A Caixa Geral de Depósitos registou lucros de 1,9 mil milhões de euros em 2025 a subirem 10%, impulsionado pelo aumento de 8 mil milhões no volume de negócios. O valor de lucros mais altos de sempre do banco que faz este ano 150 anos, permite o dividendo ao Estado no valor de 1,25 mil milhões de euros, o que representa 66% do resultado líquido.
A CGD já devolveu toda a ajuda do acionista Estado, em dinheiro e em espécie, referiu a administração do banco.
No que toca aos rácios prudenciais eles estão acima dos 21% após pagamento de dividendo histórico de 1.250 milhões de euros. O rácio de CET1 ascende a 21,2% e Capital Total de 21,3%, após a dedução do maior dividendo de sempre na banca portuguesa, a pagar em 2026.
“Apresentámos no plano estratégico um target de ter até 2028 de ter um rácio de capital CET1 superior 15%, o que estamos a ponderar é se esse target não deveria ser um intervalo entre um valor mínimo e máximo”, disse.
A geração orgânica de capital ascendeu a 7,9 mil milhões de euros desde a recapitalização, representando o dobro do valor recebido do acionista em 2017, dos quais 4,5 mil milhões retidos no banco, disse o CEO do banco.
Apesar da subida de 10% dos resultados, a rentabilidade, medida pelo ROE, caiu 0,1 pontos percentuais para 17,4%.
“Um banco que tenha 11 mil milhões de euros de capital, para pagar o custo de capital o lucro tem de ser superior a mil milhões de euros“
Paulo Macedo disse também que não antevê que este nível de resultados se mantenha no futuro. Até porque este número inclui cerca de 190 milhões de extraordinários com a venda da Águas de Portugal e os 29 milhões de devolução de impostos relacionados com o Adicional de Solidariedade.
“Um banco que tenha 11 mil milhões de euros de capital, para pagar o custo de capital o lucro tem de ser superior a mil milhões de euros”, sublinhou Paulo Macedo.
A atividade doméstica contribuiu com 1,8 mil milhões para o resultado líquido consolidado, enquanto a atividade internacional acrescentou 110 milhões de euros. No conjunto das operações externas, destacaram‑se o BNU Macau, que contribuiu com 53 milhões de euros, o BCG
Angola, com 18 milhões de euros, e a sucursal de França, com 12 milhões de euros.
A margem financeira consolidada atingiu 2,5 mil milhões de euros, traduzindo uma redução de 276 milhões de euros (-9,9%) face a 2024.
Esta variação refletiu essencialmente a descida das taxas de juro de mercado, decorrente da descida registada nas taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE) até ao início de 2025. Ainda assim, este efeito foi compensado pelo aumento de 3,9 mil milhões de euros no crédito
concedido em Portugal, bem como pelo reforço do investimento em instrumentos de dívida — nomeadamente títulos de dívida pública e supranacionais — acompanhado pela redução da posição de liquidez junto do banco central.
No seu conjunto, a margem financeira gerada em Portugal ascendeu a 2 mil milhões de euros, incluindo 773 milhões de euros provenientes das atividades de tesouraria e da gestão da carteira de títulos, e das restantes entidades domésticas (17 milhões de euros).
As comissões estabilizaram na atividade consolidada, totalizando 587 milhões de euros, com o desempenho da atividade da Caixa em Portugal a resultar, essencialmente, da evolução favorável das comissões recebidas associadas a meios de pagamento, bem como à comercialização de produtos de seguros e fundos de investimento, refletindo o aumento sustentado do volume de negócios da Caixa. Importa referir que, pelo terceiro exercício consecutivo, a Caixa manteve inalterado o preçário de comissões.
Os resultados de operações financeiras ascenderam a 335 milhões de euros, o que representa um aumento de 201 milhões de euros face ao ano de 2024. De referir, no entanto, que os ganhos registados em 2025 foram fortemente influenciados pelo ganho não recorrente no valor de 188 milhões de euros, relativo à venda da participação da Caixa na ADP – Águas de Portugal. Excluindo as operações financeiras não recorrentes, os resultados de operações financeiras registaram um valor de 128 milhões de euros, uma diminuição de 7 milhões de euros.
