Combate às alterações climáticas. Chineses mais otimistas que os portugueses

Com base na opinião de quase 30 mil inquiridos, o Banco de Investimento Europeu concluiu que os chineses estão mais cientes dos perigos e agravamentos das alterações climáticas, comparativamente com os europeus e americanos.

A migração, a reversão dos acontecimentos e o impacto diário das alterações climáticas na vida de cada um são algumas das conclusões registadas na segunda edição do inquérito conduzido pelo Banco de Investimento Europeu (BIE). Desde os devastadores incêndios na Austrália, até ao aumento das temperaturas na Noruega no auge do inverno, os últimos eventos climáticos têm vindo a mostrar o impacto real e global das mudanças climáticas nas nossas vidas.

O estudo,”Percepção dos cidadãos sobre as alterações climáticas e o seu impacto“, que contou com a participação de quase 30 mil pessoas dos Estados Unidos, Europa e China concluiu que, de forma geral, os inquiridos ainda acreditam que o aquecimento do planeta é reversível. Cerca de 59% dos europeus subscreve esta opinião, enquanto que 80% dos chineses considera que o mesmo ainda é alcançável. Em Portugal, os valores ultrapassam a média e cerca de 68% dos inquiridos defende que, para já, nada está perdido.

No que toca à responsabilização dos humanos pelo agravamento do estado ambiental, cerca de 91% dos portugueses subscreve essa tese, ultrapassando a média de 84% dos europeus. Mas, da mesma maneira que os humanos são responsáveis pelo estado do ambiente, cerca de 69% dos inquiridos defende que a alteração de hábitos diários podem fazer a diferença pelo planeta. Os maiores contribuintes para a poluição do planeta são, curiosamente, os que mais acreditam que ação humana pode ser determinante. Cerca de 72% dos chineses defende a adoção de práticas mais sustentáveis no dia a dia, enquanto que 65% dos americanos partilha a mesma opinião

Curiosamente, existe uma diferença geográfica entre os países do sul e norte da Europa em relação a certas temáticas. Cerca de 72% dos espanhóis e 69% dos italianos encaram o desemprego entre os três principais desafios, enquanto que para 61% dos portugueses o acesso à saúde consta no pódio e para 54% dos franceses é o acesso à eletricidade. Já nos países do norte da Europa, como Dinamarca, Holanda, Alemanha e Áustria a crise climática é apontada como a maior ameaça.

Este contraste de opinião entre os países do sul e do norte da Europa também se reflete no impacto percebido das alterações climáticas: as pessoas nos países do Mediterrâneo relatam um impacto maior nas suas vidas quotidianas, com mais de 90% dos italianos e mais de 80% dos portugueses, espanhóis e franceses a subscreverem a esta preocupação

Em comparação, os americanos validam o fenómeno como uma preocupação (39%) mas situam-no atrás dos seguros e serviços de saúde (45%). Já do outro lado do globo, 73% da população chinesa acredita que as alterações climáticas são o maior desafio enfrentado pela sociedade, muito à frente da saúde (47%) e a crise financeira (33%).

Os últimos dez anos foram considerados os mais quentes no planeta desde o início da revolução industrial, há quase dois séculos, segundo o Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas do Copernicus (C3S). Já um estudo publicado, esta terça-feira, argumenta que a temperatura dos oceanos atingiu um novo máximo em 2019 e que a tendência deverá manter-se nos próximos anos a menos que as emissões de CO2 diminuam.

O inquérito realizado em parceria com a empresa de pesquisa de mercado BVA, visa iniciar um debate mais amplo sobre as atitudes e expectativas dos cidadãos em termos de ação climática na União Europeia, Estados Unidos e China.

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