CEO da TAP: Emissão de dívida demonstra que plano estratégico foi “bem recebido pelos investidores”

Numa mensagem enviada aos funcionários da TAP, Antonoaldo Neves defende que o sucesso da emissão de obrigações no valor de 375 milhões de euros – a primeira de sempre – demonstra que a companhia está a conseguir conquistar a confiança dos investidores internacionais. E lembra que a Virgin Australia, a Air Baltic e a Jaguar Land Rover, que também foram ao mercado nas últimas semanas, pagaram juros mais altos.

António Pedro Santos/Lusa

A TAP vai pagar juros mais baixos sobre o empréstimo obrigacionista de 375 milhões de euros a cinco anos que foi ontem, dia 2 de dezembro, concretizado na íntegra, em comparação com as mas recentes operações do género nos mercados internacionais, em particular, as realizadas por companhias aéreas.

Numa mensagem enviada aos trabalhadores da TAP, a que o Jornal Económico teve acesso, Antonoaldo Neves, CEO da companhia aérea nacional, sublinha que “concluímos hoje com sucesso a emissão de  375 milhões de euros em obrigações a cinco anos, junto de vários investidores institucionais de relevo, americanos e europeus, que servirão para consolidar a posição financeira da companhia, alongando o prazo de maturidade da dívida e criando, assim, condições para dar continuidade aos projetos de transformação atualmente em curso”.

E recorda que, “recentemente, outras duas companhias aéreas – a Virgin Australia e a Air Baltic – concluíram emissões obrigacionistas, com maturidades e ‘ratings’ semelhantes, junto dos mesmos mercados, com taxas de juro superiores à nossa, que foi de 5,75% (5,625% ao preço de emissão de 99,463%)”.

Antonoaldo Neves aproveitou esta mensagem para explicar que a Virgin Australia obteve uma taxa de juro de 8,125% e a Air Baltic de 6,75% nos seus recentes empréstimos obrigacionistas, “o que vem comprovar a atratividade e credibilidade do nosso projeto”, além de referir que, no setor automóvel, a Jaguar Land Rover, que também concluiu uma emissão obrigacionista nas últimas semanas, obteve uma taxa de juro de 5,875%”,

Segundo Antonoaldo Neves destacou na referida mensagem aos trabalhadores da TAP, “o valor agora conseguido é fruto de um trabalho intensivo e de equipa, junto de investidores internacionais, com o objetivo de apresentar a TAP como empresa fiável e com um imenso potencial de crescimento, um ‘player’ importante no mercado mundial da aviação”.

Para o CEO, o plano estratégico da companhia – que inclui a renovação da frota, a expansão da operação, o aumento do número de trabalhadores e o investimento em novos mercados, com particular foco na América do Norte – “foi, torna-se agora claro, bem recebido pelos investidores”.

Antonoaldo Neves adianta que o empréstimo obrigacionista teve particular adesão junto de investidores institucionais do Reino Unido, França, Itália, Espanha, Alemanha e Estados Unidos da América, “que demonstraram confiança no futuro da TAP a longo prazo”.

O CEO da TASP sublinhou que este empréstimo obrigacionista foi “um marco no acesso ao mercado de capitais internacional”, já depois de em junho de 2019 ter sido realizada a primeira operação de mercado de capitais da história da TAP com uma oferta a institucionais e particulares – Obrigações TAP 2019-2023 – que acabou por angariar 200 milhões de euros.

“Tal como então, em que a oferta inicial era de 50 milhões, também agora a emissão final – que era de 300 milhões de euros – superou a colocação inicial”, assinala Antonoaldo Neves.

Sobre o ‘rating’ atribuído à companhia pelas agências internacionais Standard and Poor’s e Moody’s, ao nível do lixo, e que tem gerado várias críticas, o CEO da companhia aérea nacional prefere considerar que essas notações financeiras representam uma avaliação independente da credibilidade e de confiança junto do mercado e que colocam a empresa em linha com um restrito grupo de empresas no âmbito do mercado global de aviação.

Além de ter sido uma alavanca importante para estes resultados obtidos no empréstimo obrigacionista, o início da cobertura de ‘rating’ à TAP, nas palavras do CEO, Antonoaldo Neves, foi uma “operação inédita” que mostrou ao mercado global “a credibilidade e a capacidade que a TAP tem para honrar os seus compromissos, pagar as suas dívidas e gerar resultados”.

Regressando ao empréstimo obrigacionista, o CEO da TAP defende que “esta operação é uma prova  da confiança e credibilidade do mercado financeiro institucional internacional no plano estratégico que foi delineado para o Grupo TAP, no nosso projeto de transformação e de crescimento”.

Já para Renato Salomone, diretor de finanças corporativas da TAP, “a recetividade do mercado internacional de capitais à TAP atesta a evolução da saúde financeira da nossa empresa.”

Numa altura em que vieram a lume a turbulência entre acionistas da TAP e alegadas movimentações no sentido de alterações na respetiva estrutura acionista da empresa, a administração puxa dos galões, defende que o caminho para a recuperação da companhia aérea nacional continuar a ser feito e vai na direção certa.

Reportando-se aos últimos quatros anos, a equipa de Antonoaldo Neves destaca que a TAP passou de cerca de 10 milhões para mais de 17 milhões de passageiros transportados por ano (+65%), enquanto a frota cresceu de 77 para mais de 100 aviões, 36 dos quais já são NEO.

Outro argumento apresentado pela administração da TAP é que a companhia opera hoje para 94 aeroportos de destino, em vez de 81 (+13%) e passou de 110 mil voos por ano para 137 mil (+25%).

Na ‘Ponte Aérea’, entre Lisboa e o Porto, a TAP cresceu de 500 mil passageiros no transportados para mais de um milhão por ano (+100%), ao passo que nas rotas da Madeira passou de 896 mil para 990 mil passageiros (+ 10%) e nos Açores de 278 mil para mais de 600 mil passageiros (+115 %).

Antonoaldo Neves recorda também que, no período em análise, a receita da TAP cresceu de 2,4 mil milhões de euros para 3,4 mil milhões (+40%), enquanto as contribuições da empresa para impostos aumentaram 28%, de 257 milhões para 330 milhões de euros.

A atual gestão da TAP salienta ainda que o peso da dívida – ou seja, a capacidade de os resultados operacionais pagarem a dívida existente – em 2015 era de 11 vezes, e atualmente é de 5-6 vezes, “confirmando um processo de desalavancagem da empresa”, um processo que está a ser feito em simultâneo com a contratação de cerca de três pessoas para a companhia.

Por isso, para Antonoaldo Neves, “os resultados são claros e já é visível uma tendência de recuperação dos resultados da empresa, observada no segundo e terceiro trimestres deste ano”: o número de passageiros transportados subiu 11,1% no terceiro trimestre face a 8,9% no segundo trimestre e 0% no primeiro trimestre de 2019, reforçando a tendência de recuperação.

Por seu turno, as receitas consolidadas do Grupo TAP no terceiro trimestre de 2019 ascenderam a 1.052 milhões de euros, o equivalente a um aumento de 6,1% face ao mesmo período do ano anterior, recorda a administração da empresa.

 

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