Chega pede divulgação “pública e integral” da auditoria do Novo Banco

“Quer em termos de parceiros negociais, operações de concessão de crédito, imparidades ou prejuízos acumulados, nada justifica que partes substanciais deste relatório sejam mantidos, neste momento, como sigilosos ou confidenciais”, aponta André Ventura.

O Chega fez chegar esta quarta-feira à Assembleia da República um projeto de resolução onde pede a divulgação “pública e integral” da auditoria do Novo Banco elaborada pela consultora Deloitte.

No documento assinado pelo líder do partido, André Ventura, é recomendado ao Governo que “promova com urgência a divulgação pública e integral da auditoria realizada à atividade do Novo Banco”, mas também que “envie imediatamente o documento, integral e sem cortes, para efeitos de apreciação preliminar, à Procuradoria Geral da República, havendo matéria suscetível de integrar a prática, por sujeitos individuais e pessoas coletivas, de ilícitos criminais”.

“Quer em termos de parceiros negociais, operações de concessão de crédito, imparidades ou prejuízos acumulados, nada justifica que partes substanciais deste relatório sejam mantidos, neste momento, como sigilosos ou confidenciais”, aponta André Ventura.

Para o Chega, “a maior parte destes elementos e das situações que as contextualizam são já do conhecimento do público português, sendo decisivos para a avaliação política das decisões tomadas pelo Executivo e pelas decisões técnicas tomadas pela direção do Novo Banco, em ambos os casos suscetíveis de escrutínio pelo povo português”.

Na recomendação do partido, André Ventura recorda que de momento estão “já solicitadas pelo menos duas comissões de inquérito parlamentar à atividade do Novo Banco, do Chega e do Bloco de Esquerda (BE), onde serão naturalmente analisados com conhecimento do público todos estes elementos, não faz sentido continuar a manter partes da auditoria ou das suas componentes como confidenciais ou sigilosas”.

Esta terça-feira, também o Bloco de Esquerda requereu a versão integral da auditoria ao Novo Banco. No texto de Mariana Mortágua, o BE pediu “com caráter de urgência, o envio à Assembleia da República do relatório da auditoria especial ao Novo Banco na sua versão integral, incluindo a lista de entidades codificadas”, bem como “no texto assinada pela deputada Mariana Mortágua, o Bloco de Esquerda pede também “a divulgação pública imediata do relatório de auditoria especial ao Novo Banco, na sua versão atual”.

Além do requerimento, o BE quer uma comissão de inquérito ao Novo Banco, uma vez que considera a auditoria da Deloitte insuficiente. “E por entendermos que a auditoria não vai tão longe quanto devia no escrutínio da atual administração do Novo Banco que queremos a comissão de inquérito. O que é preciso descobrir não é o volume das perdas, essas são publicadas nos relatórios e contas. O que queremos saber é se havia negócios ruinosos por que é que foram transferidos para o Novo Banco”, referiu Mariana Mortágua esta quarta-feira, em conferência de imprensa.

Ler mais
Relacionadas

Centeno invoca segredo bancário para recusar dar relatório secreto sobre atuação do BdP

Banco de Portugal invoca o segredo bancário para negar novamente a entrega de relatório secreto que faz uma auto-avaliação do supervisor no processo de resolução do BES, depois de o Bloco de Esquerda ter insistido, no final de julho, em ter acesso ao documento que aponta falhas ao supervisor. Nega de Mário Centeno e omissões na auditoria da Deloitte ao Novo Banco estão na base do pedido dos bloquistas de comissão de inquérito ao banco.

Novo Banco não tem previsto vender este ano portefólios de imóveis

A instituição financeira admite realizar vendas particulares de imobiliário, algo que já o faz. O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, disse, em conferência de imprensa, que o banco vende 50% dos ativos imobiliários em vendas particulares.

Deloitte recomendou que o Novo Banco fizesse o contraponto da avaliação dos imóveis

O Novo Banco diz que está totalmente empenhado em continuar o caminho traçado para cumprir na íntegra as indicações referidas no Relatório.
Recomendadas

PAN: “Estado de Emergência não significa necessariamente que tenha que existir um confinamento”

Em declarações ao Jornal Económico, Inês Sousa-Real assinala que “o que importa neste momento é percebermos onde é que estão as cadeias de transmissão”, defendendo que proporcionalidade e adequação das medidas consoante as localidades e regiões.

“Não desistimos de nenhuma batalha antes de acabar”. PCP apresenta propostas de alteração ao OE 2021

Entre as medidas apresentadas, no campo da justiça fiscal, João Oliveira anunciou que os comunistas pretendem a “atualização dos escalões IRS, o aumento de mais um escalão neste imposto aumentando a progressividade do mesmo, bem como o aumento dos chamados valores do mínimo de existência e dedução especifica, permitindo cumprir o objetivo de redução da tributação dos rendimentos mais baixos, intermédios”.

Governo vai ter de responder a providência cautelar do Chega contra restrições à circulação sem estado de emergência

Supremo Tribunal Administrativo dá 24 horas ao Conselho de Ministros para se pronunciar sobre alegação de inconstitucionalidade da resolução que proíbe deslocações entre concelhos das 00h00 de sábado até às 06h00 da próxima terça-feira.
Comentários