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CGD confirma que vai distribuir pelo menos mil milhões em dividendos relativo aos lucros de 2025

A Caixa Geral de Depósitos vai distribuir pelo menos mil milhões de euros de dividendos em 2026 relativos aos lucros de 2025, disse o CEO do banco, confirmando o valor avançado pela proposta de Orçamento de Estado para 2026.
O presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, intervém durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados do 3.º semestre de 2025, na Culturgest, em Lisboa, 06 de novembro de 2025. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
6 Novembro 2025, 21h06

A Caixa Geral de Depósitos vai distribuir pelo menos mil milhões de euros de dividendos em 2026 relativos aos lucros de 2025, disse o CEO do banco, confirmando o valor avançado pela proposta de Orçamento de Estado para 2026.

O presidente da CGD, Paulo Moita de Macedo, respondia na conferência de imprensa de apresentação das contas do terceiro trimestre quando disse que os lucros até setembro de 1,4 mil milhões de euros são compatíveis com a distribuição dos 1.000 milhões de euros previstos. “Mas as contas não são feitas assim, porque a politica dividendos depende dos rácios de capital, dos requisitos de MREL e dentro de certas condições o banco poderia distribuir um valor ainda superior, como sabe tem capital que permite isso”, disse o CEO da CGD.

“No futuro nós estamos à espera de resultados menores, porque o efeito da queda das taxas de juros já se reflete nas nossas contas, como reflete na generalidade dos bancos, mas ainda vai haver um repricing e para o ano ainda teremos alguma redução de margem e como não temos intenção de aumentar de de forma generalizada as nossas comissões, a não ser pelo aumento do volume de negócios”, disse o banqueiro.

“Os mil milhões [de dividendos] são compatíveis com os resultados e com o capital disponível e, nos anos futuros, portanto, temos perspetivas de menores ROEs, mas achamos que a Caixa vai continuar a dar resultados robustos”, frisou Paulo Macedo.

“Os mil milhões é aquilo que o Conselho de Administração da Caixa tem previsto distribuir face aos resultados e à sua posição de MREL. Portanto, se houver condições de força maior, obviamente podemos sempre rever a todo momento. Mas mantendo-se as condições que temos hoje, esse seria o valor a distribuir”, sublinhou o CEO.

A Caixa é responsável por manter esses valores e é responsável por mais de 85% dos dividendos que o Estado arrecadará de todas as suas participações financeiras, acrescentou.

“Com essa distribuição dos mil milhões ficaremos com rácios acima de 20% quer no CET1 quer no capital total.  Portanto, como eu disse, há pouco, de facto, poderia haver uma distribuição maior, que, obviamente, tem que se ponderar em face daquilo que são os resultados operacionais da Caixa, em face do que é, precisamente, essa conjuntura incerta”, disse Paulo Macedo.

Sobre o Adicional de Solidariedade que foi cancelado por ser inconstitucional, dando origem a uma devolução de 29 milhões de euros pagos pela Caixa entre 2020 e 2024, e a eventualidade de este imposto ser revisitado pelo Governo, Paulo Macedo foi peremptório “não gosto de impostos extraordinários e gosto de estruturas fiscais simples, que se mantêm no tempo – essa é a minha posição individual”.

Paulo Macedo questiona: “Porquê [um imposto] adicional num setor?”. Além disso, “a questão é saber o que queremos fazer com a despesa pública, porque a despesa pública, como todos aprendemos na escola, é que condiciona a receita”, acrescenta.

“Pagamos 8% do total de IRC que o Estado recebe, a Caixa paga o maior valor de impostos em Portugal”, refere o banqueiro.

O banqueiro lembrou que a CGD, em 2024 e 2025, pagou ao Estado mais de 1,5 mil milhões de IRC e irá ainda entregar cerca de 200 milhões em pagamentos por conta de IRC do atual exercício, superando os 1,75 mil milhões em dois anos, fora os custos regulamentares.

Este ano são 10 milhões de euros para o Fundo de Resolução. Os custos regulamentares ascendem a 15 milhões nos nove meses. O que inclui Fundo de Garantia de Depósito (FGD), Fundo de Resolução Nacional e Fundo Único de Resolução, despesas administrativas do Conselho Único de Resolução e Encargos Supervisão.

O banco revelou que desde 2017 as contribuições para a supervisão e resolução ascendem a 770 milhões de euros.

“Sobre o fundo de resolução o que eu concordo verdadeiramente é que o fundo de resolução devia ter outra base, portanto uma base mais alargada que a APB tem vindo a defender, e uma base que não prejudique quem tem a sua sede em Portugal, que está, digamos, com uma entidade jurídica e, por exemplo, outras entidades que estão na Lituânia [referindo-se à Revolut], ou outras entidades que fazem parte do shadow banking, ou outras entidades que não são tão do shadow banking, mas que também têm atividades financeiras, nomeadamente seguradoras e outras pudessem contribuir. Portanto, aí tenho uma posição claramente de que a base devia ser outra”, disse.

O CEO da CGD elogiou também as contas públicas do acionista, dizendo que “a Caixa, quando vai ao mercado e paga o valor mais baixo da sua história, obviamente é por mérito do balanço da Caixa e dos seus resultados e das suas perspetivas, mas também da República Portuguesa”.


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