Clima: Associação Zero com poucas esperanças na cimeira dos EUA

“Para não aumentarmos mais de 1,5 graus Celsius em relação à era pré-industrial, precisamos de reduzir as emissões mundiais em 45% entre 2010 e 2030”, mas com as novas NDC “o decréscimo é de apenas 0,5% em relação aos 45% necessários”, diz a Zero, notando que esta contabilização envolve apenas os países que já revelaram os seus compromissos, faltando “países chave”.

A organização ambientalista portuguesa Zero tem uma “esperança muito limitada” na cimeira sobre o clima convocada pelo Presidente dos Estados Unidos e alerta que as promessas de redução de emissões dos países do mundo estão longe do necessário.

Joe Biden convocou para quinta-feira (Dia da Terra) e sexta-feira uma cimeira com 40 chefes de Estado para dar um novo impulso à luta contra as alterações climáticas.

A iniciativa, considera a Zero em comunicado, é “extremamente importante”, até para mostrar que os Estados Unidos estão de volta na ação climática (um tema que o anterior Presidente, Donald Trump, não priorizou).

Mas a organização lembra também o último relatório das Nações Unidas, de fevereiro passado, que diz que as contribuições nacionalmente determinadas (NDC, na sigla em inglês, que são as promessas de cada país de corte nas emissões de gases com efeito de estufa), estão longe dos objetivos previstos no Acordo de Paris sobre o clima, de limitar o aquecimento global a 1,5 ° Celsius em relação à época pré-industrial.

“Para não aumentarmos mais de 1,5 graus Celsius em relação à era pré-industrial, precisamos de reduzir as emissões mundiais em 45% entre 2010 e 2030”, mas com as novas NDC “o decréscimo é de apenas 0,5% em relação aos 45% necessários”, diz a Zero, notando que esta contabilização envolve apenas os países que já revelaram os seus compromissos, faltando “países chave”.

Um dos países que ainda não apresentou os seus compromissos nas Nações Unidas é precisamente os Estados Unidos, e a China (são os dois países que mais emitem gases com efeito de estufa) apenas apresentou uma intenção e não um compromisso formal.

É de lamentar que vários países relevantes como a Austrália, Brasil, Japão, Federação Russa, México, Nova Zelândia, Coreia do Sul ou Suíça “já submeteram as suas novas metas e não aumentam o seu grau de ambição” nesta nova submissão no quadro das negociações que deverão ser finalizadas na cimeira do clima de Glasgow em novembro deste ano, diz a associação ambientalista.

A Zero lembra que no Acordo de Paris os Estados Unidos se comprometeram em reduzir as emissões entre 26 e 28% até 2025 (em relação a 2005).

“Análises recentes sugerem que um corte de 50% nas emissões entre 2005 e 2030 não só é viável, mas também seria um catalisador para a criação de empregos e de crescimento económico, alinhando-se melhor com os esforços de obter emissões globais líquidas zero até 2050, meta de longo prazo que o Presidente Biden também estabeleceu”, afirma a Zero no comunicado.

A associação diz que espera da Europa, nesta cimeira, mais esforços e compromissos específicos, uma redução de emissões além de 55% (o compromisso da União Europeia para 2030) e mais esforços para proteger a biodiversidade e aumentar as remoções de carbono.

A par de esforços no apoio à adaptação às alterações climáticas de países mais pobres e frágeis e não financiar os combustíveis fósseis no processo de recuperação da pandemia de covid-19.

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