CGD realiza emissão de dívida ‘verde’ com “cupão mais baixo de sempre”

A emissão colocada a 0,375% recebeu perto de 130 ordens, ultrapassando os 1,5 mil milhões de euros, tendo a procura superado o montante a colocar em mais de 3 vezes. Na distribuição geográfica da colocação destacaram-se França (27%), Portugal (19%), Espanha (14%), Reino Unido (12%) e Alemanha (10%). Os fundos de investimento tomaram mais de 70% do total da emissão.

Foto: Cristina Bernardo

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) realizou esta terça-feira uma emissão de dívida sénior preferencial (senior preferred), no montante de 500 milhões de euros, com o prazo de 6 anos, colocada nos mercados internacionais e emitida com um cupão de 0,375%, “o que constitui o cupão mais baixo alguma vez conseguido pela Caixa em emissões no mercado de capitais”, refere o banco liderado por Paulo Moita de Macedo.

A notícia já tinha sido avançada pela Bloomberg e pelo site de informação financeira IFR (citado pelo Eco).

“Esta emissão tem a particularidade de ser ‘sustentável’, direcionando os fundos captados para o financiamento de operações de crédito dos seus clientes no domínio ambiental e do desenvolvimento socioeconómico”, refere o banco.

Trata-se da primeira emissão realizada por um banco português com estas características, e “é um marco importante na concretização dos compromissos assumidos pela Caixa no domínio do financiamento sustentável, criando valor para os seus clientes e reduzindo o impacto ambiental da sua atividade”, acrescenta a instituição.

A emissão foi colocada exclusivamente junto de investidores institucionais, na sequência do net-roadshow que teve lugar nos dias 10 e 13 de setembro, durante o qual a Caixa realizou reuniões com mais de 40 investidores institucionais.

A emissão recebeu perto de 130 ordens, ultrapassando os 1,5 mil milhões de euros, tendo a procura superado o montante a colocar em mais de 3 vezes. Na distribuição geográfica da colocação junto dos investidores destacaram-se França (27%), Portugal (19%), Espanha (14%), Reino Unido (12%) e Alemanha (10%). Por tipo de investidores salienta-se os fundos de investimento, que tomaram mais de 70% do total da emissão. “A característica Sustentável da emissão permitiu atrair o interesse de vários novos investidores”, diz a CGD.

O jornal Eco referiu que os bancos que colocaram os títulos foram a CaixaBI, Citigroup, Crédit Agrícole-CIB, ING, Natixis e o UBS.

A emissão insere-se no plano de financiamento definido para o cumprimento dos requisitos de MREL (Minimum Requirements for own funds and Eligible Liabilities) fixados pelo Banco de Portugal, conforme decisão do Conselho Único de Resolução.

“A concretização desta operação enquadra-se igualmente no processo de autorização junto dos reguladores Europeus para o exercício pela CGD da opção de reembolso antecipado da emissão de Additional Tier 1 (AT1) realizada pela Caixa em março de 2017 no âmbito do Plano de Capitalização acordado entre o Estado Português e a DG Comp”, explica a Caixa.

O CEO do banco explica no comunicado que “a obtenção das autorizações necessárias permitirá à CGD uma poupança anual em juros superior a 10%, considerando o diferencial de taxas entre a dívida agora emitida e o cupão do AT1 (10,75%), refletindo o caminho percorrido desde 2016 no reforço da solidez e posição competitiva da Caixa.”

Paulo Moita de Macedo, Presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos diz no comunicado que “esta emissão revela que temos capacidade para inovar na banca portuguesa como pioneiros, numa economia em que a Sustentabilidade é um dos pilares fundamentais para garantir o futuro”.

Esta emissão é a segunda colocada nos mercados de dívida internacionais para este fim, após a emissão de dívida sénior não preferencial realizada em novembro de 2019.

“A Caixa concretiza assim mais um passo na promoção do Financiamento Sustentável em Portugal, contribuindo para a implementação da sua Estratégia de Sustentabilidade para o período de 2021-2024, assente em cinco áreas estratégicas de atuação”. São elas, o Financiamento Sustentável e Inclusivo – ou seja, “ser líder em financiamento sustentável no mercado português, apoiando a transição para uma economia de baixo carbono e financiando projetos com impacto social na vida das pessoas”; a Gestão de riscos climáticos – isto é, “acelerar a transição para uma economia de baixo carbono através da gestão eficiente dos riscos climáticos”; a Equidade, Inclusão Digital e Financeira – o que significa “ser um Banco inclusivo que prioriza o bem-estar dos colaboradores e da sociedade”; os Modelos de Governo Transparentes – que se traduz em “adotar modelos de governo eficientes e que impulsionem o desempenho de forma responsável, diversificada e transparente”; e a Divulgação de Informação de Sustentabilidade – que consiste em “efetuar divulgações regulares e transparentes sobre a performance de ESG de acordo com as melhores práticas de reporte e regulamentação aplicável”.

A Caixa conclui que esta emissão “permitirá endereçar oito Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas que vão da eficiência energética à geração de emprego em áreas menos favorecidas”.

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