CMVM suspende negociação das ações do Benfica

Esta segunda-feira, a CMVM decidiu suspender as negociações dos títulos das águias, enquanto “aguarda a divulgação de informação relevante ao mercado”. Tal como o JE noticiou em 23 de março, o Benfica prepara-se para pedir a revogação da OPA sobre a sua própria SAD com base em “alteração imprevisível das circunstâncias” devido aos efeitos da crise provocada pela Covid-19.

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspendeu esta segunda-feira, 23 de março, a negociação dos títulos da SAD do Benfica, enquanto aguarda por mais informação relativa à oferta pública de aquisição (OPA) do clube sobre 28,06% das ações da própria SAD disponíveis no mercado.

“O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários a suspensão da negociação das ações da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, aguardando a divulgação de informação relevante ao mercado”, informou a CMVM.

Tal como o JE noticiou no dia 20 de março, na sua edição impressa, o Benfica pondera agora retirar a OPA sobre a sua própria SAD por “alteração imprevisível das circunstâncias”. A operação tinha por objetivo tornar o clube da Luz detentor de 95% da sua SAD.

Devido à crise do Covid-19, a Sport Lisboa e Benfica, SGPS (designação empresarial do clube) pondera retirar a OPA sobre a Benfica SAD, lançada a 18 de novembro. A operação está a ser avaliada pelo regulador há quatro meses.

Para retirar a oferta, que visava controlar 95% do capital da SAD, o Benfica terá de fazer o pedido, de forma fundamentada, à CMVM, onde argumentará “a alteração imprevisível e substancial das circunstâncias” devido aos efeitos da propagação do novo vírus no país, nomeadamente no futebol que suspendeu o campeonato nacional. Mas a palavra final será sempre do regulador que, até à data, nunca aceitou esta possibilidade à luz das regras das OPA.

No momento em que a negociação das ações da Benfica SAD foram suspensas, os títulos dos encarnados tombavam 8,47%, para 2,70 euros. O valor é inferior aos 2,76 euros a que as ações da Luz cotavam antes do lançamento da OPA, em novembro de 2019, quando o clube anunciou querer ficar com a quase totalidade do capital da própria SAD (95%), oferecendo cinco euros por cada ação dispersa no mercado (28,06%).

O Benfica é dono de 40% da Benfica SAD e ainda detém mais 23%, através da Benfica SGPS. A oferta apresentada significa que o Benfica pagaria 32 milhões de euros aos investidores.

De acordo com a edição do Correio da Manhã de dia 21 de março, a decisão de avançar com a revogação do negócio está tomada e, por conseguinte, os 32 milhões que o clube gastaria na OPA poderão ser canalizados para enfrentar eventuais perdas de receita, face à crise suscitada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), e ganhar capacidade de contratar reforços na próxima janela de transferências.

Benfica pondera retirar OPA sobre SAD por “alteração imprevisível das circunstâncias”

 

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