Colapso da procura de petróleo equivale a um quinto do consumo global

A agência Bloomberg avança com um intervalo de valores que é credível para os traders do sector: o colapso da procura pode quantificar-se num quinto do consumo global, o que corresponde ao intervalo entre 10 e 20 milhões de barris por dia. Na crise petrolífera de 1980, a contração foi de 2,6 milhões de barris por dia.

Sergei Karpukhin/Reuters

Com cerca de 90% das frotas das companhias de aviação paradas nos aeroportos, com as populações confinadas nas suas casas e os seus veículos estacionados e com as principais artérias das grandes cidades – habitualmente congestionadas, com trânsito parado, às horas de ponta –, agora praticamente desertas, ou o tráfego marítimo sem o movimento frenético dos grandes cruzeiros turísticos, as petrolíferas fazem contas à vida para avaliarem qual foi a redução de consumo resultantes da travagem brusca da atividade económica mundial. A agência Bloomberg avança com um intervalo de valores que é credível para os traders do sector: o colapso da procura pode quantificar-se num quinto do consumo global, o que corresponde ao intervalo entre 10 e 20 milhões de barris por dia.

Apesar de grande redução do consumo e da descida das cotações do petróleo, francamente abaixo dos 30 dólares por barril, a negociação dos contratos de futuros não registou variações com amplitudes que permitam projetar a continuação de uma queda livre de preços esta segunda-feira, 23 de março.

Efetivamente, às 17h50 de Lisboa, a cotação dos futuros de Brent rondava os 26,20 dólares por barril, enquanto os futuros do congénere norte-americano WTI eram negociados a 22,41 dólares, valores semelhantes aos que foram negociados ao fim da manhã.

Ao ter descido abaixo do patamar psicológico dos 25 dólares por barril na semana passada, o WTI bateu em preços mínimos de 18 anos, tal como o Brent, embora com uma margem aditiva em relação ao preço do crude WTI.

Nesta altura, apesar da guerra de preços entre os produtores sauditas e os russos, as cotações do mercado petrolífero estão a ser travadas pela drástica redução dos consumos de combustíveis em todo o mundo, que é uma consequência direta da pandemia da Covid-19.

A agência Bloomberg vai mais longe e refere que mesmo que haja uma normalização da atividade económica a meio do ano, 2020 ficará marcado como o ano em que ocorreu a maior contração do consumo petrolífero mundial desde que há dados estatísticos fiáveis no sector, ou seja, desde 1960. Recorda-se que na segunda crise petrolífera, de 1980, a contração da procura foi de 2,6 milhões de barris por dia.

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