CMVM suspende negociação das ações da Cofina

O regulador dos mercados anunciou a decisão esta tarde após a notícia de que a empresa irá comprar a TVI.

Cristina Bernardo

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou esta quarta-feira à tarde que suspendeu a negociação das ações da Cofina. O conselho de administração do regulador dos mercados impediu a empresa que detém o “Correio da Manhã” e o “Jornal de Negócios” de manter os seus títulos a negociar na Bolsa de Lisboa pouco tempo depois de vir a público que o grupo de comunicação social irá comprar a TVI.

O conselho de administração da CMVM “deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários a suspensão da negociação das ações Cofina – SGPS, SA e das ações do Grupo Media Capital, SGPS, SA, aguardando a divulgação de informação relevante ao mercado”, pode ler-se no comunicado enviado pela entidade liderada por Gabriela Figueiredo Dias.

O empresário português Paulo Fernandes, o dono da Cofina, decidiu entrar em negociações exclusivas para a compra da TVI à espanhola Prisa, de acordo com uma notícia avançada hoje pelo semanário “Expresso”. O CEO do grupo que detém também publicações como o desportivo “Record” e a newsmagazine “Sábado” terá assinado um memorando com a Prisa, há cerca de três semanas, que lhe garante exclusividade nas negociações. Tudo indica que não há ainda uma proposta formal com valores concretos, segundo o jornal da Imprensa, que cita fontes envolvidas no processo de aquisição.

O processo de venda terá tido início após a saída de Rosa Cullell da direção executiva da Prisa. Depois de fracassadas negociações com a Altice e do interesse de outros dos potenciais compradores como o empresário Mário Ferreira, a Cofina deverá avançar, numa altura em que a TVI parece ter desvalorizado até pela rápida descida de audiências face à SIC. Os últimos dados dos primeiros semestre de 2019 dão conta de que o canal de Paço d’Arcos liderou as audiências com 18,9% de share. Com o arranque das negociações exclusivas, Paulo Fernandes afasta de cena outros potenciais compradores que se têm falado, como o n+úmero um da Douro Azul.

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Notícia atualizada às 16h46

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