CIP promove projeto para pôr mais mulheres na liderança

Projeto “Promova” pretende identificar e desenvolver talentos femininos com potencial de liderança, tendo como objetivo de fomentar a ascensão na gestão de topo das empresas.

Em 2015, Mariana Norton dos Reis, atualmente sócia do escritório de advogados Cuatrecasas, participou no ‘Proyecto Promociona’, em Espanha, e não tem dúvidas: “há um antes e depois na vida profissional e pessoal”. O exemplo da advogada pode ser agora multiplicado em Portugal, com o projeto “Promova”, destinado a contribuir para potenciar a liderança no feminino.

Promovido pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal, o “Promova”, inspirado no modelo espanhola que já conta com sete edições, pretende identificar e desenvolver talentos femininos com potencial de liderança, tendo como objetivo fomentar a promoção na gestão de topo das empresas.

O programa é destinado não apenas às mulheres – que devem ter mais de 15 anos de experiência-, mas à própria empresa onde se inserem, já que tem também uma vertente de mentoria.

Dividido entre a área de coaching, no qual se procura desenvolver um plano individual para cada uma das participantes alcançar metas profissionais pretendidas e potenciar a sua ascensão em cargos de direção, tem ainda uma vertente de networking, assim como de mentoria cruzada. Neste âmbito, pretende-se que um mentor de uma determinada empresa seja mentor de uma candidata de outra empresa, fomentando a troca de experiências.

Por fim, oferece ainda às participantes a formação executiva, levada a cabo pela Nova School of Business and Economics. Daniel Traça, dean da universidade, considera que “é preciso refletir, inovar e criar coligações de atores na sociedade civil que sejam capazes de levar a cabo estas iniciativas”.

Na apresentação do projeto, em Lisboa, Daniel Traça sustentou que a mudança surge das lideranças e que “precisamos de mais modelos, porque não conseguimos desaprender sem ter novos modelos”.

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, realçou a importância do projeto, que considerou ter “imenso potencial”, contribuindo para evitar uma representação quantitativa vazia de poder.

“Sabemos que não basta o aumento numérico nos cargos de decisão. Vários estudos demonstram o efeito de presença de mulheres nos Conselhos de Administração, porém sabemos que são necessárias medidas complementares que evita o efeito ‘saia dourada'”, justificou, em alusão à presença de mulheres em órgãos de decisão para apenas aparente representação.

Rosa Monteiro defendeu que “a raiz mais profunda do desequilíbrio reside em estereótipos de géneros”, que associam homens e mulheres a determinadas profissões, com as mulheres a serem associadas a papéis de cuidado.

“Quando falamos de lideranças também falamos de poder, de capacidade de decisão e há sempre resistências, porque para alguém entrar alguém tem que ceder o lugar”, disse, apontando que “o domínio do poder é aquele no qual Portugal apresenta uma pior performance”, com as mulheres “a continuar aquém na tomada de decisão económica”, ainda que, por outro lado, seja o domínio no qual Portugal mais avançou e a um ritmo superior ao da media europeia.

“Este trabalho não pode abrandar, por isso projetos como estes são tão importantes, tão decisivos”, reforçou.

É neste sentido, que o presidente da CIP, António Saraiva, garantiu que a confederação patronal está comprometida com estes objetivos. “Independentemente de Portugal ter dado passos significativos no caminho para a diminuição de disparidade entre homens e mulheres, é preciso ir mais longe”, considerou.

“As empresas sabem que não podem desperdiçar talentos e necessitam das pessoas mais bem preparadas sejam homens ou mulheres”, realçou, considerando que é necessário desenvolver iniciativas como o “Projeto Promova”, “não porque é moda, mas sim porque acreditamos que é o caminho que a sociedade portuguesa tem que promover”.

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