Os outros resultados de exploração registaram um acréscimo de 52 milhões de euros face ao período homólogo, impactado, em grande medida, pela contabilização de 29 milhões de euros relativos à devolução das contribuições para o Adicional de Solidariedade para o Setor Bancário, pagas pela Caixa entre 2020 e 2024. Este reembolso decorre da declaração de inconstitucionalidade do referido Adicional.
Os custos de estrutura recorrentes registaram um acréscimo de 9 milhões de euros (+1%), essencialmente devido ao investimento contínuo da Caixa na transformação tecnológica, na melhoria da experiência de cliente e na cibersegurança. Os custos ascenderam a 1.085,6 milhões a subirem 2,1%
A CGD manteve o seu rácio de eficiência recorrente (Cost-to-Income) abaixo da média europeia, situando-se em 30% no final de 2025.
No que respeita ao reconhecimento de imparidades, tal como em 2024, verificou‑se em 2025 uma reversão líquida das imparidades para risco de crédito, suportada pela melhoria do enquadramento macroeconómico e por uma gestão rigorosa do risco. As recuperações de crédito atingiram 68 milhões de euros.
Crédito à habitação cresceu 8%
O crédito a clientes subiu 6,3% para 58,9 mil milhões de euros. Na atividade doméstica a carteira ascende a 51,5 mil milhões, a crescer 8,2%.
O crédito à habitação cresceu 8% em Portugal, para 28,2 mil milhões de euros. “A nova produção de crédito à habitação ascendeu a cerca de 5,8 mil milhões de euros em 2025, o que representa um aumento de 40% face ao período homólogo de 2024 e suporta o crescimento do volume em carteira (+2,6 mil milhões), face a dezembro de 2024, para um total aproximado de 28,2 mil milhões de euros”, lê-se no comunicado.
“Uma em cada três casas para jovens foi financiada pela CGD”
Cerca de 38 mil famílias contrataram estes cerca de 5,8 mil milhões de euros em novos empréstimos. No crédito jovem com garantia, Paulo Macedo explicou “uma em cada três casas para jovens foi financiada pela CGD”. Em crédito jovem 7.395 empréstimos foram ao abrigo da garantia e 10.076 sem garantia. O crédito jovem com garantia do Estado ascendeu a 1,4 mil milhões de euros e o crédito jovem sem garantia ascendeu a 1,6 mil milhões, explicou o CEO da CGD.
A CGD já esgotou a quota da garantia do Estado para crédito jovem que lhe coube na repartição e já está a usar o reforço pedido, disse o CFO da Caixa. A CGD recebeu um reforço de 250 milhões de euros. O banco esgotou no final de janeira. Antes do reforço aprovado pelo Governo, a quota inicial da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na garantia pública para habitação jovem era de 250 milhões de euros.
O crédito total a jovens (abaixo dos 35 anos) em 2025 com garantia ascendeu a 7.395 operações (42%) e o valor é de 1,7 mil milhões, o que representa 47% do total de crédito jovem.
O crédito à habitação para a mesma faixa etária, mas sem garantia do Estado ascendeu a 10.076 operações (58%) e os 1,6 mil milhões de montante representam 53% desse segmento.
Ao todo foram 17.471 operações e o montante é de 3 mil milhões de euros.
Paulo Macedo defendeu a importância da garantia pública para os jovens até aos 35 anos terem acesso a casa, porque a garantia não vai resolver a assimetria do lado da oferta. Mas “uma nova garantia deveria ser feita com dados do que é que aconteceu do lado da oferta, porque precisamos de medida do lado da oferta”, disse o CEO.
Mas o CEO não defende que instrumentos extraordinários se prolonguem indefinidamente, questionado sobre se a medida que acaba no fim do ano deveria ser prolongada pelo Estado. Paulo Macedo considerou que a eventual continuação da púbica para lá de 2026 deve ser avaliada pelo Governo à luz dos dados macroeconómicos e, sobretudo, da evolução do lado da oferta, nomeadamente no licenciamento e na construção.
