CIP: dívidas do SNS atingiram os 119,5 milhões de euros em junho

Para o CENS da CIP, estes pagamentos em atraso “são uma das deficiências estruturais do nosso país” e que afeta principalmente o sector da saúde “sendo que a situação é particularmente grave quando a economia se ressente dos efeitos recessivos da Covid-19”. 

Manuel de Almeida/Lusa

O Conselho Estratégico Nacional da Saúde (CENS) da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) alerta que as dívidas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) “estão a crescer a um ritmo de quatro milhões de euros ao dia”, tendo no mês de junho atingindo os 119,5 milhões de euros. Segundo as estimativas feitas com base na execução orçamental revelada esta segunda-feira, as dívidas já ascendem a 605,4 milhões de euros.

De acordo com a CIP, “a dívida assumida como “Pagamentos em Atraso (dívidas por pagar há mais de 90 dias)” aumentou 454 milhões de euros desde o início do ano e fazem temer pelo valor total da dívida do SNS”,

Para os responsáveis estes pagamentos em atraso “são uma das deficiências estruturais do nosso país” e que afeta principalmente o sector da saúde “sendo que a situação é particularmente grave quando a economia se ressente dos efeitos recessivos da Covid-19”.

“Não é aceitável que o Estado e o SNS se financiem crescentemente nos fornecedores”, frisam.

Além dos números divulgados,  a execução orçamental do SNS relativa ao primeiro semestre aponta para um aumento da despesa corrente de 9,5% face ao período homólogo, “bastante impulsionada” pelo aumento das despesas com pessoal (+9,6%) relativas a novas contratações e “ao aumento dos encargos com suplementos remuneratórios, em especial com trabalho extraordinário realizado no âmbito do combate à Covid-19”, enquanto o financiamento do Orçamento do Estado não aumenta mais de 1,9%.

Neste contexto, o défice do SNS até junho cifrou-se em 200,2 milhões de euros, “representando uma deterioração de 424,4 milhões de euros face ao período homólogo”, avança a CIP em comunicado.

A confederação critica ainda que “a execução financeira do SNS está a ser feita à custa do investimento pois num semestre não se realizou sequer 30% do orçamento, com uma quebra de 26% face ao mesmo período de 2020.

Face a estes resultados o CENS da CIP reitera o apelo para que se equacione a apresentação de um Orçamento Suplementar para 2021 “onde estejam devidamente contempladas as reais necessidades correntes do SNS, o cumprimento atempado dos compromissos financeiros e um plano para recuperar a atividade assistencial e reduzir as listas de espera, que se têm acumulado e penalizam gravemente o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde”.

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