CEO da PHC: “Um líder pode destruir ou construir uma equipa”

Ricardo Parreira lidera uma empresa com 170 colaboradores, dos quais 44% são mulheres. Em entrevista ao Jornal Económico, o CEO da tecnológica explica

Catarina Pires-Clementine

A PHC Software foi considerada a segunda empresa mais feliz em Portugal, na última edição publicada do estudo Happiness Works. A empresa foi distinguida como a tecnológica mais feliz, sendo a única representante do setor neste ‘top 10’. Ricardo Parreira, CEO da tecnológica, que emprega 170 pessoas, das quais 44% são mulheres, explicou ao  Jornal Económico, como se constrói uma empresa com estas caraterísticas.

O que faz da PHC a 1.ª “Empresa Feliz” ao nível de TI, segundo o estudo “Happiness Works?

É o resultado do trabalho que fazemos há alguns anos para que as pessoas se sintam bem na PHC. Acreditamos que é importante que se goste genuinamente do local onde se passa um terço do dia. Só assim é possível manter níveis de empenhamento, produtividade e motivação elevados de forma sustentável. Temos um nível de exigência alto em tudo o que fazemos, mas se passamos aqui tanto tempo, mais vale que seja a fazer algo de que gostamos. Trabalhar na PHC é diferente porque criámos um ecossistema que fomenta genuinamente esta forma de estar: descontraído, mas pro.

Como se constrói uma empresa com essas caraterísticas?

Constrói-se a vários níveis. O primeiro é ter as pessoas certas, porque não é possível ter uma empresa feliz sem elas. Felizmente, na PHC temos uma equipa espetacular e com uma entreajuda incrível, que é inclusive este é um dos pontos que os PHCs mais valorizam em todo o feedback que recolhemos. Mas estas pessoas precisam de um ecossistema que potencialize todas as suas capacidades, é aqui que começam algumas decisões estratégicas. Primeiro, é necessário ter uma cultura escrita com valores bem definidos e nos quais as pessoas se revejam. Isto ajuda a clarificar as coisas, a dizer o que é ou não aceite na empresa e o que cada pessoa pode esperar do próximo e o que é esperado de si.

 Em segundo…

Depois, é necessário trabalhar essa cultura a nível estratégico, pois não pode ser apenas um conjunto de palavras ou intenções. É importante que a cultura seja mesmo um espelho da identidade da empresa. E na PHC trabalhamos muito a cultura, temos um programa de recursos humanos, a que chamamos de Fun@speed, composto por um conjunto de atividades para fomentar os nossos valores entre os PHCs – são atividades distintas que vão desde torneios de matraquilhos, a atividades entre equipas ou workshops sobre temas tão diversos como culinária ou fotografia.

E recentemente tivemos um grande projeto para trabalhar a atitude para a felicidade, que se chama My Happiness.

Do que trata? Pode explicar?

É um programa composto por um conjunto de sessões em que se aprende um conjunto de técnicas, que trabalham questões como a autoconsciência, o foco ou a postura corporal e que contribuem para a nossa felicidade. E esta é uma ideia para nós crucial: a felicidade não se impõe por decreto, mas trabalha-se. É por isso que dizemos “atitude para a felicidade”. Não queremos impor a felicidade, mas podemos dar as ferramentas para cada um encontrar o seu caminho. É por isso que este conjunto de sessões foram facultativas, o que define muito a nossa forma de estar.

Por fim, mas provavelmente um ponto fundamental, a liderança é um elemento indispensável.

Como é abordada a liderança na PHC?

Um líder pode destruir ou construir uma equipa e é por isso que na PHC investimos tanto nesta área. Os líderes têm formação de liderança, coaching e mentoring, têm reuniões semanais de acompanhamento individual aos membros que lideram e têm as ferramentas de analytics que lhes permitem medir e avaliar o desempenho e a felicidade de cada pessoa na sua equipa. Na PHC avaliamos tudo, até o estado de felicidade dos colaboradores, e isso permite que os líderes, durante o seu acompanhamento, estejam melhor preparados para detetar e corrigir quaisquer problemas que possam surgir.

Resumindo, uma empresa precisa das pessoas certas, da cultura certa, de aplicar essa cultura, de trabalhar a liderança e das ferramentas adequadas para que estes façam a devida gestão. O resultado disto é uma empresa em que as pessoas se sentem bem.

Na PHC, as chefias enviam literalmente para casa as pessoas que trabalham demasiado tarde, como se diz?

Há casos em que isso acontece, é verdade.

Porque razão o fazem?

E é uma questão cultural. A PHC é uma empresa onde ficar até mais tarde não é visto como algo positivo, pelo contrário. Trabalhamos muito e bem, mas gostamos de o fazer dentro de horas. Só assim equilibramos a vida laboral com a vida pessoal. E só com esse equilíbrio se consegue que as pessoas se sintam bem e continuem a dar o seu melhor. Não quer dizer que não hajam pessoas que por vezes fiquem até mais tarde por sua iniciativa, mas empresas que obrigam os trabalhadores a ficar até tarde estão a cometer um erro terrível e que a médio-prazo cria insatisfação nas equipas. Nós preferimos que as pessoas descansam e voltem no dia seguinte com energia e vontade para ajudar a equipa.

Que benefícios oferece a empresa aos que nela trabalha?

A nossa política de recursos humanos é diversificada e com benefícios distintos. Para além de um ambiente ótimo e uma equipa com quem dá gosto trabalhar, temos um plano carreira com formação à medida de cada pessoa, tanto a nível técnico como relacional. Entre outros benefícios, na PHC todos têm seguro de saúde, com médico em casa a partir das 20h, têm direito ao dia de aniversário, a tardes de sexta-feira durante o verão (mediante compensação horária) e ainda um bónus de produtividade em função dos resultados da empresa. Mas estes benefícios materiais são a ponta de algo muito mais importante, que é estar num local onde se é valorizado, onde sentimos que somos importantes e onde podemos crescer como profissionais e como pessoas.

 

 

Ler mais
Recomendadas

Como usar a aplicação “Calendário” do Windows 10 para organizar a sua vida

O Windows 10 tem uma aplicação de calendário completa e versátil. Veja como a configurar e utilizar.

“O melhor candidato é aquele que o nosso cliente contrata”

Nesta entrevista ao JE, João Maciel diz que o advogado é um “problem solver” e aconselha a ter uma visão realista da profissão. Na hora de recrutar, acrescenta, as sociedades privilegiam a Universidade, a média do curso e as línguas estrangeiras.

A modernização “inevitável” de um setor tradicional como o da advocacia

Mesmo antes da aceleração que a pandemia promoveu, as sociedades de advogados de maior renome viviam já um processo de transição digital que facilitou a adaptação à advocacia remota.
Comentários