Chefs apelam a eurodeputados que defendam maior transparência nos produtos do mar

No próximo dia 10 de março, os eurodeputados vão votar sobre a revisão do Regulamento de Controlo das Pescas da União Europeia, um sistema de monitorização, fiscalização e aplicação da lei para atividades de pesca nas águas da UE e para atividades da frota da UE a nível mundial. A carta tem o apoio da Coligação para o Controlo das Pescas da UE.

Seis conceituados chefs europeus  enviaram uma carta aos eurodeputados apelando-os a votarem a favor de maior acesso público à informação sobre a legalidade e a sustentabilidade dos produtos do mar. Na lista de subscritores encontra-se um chef português e outro que dirige um restaurante em Portugal.

Os chefs que escreveram aos eurodeputados do Parlamento Europeu são: o espanhol David Ariza Abad; o português Bertílio Gomes, dono e responsável pela cozinha da Taberna Albricoque; o espanhol Paco Morales, Chef do Noor (que tem 2 estrelas Michelin); o Hans Neuner, Chef do português Ocean (que tem 2 estrelas Michelin); o holandês Bart van Olphen, autor and co-fundador da marca Fish Tales; o espanhol Ximo Saez, de Valencia.

No próximo dia 10 de março, os eurodeputados vão votar sobre a revisão do Regulamento de Controlo das Pescas da União Europeia, um sistema de monitorização, fiscalização e aplicação da lei para atividades de pesca nas águas da UE e para atividades da frota da UE a nível mundial. A carta tem o apoio da Coligação para o Controlo das Pescas da UE.

Isto porque existem lacunas no atual Regulamento de Controlo das Pescas que possibilitam a prática de atividades de pesca ilegais e não sustentáveis, que ameaçam a vida marinha e põem em perigo a segurança alimentar futura.

“Uma melhor informação sobre as cadeias de fornecimento de produtos do mar permitiria que a UE gerisse as pescas de modo mais sustentável e que oferecesse aos cidadãos o direito de escolherem produtos do mar de origem responsável, protegendo igualmente a saúde do oceano para as gerações vindouras”, defendem os Chefs.

Ao votar pelo uso obrigatório de sistemas digitais de fácil acesso, o Parlamento Europeu poderia garantir que se soubesse desde a origem o percurso dos produtos do mar frescos e processados. Além disso, ao votar a favor da Monitorização Eletrónica Remota (ex.: a instalação de câmaras CCTV nas embarcações) de uso obrigatório tanto nas embarcações de pesca grandes como nas pequenas, a Comissão permitiria o acesso aos dados necessários não só para gerir as pescas de forma mais sustentável, como para conservar as espécies protegidas, defendem.

Por fim, ao votar a favor da publicação de informação relativa à forma como os Estados-Membros da UE monitorizam as pescas, controlam a indústria e processam os infratores, a Comissão podia garantir que as regras para as pescas fossem aplicadas de forma coerente e justa em todo o setor pesqueiro, acrescentam.

 

“Enquanto chefs, fazemos tudo o que podemos para fornecer informação aos clientes sobre a origem dos produtos que servimos. Contudo, no que respeita aos produtos do mar, nem sempre é possível garantir que são todos de origem sustentável. Gostaríamos que o percurso dos produtos do mar fosse transparente da rede até ao prato, para podermos dar informações claras aos consumidores sobre a origem dos nossos produtos e a forma como são apanhados. Atualmente, não está a ser feito o suficiente para disponibilizar essa informação,” disse Bertílio Gomes, proprietário e chef da Taberna Albricoque, em Lisboa.

“Pedimos aos eurodeputados que usem o seu voto para retirar os produtos do mar da obscuridade. Através do acesso à informação certa, todos podemos optar por produtos nutritivos desde a origem ao consumo, que permitam a transição europeia para um sistema alimentar sustentável, robusto e resistente, que salvaguarde o futuro do nosso planeta,” disse Hans Neuner, chef do restaurante Ocean, Vila Vita Parc, no Algarve.

 

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