O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, que partia esta segunda-feira para mais uma visita oficial aos Estados Unidos, tratou de, antes da partida, explicitar o seu apoio à intervenção militar no Irão, apesar das “dúvidas” sobre a sua legitimidade. “Não é o momento de dar lições aos nossos parceiros e aliados. Apesar de todas as dúvidas, partilhamos muitos dos objetivos”, afirmou. Merz tem um encontro agendado para esta terça-feira com Donald Trump em Washington.
“Vemos o dilema que as medidas e etapas jurídicas internacionais, que temos tentado repetidamente nas últimas décadas, são obviamente ineficazes contra um regime que está a armar-se com armas nucleares e a oprimir brutalmente o seu próprio povo.” Merzfoi informado antecipadamente sobre as ações militares, segundo o seu porta-voz, Stefan Kornelius, e também conversou por telefone com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no sábado.
“O regime dos aiatolas é um regime terrorista, responsável pela opressão do povo iraniano há décadas”, afirmou, acrescentando que a República Islâmica ameaça a existência de Israel e é responsável pelo terrorismo de grupos como o Hamas e o Hezbollah: “Com os Estados Unidos e Israel, temos interesse em que o terrorismo desses regimes acabe.”
Recoprde-se que um comunicado conjunto de Merz com o presidente francês, Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, alertou o Irão de que Alemanha, França e Reino Unido estão prontos para adotar ações militares para defender os seus interesses e os de seus aliados no Golfo.
O ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul, seguiu na mesma linha de intervenção, evitando colocar qualquer crítica ao ataque: “não vou fazer uma avaliação definitiva do ponto de vista do direito internacional neste momento”, afirmou, não deixando de recordar que o regime em Teerão fornece drones à Rússia, que os usa contra a Ucrânia.
Para o SPD, que integra a coligação coma UDU de Merz no poder, o governo deve empenhar-se na desaceleração do conflito e no primado da diplomacia. Mas o Partido Verde, de oposição, condenou os ataques: “os EUA e Israel justificam as suas intervenções militares com uma ameaça iminente que o Irão representa para eles. Não existe um mandato do direito internacional para essa intervenção. Uma justificação no âmbito da autodefesa é concebível, mas está sujeita a requisitos. É preciso partir do princípio de que esses requisitos não estão preenchidos”, afirmou a líder do grupo parlamentar dos verdes, Katharina Droge.
Uma agenda económica
Merz é o primeiro líder europeu a encontrar-se com Donald Trump depois da intervenção militar, que teve início na madrugada de sábado. O tema não pode, por isso, deixar de estar na agenda dos dois estadistas. Num contexto igualmente marcado pela decisão do Supremo Tribunal dos EUA em suspender as tarifas impostas por Trump – que as substituiu por outras, temporárias – o chanceler alemão é também o primeiro líder europeu a falar diretamente com Trump sobre a matéria. Afetando diretamente a indústria automóvel alemã, a questão das tarifas é crucial para o relançamento da economia germânica. Várias insígnias alemãs têm optado por aumentar as suas posições nos Estados Unidos.
A BMW está a investir 1,7 mil milhões de dólares nas suas operações nos Estados Unidos, nomeadamente na fábrica de Spartanburg para a produção de veículos elétricos e quer produzir pelo menos seis modelos elétricos nos EUA até 2030. Volkswagen vai investir dois mil milhões numa nova fábrica na Carolina do Sul para produzir SUVs e veículos elétricos. A Mercedes-Benz tem em vista aumentar a produção na sua unidade no Alabama.
O poio à NATO e a situação da guerra na Ucrânia são outros dois temas na agenda. Por último, existe ainda a questão da recente visita de Merz à China – algo que a Casa Branca não gostou de ver. O chanceler alemão esteve na China a 25 e 26 de fevereiro, com uma agenda repleta de assuntos económicos. Pouco antes da vista, ficou a saber-se que a China ultrapassou os Estados Unidos e voltou a figurar como principal parceiro comercial da Alemanha, segundo dados divulgados pelo Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis).
A soma das exportações e importações entre o país europeu e o asiático totalizou 251,8 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 2,1% em relação ao ano anterior. Pequim foi o parceiro comercial mais importante da Alemanha de 2016 até 2023. Em 2024, os Estados Unidos assumiram brevemente a liderança. Donald Trump não irá cpm certeza deixar de reclamar da situação.
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