“Cerca de 50% das casas adquiridas são feitas sem crédito”, frisou Paulo Macedo.
O preço das casas está ligado “ao diferencial tremendo entre oferta e procura”, disse o banqueiro.
Sem aumento da oferta, disse, será difícil corrigir a pressão estrutural no mercado da habitação. “Tenho dito que é um problema que não se resolve em dois anos”, referiu.
Moratórias: Paulo Macedo alerta para a falta de um fundo de catástrofes
No que toca às moratórias aos clientes que moram em zonas afectadas pelas calamidades, a Caixa concedeu 1.049 moratórias (1,7 milhões de prestações devolvidas) de um total de 1.068 pedidos (98% aceites). A CGD fala em cerca de 94 milhões de euros. Nas empresas os pedidos ascenderam a 248.
Houve 685 pedidos de moratórias no crédito à habitação, cerca de 90% dos pedidos feitos on-line, e com 416 prestações devolvidas, e 383 pedidos de empresas, com 1,5 milhões de euros devolvidos.
Questionado sobre se as moratórias deviam ser mais abrangentes, nomeadamente incluírem os créditos ao consumo, Paulo Macedo concordou que também que deviam estender-se ao crédito ao consumo, na linha do que na quarta-feira defendeu Miguel Maya, CEO do BCP, “quando existem dificuldades, existem dificuldades transversais”, disse.
O presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, juntou-se a Miguel Maya ao considerar que o crédito ao consumo também deve ser incluído nas moratórias criadas para responder aos efeitos da tempestade Kristin e das inundações que se seguiram, que actualmente só se aplicam aos empréstimos para a habitação ou concedidos a empresas.
Paulo Macedo durante a apresentação de resultados defendeu a existência de um “fundo de catástrofes”.
“Portugal tem que ter um fundo de catástrofes e todas as entidades têm que participar”, afirmou, acrescentando que “temos que refletir porque é que existem 50% das casas sem seguro quando as pessoas subscrevem os seguros obrigatórios (o seguro automóvel) ou está a aumentar a subscrição dos seguros de saúde”. Portugal tem das taxas mais baixas de seguro, disse o CEO.
Mais sobre as contas de 2025
Sobre o crédito ao consumo o banco avança um crescimento da produção (+28% face a dezembro de 2024) que impulsionou um aumento da carteira que totalizava, em dezembro de 2025, o valor de 1,4 mil milhões de euros (+13% face a dezembro de 2024). Com esta evolução a Caixa continua líder nos segmentos de crédito a particulares com uma quota de 19,6% e crédito à habitação de 24,0%.
A qualidade da carteira de crédito compara bem com os concorrentes. O rácio de NPE é de 1,31% (o de NPL é de 1,78%). A cobertura por imparidades ascende a 142%.
A melhoria da qualidade de crédito requer menos provisões e imparidades, disse o CFO, António Valente. Houve uma reversão de 54 milhões de euros de provisões e imparidades.
O custo do risco é negativo em -0,35%.
O banco reportou uma exposição a ativos não core – NPL, imóveis e fundos de reestruturação – com nova redução (-130 milhões em 2025). Paulo Macedo confessou que as negociações para a venda das unidades de participação no fundo de turismo Discovery Portugal Real Estate Fund “estão a decorrer”.
Os recursos de clientes em balanço registaram um valor de 89 mil milhões de euros (+2,1% face a dezembro de 2024), em termos consolidados. Em Portugal, o crescimento foi de 2,5 mil milhões de euros (+3,3%).
Os depósitos ascenderam a 78,2 mil milhões a crescerem 3,3%.
A Caixa vai mudar de instalações para a nova sede até ao fim de setembro, anunciou Paulo Macedo.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) reduziu 211 trabalhadores em Portugal em 2025, tendo 5.856 empregados na atividade nacional no final do ano passado, segundo as contas hoje apresentadas.
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