Centeno admite “recessão” de “alguns pontos percentuais do PIB” para este ano

O ministro das Finanças apontou que a “recessão” poderá fazer com que o “saldo orçamental se venha deteriorar em alguns pontos percentuais do PIB”, disse no mesmo dia em que se soube que o país registou o primeiro excedente orçamental em 47 anos.

Cristina Bernardo

No mesmo dia em que se soube que Portugal atingiu o primeiro excedente orçamental em 47 anos, o ministro das Finanças admitiu que o país poderá enfrentar uma “recessão” devido à paragem forçada da economia devido à epidemia do novo coronavírus (Covid-19).

“Há pouco mais de um mês não estaríamos a fazer este tipo de cenários. A economia portuguesa no final de 2019 era a que mais crescia na Europa Ocidental, e essa trajetória manteve-se em janeiro e fevereiro”, começou por dizer esta quarta-feira em conferência, quando questionado pelos jornalistas através de vídeo conferência acerca das previsões do Governo para este ano.

“Os cenários que temos pela frente são de uma paragem temporária de uma dimensão muito substancial do nosso tecido económico. Isso levará a uma redução muito acentuada da atividade económica no segundo trimestre. E, nos cenários em que estamos a trabalhar, de uma recuperação no sentido da normalidade no resto do ano”, sublinhou.

Mário Centeno admitiu a possibilidade de um “cenário de recessão no conjunto do ano”, tal como vai acontecer nas restantes economias afetadas pelo Covid-19, afirmou.

“O cenário de recessão será tao mais forte quanto mais tempo vemos a retomar todas as nossas atividades habituais que realizamos até ao dia 15 de março. Temos de nos focar na contenção sanitária, com um olhar posto já nesse momento em que possamos regressar a normalidade. Quanto mais rapidamente o fizermos, menor serão os impactos económicos. Os próximos dias serão decisivos para a luta contra a disseminação e a propagação”, destacou.

“A paragem súbita da economia a nível global, nunca vista na história recente, vai ter um impacto nas contas publicas. Será da dimensão da recessão económica”, sublinhou, apontando para a necessidade também do Estado proceder ao “reforço do apoio social e dos serviços de saúde”.

“É cedo para construir cenários numericamente detalhados; estaremos a falar de números podem facilmente fazer com que o saldo orçamental se venha deteriorar em alguns pontos percentuais do PIB”, revelou.

 

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