China considera “caluniosa” afirmação da NATO sobre ameaças ao Ocidente

A missão de Pequim na União Europeia teve uma resposta enérgica ao comunicado da NATO, afirmando que o Presidente Joe Biden mostra uma “mentalidade de guerra fria”.

A missão da China na União Europeia acusou a NATO de calúnia e de “exagerar na chamada ‘ameaça da China’” depois de os líderes da aliança ocidental terem advertido que o antigo Império do Meio apresenta “desafios sistêmicos” à ordem e à segurança internacionais.

Recorde-se que esta segunda-feira, em cimeira cúpula em Bruxelas, os líderes da aliança transatlântica, com Joe Biden presente pela primeira vez, assumiram uma postura enérgica em relação a Pequim – secundando as preocupações de Washington sobre a matéria. Pequim já estaria à espera deste alinhamento entre Estados-membros, mas talvez a afirmação perentória tenha apanhado o governo de Xi Jinping desprevenido.

Biden exortou seus membros da NATO a enfrentarem o autoritarismo e o crescente poderio militar da China, com a representação do governo de Pequim a afirmar que o Presidente dos Estados Unidos avaliou mal a situação internacional e revelou uma “mentalidade de guerra fria”.

“A China insta a NATO a ver o desenvolvimento da China de uma maneira racional, pare de exagerar a chamada ‘ameaça da China’ e pare de tomar os interesses e direitos legítimos da China como uma desculpa para manipular a política do bloco, criar confronto e alimentar geopolíticas de concorrência”, refere um comunicado oficial.

“Não vamos representar um ‘desafio sistêmico’ para ninguém, mas não vamos ficar sentados sem fazer nada se ‘desafios sistêmicos’ se aproximarem de nós”, escreve-se ainda. A missão disse que a China está comprometida com uma política de defesa de “natureza defensiva” e que a sua modernização militar é “justificada, razoável, aberta e transparente” – e também não é de agora.

A China afirmou ter muito menos ogivas nucleares que os membros da NATO e comprometeu-se a não usar ou ameaçar o seu uso contra Estados não nucleares, além de alegar ter gasto uma proporção menor do PIB em defesa que a média da NATO.

A longa declaração foi uma resposta à primeira menção significativa da China numa declaração de uma cimeira da NATO.

O encontro das nações do G7 na Grã-Bretanha no fim-de-semana também criticou a China sobre os abusos dos direitos humanos em Xinjiang e sobre a sua interferência na autonomia de Hong Kong.

O G7 exortou a China a “respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, especialmente em relação a Xinjiang e os direitos, liberdades e alto grau de autonomia de Hong Kong, consagrados na Declaração Conjunta Sino-Britânica e na Lei Básica”. E também destacou “a importância da paz e da estabilidade em todo o Estreito de Taiwan”.

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