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Cibersegurança: IA acelera ataques a ritmo que defesas tradicionais já não conseguem acompanhar

A inteligência artificial está a automatizar o cibercrime a uma velocidade sem precedentes. Enquanto 53% dos líderes admitem o risco estratégico, apenas 7% estão a contra-atacar com as mesmas armas, revela um novo estudo da Boston Consulting Group (BCG).
2 Março 2026, 23h11

Um novo relatório da Boston Consulting Group (BCG) revela que os ataques cibernéticos potenciados por inteligência artificial (IA) estão a escalar mais rapidamente do que as defesas corporativas, com 60% das organizações a reportarem alvos de IA, mas apenas 7% a utilizar a tecnologia na defesa.

A inteligência artificial está a automatizar o cibercrime a uma velocidade sem precedentes. Enquanto 53% dos líderes admitem o risco estratégico, apenas 7% estão a contra-atacar com as mesmas armas, revela o novo estudo da Boston Consulting Group (BCG).

O estudo destaca que a IA permite ataques sofisticados, como deepfakes e phishing, exigindo que os líderes empresariais adotem uma abordagem proativa e estratégica para garantir a resiliência operacional.

O cenário da cibersegurança mudou de paradigma: já não se trata de uma guerra de homens contra máquinas, mas de algoritmos contra defesas estática.

Segundo o relatório “AI Is Raising the Stakes in Cybersecurity”, a Boston Consulting Group alerta que a “cyber kill chain” (a cadeia de ataque) está agora quase totalmente automatizada. Desde o phishing hiper-realista à clonagem de voz e deepfakes usados em fraudes financeiras multimilionárias, os atacantes estão a operar à “velocidade da máquina”, enquanto as empresas ainda tentam reagir à velocidade humana.

O dado mais crítico do estudo prende-se com a paralisia operacional.

Apesar de 60% das organizações acreditarem já ter sido alvo de ataques potenciados por IA no último ano, o investimento não acompanhou o medo. Apenas 5% das empresas reforçaram significativamente os seus orçamentos de segurança em resposta direta a esta tecnologia.

Esta discrepância cria uma janela de oportunidade perigosa para os criminosos. “A defesa reativa já não é viável”, sublinha José Ferreira, Managing Director & Partner da BCG Portugal. Para o especialista, a IA deixou de ser uma opção acessória para passar a ser um fator crítico de exposição.

A transição para uma defesa ativa esbarra em três grandes obstáculos. Por um lado a escassez de especialistas já que 70% das empresas não conseguem recrutar talento que domine a interseção entre cibersegurança e IA; a maturidade digital, pois as ferramentas tradicionais são incapazes de detetar malware de autoaprendizagem; e a cultura de liderança, pois a segurança ainda é vista como um custo técnico e não como um pilar de resiliência liderado pelo topo (CEOs).

“Num mundo onde os ataques são autónomos, a vitória pertencerá às organizações que conseguirem evoluir da intenção para a ação, transformando a cibersegurança numa vantagem competitiva e não apenas num escudo de papel”, diz o estudo.

O relatório conclui que a proteção já não se limita a “fechar a porta”. À medida que as empresas integram IA nos seus processos, os próprios algoritmos e dados de treino tornam-se alvos. Proteger a integridade da IA e utilizar a mesma tecnologia para monitorizar redes em tempo real é agora o único caminho para a sobrevivência digital.

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