Cerca de 750 empresas e 60 mil empregos: o retrato da aposta francesa em Portugal

A 26ª edição dos Troféus Luso-Franceses revelou os vencedores nos seis prémios e ainda um Troféu do Júri. São os melhores na inovação, sustentabilidade e exportação. O investidor francês é o melhor em termos de Valor Acrescentado e o maior empregador estrangeiro.

Sete vencedores receberam os Troféus Luso-Franceses nas várias categorias. Nos primeiros seis troféus temáticos, a Visound Acústica ganhou o Troféu Inovação, a Renault Portugal arrecadou o Troféu Desenvolvimento Sustentável, a Delabie o Troféu Investimento, a Balanças Marques recebeu o Troféu PME, a BBG o Troféu Exportação e o CybEle o Troféu Startup. O júri atribuiu o seu prémio pelo trabalho desenvolvido ao nível do turismo nacional à ANA –Aeroportos do grupo Vinci.

Numa análise aos vários setores de atividade onde empresas francesas ou de capital francês e ainda ao interesse dos franceses por Portugal constata-se que há cada vez mais cidadãos gauleses a viver em Portugal. No final de 2018, estavam inscritas no registo consular junto da Embaixada de França em Portugal, 16.611 pessoas. De realçar que os franceses estão no topo da lista de compradores de bens imobiliários (à frente dos ingleses, brasileiros, suíços e chineses).

O investimento francês em Portugal tem também crescido. Segundo a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, estima-se que haja cerca de 750 firmas com capitais franceses em Portugal, que empregam perto de 60 mil pessoas. Mas quais são essas empresas? As do sector automóvel são as que têm maior expressão em Portugal. Empresas como o Groupe PSA, que tem na sua fábrica de Mangualde um centro de produção de veículos ligeiros, ou a Renault, que mantém em Cacia a produção de componentes automóveis, estão no País há várias décadas.

Já a Engie, com 620 colaboradores no país, representa o sector das energias renováveis em Portugal, empresa que anunciou já uma parceria estratégica com o grupo EDP. A Legrand, com sede em Carcavelos, é outra companhia francesa que marca presença no território português. Trata-se de um grupo multinacional especializado no fabrico e comercialização de materiais elétricos e hidráulicos.

 

Aumento do peso na banca
No retalho, os franceses estão representados com a Auchan/Jumbo, a Leroy Merlin, a Decathlon, o Intermarché, o Leclerc, a Conforama, La Redoute e Fnac entre outras. Mas há uma outra grande empresa francesa em Portugal que entra na casa de muitos portugueses diariamente: a Altice, que detém a Meo. O grupo finalizou a aquisição da PT Portugal em 2015, tornando-se um dos maiores empregadores do País. A empresa tinha como objetivo contratar mais 200 colaboradores em 2019.

Já no sector financeiro, se o peso do investimento espanhol domina, o francês continua em crescimento. Nos últimos anos, várias companhias francesas elegeram Portugal como a sua base para criar centros de tecnologias de informação e transferir outras atividades. É o caso do BNP Paribas, que escolheu Lisboa para fixar parte das suas atividades, continuando a contratar para diversas áreas, desde gestão de risco, gestão de ativos, backoffice ou mercados de capitais. Conta com 1.800 profissionais no país. Por outro lado, o banco de investimento francês Natixis abriu um centro tecnológico no Porto, em 2017, tendo transferido para o país as tecnologias da informação. Atualmente tem 550 funcionários em Portugal, mas a meta é alcançar os 700 colaboradores até ao final de 2019.

 

Mais franceses em Portugal
O clima e o custo de vida de Portugal têm atraído cada vez mais franceses reformados, tanto em visitas turísticas como em residentes. Segundo as estatísticas apresentadas pelos serviços portugueses encarregados da imigração (SEF), em 2018 o fluxo de nacionais franceses a entrar em Portugal registou, pelo segundo ano consecutivo, um aumento de mais de 25%, a segunda maior progressão constatada (depois da Itália, com (29%). Com 19.771 pessoas (1/3 são reformados), a França é a sétima comunidade estrangeira mais importante do país (atrás do Brasil, Cabo Verde, Roménia, Ucrânia, Reino Unido e China). Um facto a que também não será alheia a existência de várias companhias francesas.

Os franceses inscritos no registo consular residem maioritariamente nas regiões de Lisboa (45%), no Norte (20 a 30%) – nos arredores do Porto, Braga, Vila Real e Viana do Castelo –, no Algarve (15%) e, em menores proporções, nas cidades do centro do país (13%) e nas regiões ultramarinas da Madeira e dos Açores, revela a Embaixada de França em Portugal.

Em termos turísticos, cerca de três milhões de franceses visitaram Portugal em 2018 (foram 600 mil em 2010). Os franceses representam 13% dos visitantes estrangeiros e a terceira nacionalidade de visitantes a Portugal, atrás dos espanhóis (5,3 milhões) e dos ingleses (3,5 milhões) e à frente dos alemães (1,8 milhões).

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