação destas faixas etárias”, considerando “que deve ser dada a possibilidade de acesso à vacinação, a qualquer adolescente com 12-15 anos, por indicação médica, de acordo com a calendarização da campanha de vacinação”.

Depois de a 31 de julho, o Presidente da República ter afirmado que as autoridades de saúde não proibiram a vacinação contra a covid-19 para crianças saudáveis, considerando que “esse espaço continua aberto à livre escolha dos pais”, a DGS voltou a esclarecer que tal só é possível com indicação médica.

Em declarações à agência Lusa, a deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa apontou que este “é um assunto que se arrasta há muito” e que “vários países já tomaram as suas decisões” sobre a matéria.

“Parece-me que a principal questão aqui é um significativo atraso da DGS enquanto autoridade de saúde em fazer publicar uma norma técnica, e é esse o seu papel, e em vez disso, avançar com comunicados ainda sem um perímetro de requisitos por exemplo, completamente definido, o que depois permite interpretações diferentes que são obviamente escusadas e que obviamente geram confusão por parte dos cidadãos que ficam sem perceber exatamente então o que é que vai acontecer”, argumentou.

Na opinião da deputada centrista, “se de facto existe a possibilidade de uma indicação médica, então é importante saber quais os critérios para essa indicação médica” e sobretudo “quais os médicos que podem fazer essa validação ou essa prescrição”.

“Porque se forem só pediatras é um caso, se forem também médicos de família é um outro caso, e com as dificuldades que hoje em dia existem no acesso aos cuidados de saúde primários, isso pode gerar até desigualdades”, alertou.

Na pergunta dirigida a Marta Temido, os centristas apontam também que questões relacionadas com a “identificação das comorbilidades consideradas para a vacinação recomendada” não têm ainda resposta.

A cerca de um mês do regresso às aulas, Ana Rita Bessa considera que existem duas tarefas para a “garantia de um princípio de um ano letivo mais calmo”.

“Por um lado, perceber a melhor evidência científica, perceber o que acontece noutros países em relação à vacinação 12-15 e eventualmente revisitar essa decisão, se for esse o caso”, apontou.

Para a deputada seria igualmente importante que, em paralelo, a DGS atualizasse as normas no que diz respeito ao isolamento profilático das pessoas com vacinação completa, “para garantir que, por exemplo, os professores presentes em algum caso, não tenham que ir para casa 14 dias mesmo que depois de vacinados, impedindo a realização das aulas para os alunos que puderem continuar”.

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