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Centromarca preocupada com o impacto das tarifas dos bens exportados da UE para os EUA

“Muitos dos setores potencialmente atingidos pelas tarifas são representativos de marcas acarinhadas por consumidores portugueses, europeus e globais. Espera-se que o nosso Governo e a Comissão Europeia possam dar prioridade à diplomacia e encontrem soluções benéficas que previnam danos maiores para os consumidores, as marcas e a competitividade do setor”, considera Nuno Fernandes Thomaz, Presidente da Centromarca.
Sara Matos
3 Abril 2025, 15h55

A Centromarca – Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca – reagiu ao anúncio de tarifas sobre bens exportados da União Europeia para os Estados Unidos.

“Em linha com a posição defendida pela AIM, a Associação Europeia de Marcas, a Centromarca – Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca – manifesta a sua profunda preocupação, na sequência do anúncio feito pelo Governo dos Estados Unidos da América, com uma tarifa generalizada de 20% sobre todos os bens exportados da União Europeia (UE) para os Estados Unidos”, revela a associação liderada por Nuno Fernandes Thomaz.

“Esta medida unilateral corre o risco de agravar as já frágeis relações comerciais a nível mundial e não trará qualquer benefício para os consumidores de ambos os lados do Atlântico”, refere a Centromarca que lembra que 0 setor dos bens de consumo é um dos pilares económicos da Europa, com 39% da sua produção – avaliada em 175 mil milhões de euros – destinada à exportação para além das fronteiras da UE.

Estas novas tarifas “representam uma séria ameaça para a saúde e a competitividade da indústria europeia. As marcas representadas pela Centromarca e pela AIM, que já operam num clima de volatilidade persistente da cadeia de abastecimento, enfrentam agora mais incerteza e perturbações”, salienta a associação.

A Centromarca foi fundada em junho de 1994. Atualmente, reúne mais de 60 associados, que detêm mais de 1.000 marcas, representam 7,5 mil milhões de euros de faturação e 2,2 mil milhões em receitas fiscais para o Estado e dão trabalho a 28.000 pessoas.

Tal como salientado no último Barómetro de Bens de Consumo da AIM, “as empresas estão a navegar numa complexa teia de instabilidade global. O espetro de uma guerra comercial internacional em 2025 só vem amplificar estes desafios. Neste contexto, a força e a integridade do mercado único da UE nunca foram tão essenciais. Com 276 mil milhões de euros de mercadorias a circular anualmente na UE, é imperativo que os esforços para melhorar o bom funcionamento do mercado único continuem a ser uma prioridade”, defende a Centromarca.

À medida que as condições do comércio externo se tornam mais difíceis, a Centromarca e a AIM instam as instituições da UE e os Estados-Membros a concentrarem-se novamente na salvaguarda do mercado único, eliminando os obstáculos existentes e “assegurando um ambiente comercial justo para todos os produtores das cadeias de abastecimento vitais da Europa”.

“As prioridades legislativas devem ser vistas através de uma lente de gestão de crises. A concentração estratégica e a agilidade serão cruciais para garantir que os recursos públicos e privados sejam utilizados de forma eficaz para proteger o tecido económico da Europa”, acrescenta.

“Em linha com o que tem sido defendido pela AIM, a Centromarca insta o Governo e a Comissão Europeia a considerar as implicações profundas que o estabelecimento de tarifas retaliatórias possa ter no valor da indústria dos bens de consumo”, defende Nuno Fernandes Thomaz, Presidente da Centromarca.

“Muitos dos setores potencialmente atingidos pelas tarifas são representativos de marcas acarinhadas por consumidores portugueses, europeus e globais. Espera-se que o nosso Governo e a Comissão Europeia possam dar prioridade à diplomacia e encontrem soluções benéficas que previnam danos maiores para os consumidores, as marcas e a competitividade do setor”, considera Nuno Fernandes Thomaz, Presidente da Centromarca.

Já Michelle Gibbons, Diretora-Geral da AIM, diz que “acima de tudo, os fabricantes de marcas europeias reafirmam o seu compromisso inabalável para com os consumidores europeus. Desde a pandemia de COVID-19 até à guerra na Ucrânia e ao aumento da inflação, a nossa indústria tem estado sempre ao lado dos consumidores durante as adversidades. Voltaremos a fazê-lo. Trabalhando de forma colaborativa em todas as nossas cadeias de valor, pretendemos minimizar as perturbações e manter o acesso a marcas apreciadas e de confiança”.

A AIM (Association des Industries de Marque) é a Associação Europeia de Marcas, que representa os fabricantes de bens de consumo de marca na Europa em questões fundamentais que afectam a sua capacidade de conceber, distribuir e comercializar as suas marcas. Os membros da AIM são 2.500 empresas, desde PME a multinacionais, direta ou indiretamente através dos seus membros corporativos e associações nacionais.

 

 

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