CEO da TAP: “Antes da pandemia mais de 100 mil famílias dependiam da atividade da TAP. Recuperação só ocorrerá em 2024”

Na primeira audição parlamentar de Christine Ourmières-Widener – que teve a intervenção cortada por questões técnicas – foi sublinhado que “a TAP atravessa a maior crise de sempre” e agora enfrenta um processo de despedimento coletivo de 78 trabalhadores. Ainda “não há datas para o fim do processo de reestruturação”, diz a CEO.

“Antes da pandemia da Covid-19 mais de 100 mil famílias dependiam da atividade da TAP que então gerou mais de 1500 milhões de euros em salários”, recordou a presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener durante a videoconferência efetuada no âmbito da Comissão Eventual para o Acompanhamento da Aplicação das Medidas de Resposta à Pandemia da Doença Covid-19 e do Processo de Recuperação Económica e Social”, agendada para esta terça-feira, 14 de setembro, às 16h00.

“A companhia enfrenta agora um despedimento coletivo de 78 trabalhadores e a recuperação da sua atividade para níveis anteriores a 2019 só ocorrerá em 2024”, prevê a CEO.

Trata-se de uma audição parlamentar que foi significativamente penalizada pela tradução, parágrafo a parágrafo, de inglês para português e vice-versa, o que tornou a audição mais longa – uma situação pouco frequente neste tipo de audições parlamentares. Christine Ourmières-Widener iniciou a sua apresentação por salientar que “a TAP atravessa a maior crise de sempre no sector do transporte aéreo”. “Acredito que agora, com as medidas tomadas, o transporte aéreo é o meio de transporte mais seguro para viajar no contexto da pandemia da Covid-19”, afirma a CEO da TAP.

“A TAP está no topo da lista das companhias mais afetadas pela crise da Covid-19”, referiu, considerando que “o problema não é apenas da TAP mas de todas as companhias aéreas. O mundo parou. O turismo parou. As viagens de negócios estagnaram. É difícil quantificar os efeitos desta crise e os danos nas companhias aéreas”.

Segundo a CEO da TAP, a companhia aérea portuguesa “era o garante de uma circulação de riqueza estimada em mais de 3000 milhões de euros na economia portuguesa”.

“Fizemos ajustamentos significativos em 2020. Tomámos medidas para reduzir o cash-burn. E tenho de agradecer ao Estado português pelo acompanhamento dado à companhia, o que foi feito devido à importância da TAP na atividade económica portuguesa”, comentou a CEO.

“Tivemos menos 12 milhões de passageiros em 2020 que em 2019, com uma redução de 70% nas receitas (68% a caírem para 1.060 milhões de euros) e operámos menos nove aeronaves em 2020 do que em 2019, tendo obtido um auxílio estatal inicial de 1200 milhões de euros, mais 462 milhões de euros em maio de 2020”, referiu a presidente executiva.

“Com um impacto no turismo até 12% do PIB português, a TAP substituiu compras a companhias estrangeiras, reduzindo o défice nas trocas comerciais portuguesas”, adiantou a CEO da TAP, prevendo que “o desaparecimento da companhia pode ter um impacto no Produto Interno Bruto (PIB) de 10 mil milhões de euros até 2030”.

A CEO da TAP diz que a companhia “está no topo as empresas mais afetadas pela pandemia de Covid-19”, e recordou que a transportadora aérea já recebeu ajudas estatais de 1,642 mil milhões de euros”.

A presidente executiva da TAP recordou que a TAP “transportou 5000 passageiros para casa no esforço de repatriamento de portugueses durante o auge do fecho dos países imposto pela pandemia de Covid-19”. A meio da apresentação inicial efetuada pela presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener foi interrompida por ter excedido o tempo inicial que dispunha – atendendo a que a apresentação da gestora executiva da TAP foi complementada por sucessivas traduções da sua apresentação feita em inglês que gastaram parte significativa do tempo que lhe foi atribuído pelo Parlamento, pois a presidente executiva da TAP não fala português.

Carlos Silva e Paulo Neves, do grupo parlamentar do PSD, iniciaram as perguntas. Carlos Silva recordou que um ano e meio após o início da pandemia da Civid-19 “estamos a assistir a um delírio empresarial do ministro sem garantias de que o plano para a TAP venha a ser ainda mais restritivo para os trabalhadores. Com reduções de 25% dos trabalhadores, decorre ainda um processo de despedimento coletivo de 82 trabalhadores”, afirmou.

“A empresa está moribunda e os contribuintes assistem à injeção de milhões de euros, sem lhes explicarem o racional deste investimento”, adiantou Carlos Silva, admitindo que “quando todos os principais concorrentes da TAP já terminaram a sua restruturação, a TAP ainda não terminou o seu processo de reestruturação. A TAP está a tornar-se obsoleta num sector que se reinventa todos os dias”, afirmou o deputado social democrata. E perguntou: “Confia que Bruxelas aceitará como suficientes os cortes feitos na TAP para compensar a ajuda pública?”

Paulo Neves, do PSD, por seu turno, informou previamente a presidente executiva da TAP que “sou deputado à AR eleito pela Madeira e pelo Porto Santo. Há um mau serviço da TAP para Porto Santo. A TAP abandona o Porto Santo no próximo Inverno IATA e isso é inaceitável. Esperamos um recuo da TAP e que no próximo Inverno sejam restabelecidas as ligações diretas ao Porto Santo”, propôs o deputado. “A TAP mentiu. Prometeu ligações à África do Sul e elas não existem. Apenas há uma ligação à Venezuela”, insistiu Paulo Neves.

Carlos Pereira, do PS, partindo das razões pelas quais o Estado resolveu salvar a TAP, perguntou à presidente executiva “quais serão as diferenças entre a TAP no momento da reestruturação e o que foi a TAP no passado recente, em 2018-2019”, questionando igualmente se a “recuperação da atividade da TAP pode ser comprometida pelo atraso na construção do novo aeroporto em Lisboa?”

Isabel Pires, do Bloco de Esquerda, pediu à CEO da TAP para dar mais informação sobre o plano de reestruturação e a retoma da atividade da empresa”. “Ainda paira alguma incerteza sobre o futuro da TAP, pois a Comissão Europeia avançou para uma investigação aprofundada aos apoios estatais à TAP, que não se sabe se terminará em outubro”, insistiu a deputada Isabel Pires, questionando se os “slots, que são o futuro da atividade e da recuperação da TAP, já foram cedidos pela TAP? A companhia já abdicou de alguns slots?”.

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