O banco italiano anunciou esta segunda-feira, 16 de março, a intenção de avançar com uma oferta pública de aquisição (OPA) voluntária aos acionistas do Commerzbank, sendo o objetivo superar uma participação de 30% no segundo maior banco da Alemanha.
O anúncio provocou uma reação negativa do Governo alemão. O Estado ainda controla 12% e considera que uma aquisição hostil do banco alemão seria “inaceitável”, embora reconheça que caberá ao segundo maior banco privado da Alemanha decidir sobre seu futuro.
Ou seja o anúncio coloca o banco em rota de colisão com o conselho de administração do Commerzbank e com o governo alemão, que resgatou o banco durante a crise financeira de 2008 ficou nesse processo com mais de 12% das ações.
O resgate de 2008 envolveu a injeção do governo alemão de 18,2 mil milhões de euros em dinheiro.
“O UniCredit sinaliza abertura ao diálogo e vontade de construir pontes com o Commerzbank e as principais partes interessadas”, disse o banco italiano.
“Se o banco com sede em Milão apresentar uma oferta formal, então caberá ao Conselho de Administração e ao Conselho de Supervisão do Commerzbank examiná-la e emitir uma recomendação aos acionistas”, afirmou numa conferência de imprensa o porta-voz do Ministério das Finanças, Maximilian Kall.
“A posição do Governo Federal a esse respeito é conhecida e não mudou em nenhum ponto. O Estado apoia a estratégia de independência do Commerzbank. Uma aquisição hostil, especialmente considerando que o Commerzbank é um banco de importância sistémica, não seria aceitável”, segundo Maximilian Kall.
“O Governo não é uma autoridade supervisora. A supervisão do Commerzbank corresponde ao Banco Central Europeu (BCE), que é independente, como vocês sabem, nas suas avaliações”, sublinhou.
O banco italiano liderado por Andrea Orcel, considerado um tubarão das aquisições, anunciou que a oferta será mediante uma troca de ações, com o objetivo de superar o limiar de 30% do capital social, embora tenha assegurado que não quer assumir o controlo do banco germânico.
No entanto no passado chegou a admitir adquirir o controlo. O banco italiano pretende criar um gigante bancário pan-europeu, e, recorde-se, já é dono do alemão HypoVereinsbank (HVB).
De acordo com a lei alemã, os acionistas que detenham mais de 30% das ações são obrigados a apresentar uma oferta pública de aquisição. O banco com sede em Milão disse nesta segunda-feira que estava planeando uma troca de ações que resultaria em um preço de 30,8 euros por ação do Commerzbank, ou um total de cerca de 34,7 mil milhões de euros. O preço das ações do Commerzbank subiu para 31,30 euros no início da sessão desta segunda-feira e acabou por fechar nos 32,14 euros, o que significa uma subida de 8,62%.
O UniCredit adquiriu pela primeira vez uma participação de 9% no Commerzbank em setembro de 2024 e desde então aumentou a sua participação para pouco menos de 30%. O UniCredit converteu em ações parte da sua posição sintética no Commerzbank, aumentando assim os seus direitos de voto. Isto depois de ter tido autorização do BCE para uma participação de 29,9% no banco alemão.
O Commerzbank, com sede em Frankfurt, é um dos bancos mais antigos da Alemanha, fundado em 1870. Tem cerca de 40.000 funcionários em 40 países.
Outros investidores proeminentes no Commerzbank incluem a BlackRock, com uma participação de pouco menos de 6%, e o fundo soberano da Noruega, que detém cerca de 3%.
Com a aquisição do Commerzbank, o CEO do Unicredit pode inscrever o seu nome nos livros de história. Andrea Orcel, sempre banqueiro de investimento, os fracassos na sua carreira nunca o tiraram do caminho, pelo contrário, empurraram-no ainda mais para cima.
Andrea Orcel não é conhecido por tentar agradar a todos. Em vez disso, parece cultivar a imagem de um gestor duro, de um banqueiro de investimento por excelência e de um empresário de sucesso.
O “New York Times” chegou a chamar-lhe “o banqueiro de investimento mais famoso da Europa”. O banqueiro romano assumiu o cargo de CEO do UniCredit em abril de 2021, e desde então tornou o UniCredit num dos bancos mais eficientes e mais rentáveis da Europa.
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