Como os islandeses vão pegar numa companhia aérea de Cabo Verde para encurtar distâncias entre África, Europa e as Américas

Uma companhia islandesa comprou 51% da Cabo Verde Airlines. A Loftleidir quer comprar mais aviões para aumentar as rotas da companhia em três continentes a partir da sua plataforma na ilha do Sal.

Apesar de serem ilhas localizadas no oceano Atlântico, os mais de cinco mil quilómetros de distância que separam a Islândia de Cabo Verde significa que os laços culturais e históricos entre os dois países são praticamente inexistentes.

Mas este afastamento está prestes a desaparecer. A Loftleidir Cabo Verde fechou acordo com o Governo de Ulisses Correia e Silva para comprar 51% da Transportes Aéreos de Cabo Verde ou Cabo Verde Airlines (TACV). A Loftleidir Cabo Verde é detida em 70% pela  Loftleidir Icelandic e em 30% por empresários islandeses

A Loftleidir Icelandic revelou ao Jornal Económico qual o rumo pretendido para a até agora empresa totalmente estatal: “A estratégia para a Cabo Verde Airlines é construir uma plataforma de ligações aéreas no Sal, para interligar os continentes da Europa, África, América do Sul e América do Norte”, disse Erlendur Svavarsson.

“A nossa visão é que a Cabo Verde Airlines se torne a companhia aérea preferida para ligações eficientes entre esses quatro continentes. Isto vai ser conquistado através de um serviço eficiente e de confiança com uma diferença. A diferença é a localização e a singularidade de Cabo Verde”, prevê o vice-presidente para as áreas de vendas e marketing.

“As operações da Cabo Verde Airlines vão crescer significativamente com novas rotas no horizonte todos os anos até 2023. Isto inclui cidades em África, América do Sul e do Norte e Europa” acrescenta.

Questionado sobre os valores de compra de 51% da TACV e qual o montante que pretendem investir, a empresa islandesa rejeitou responder. Mas segundo avançou o Económico Cabo Verde, o valor atinge os 1,3 milhões de euros.

A Loftleidir Icelandic pertence ao grupo Icelandair, que detém a transportadora aérea de bandeira da Islandia: a Icelandair, cuja plataforma está sediada em Reiquiavique, a capital do país. Esta empresa chegou em estar interessada em comprar a transportadora aérea açoriana SATA, mas o negócio não avançou.

Erlendur Svavarsson adiantou que o plano é aumentar a frota da TACV até 2023 para um total de 12 aviões. “A Cabo Verde Airlines vai crescer a um ritmo sustentável com uma plataforma de ligações aéreas no Sal. Estamos atualmente a operar dois aviões para a companhia, mas estamos a planear adicionar mais dois à frota ao longo deste ano. Mais para a frente, estamos a planear crescer ao ritmo de dois a três aviões por ano e esperamos que a frota atinja os 12 aviões até 2023″.

A companhia islandesa detém um total de 10 aviões Boeing 737. É de destacar que nenhum dos modelos detidos pela islandesa corresponde ao polémico 737 Max 8, segundo a informação disponível no seu site.

A Loftleidir Icelandic não é uma companhia aérea comercial, mas sim de charters, isto é, aluga aviões para outras companhias aéreas.  A sua ligação com Cabo Verde começa em 2017 quando alugou precisamente dois aviões à transportadora do país lusófono. No entanto, os islandeses garantem que  a TACV vai continuar a ser uma companhia comercial.

Além dos 51% vendidos aos islandeses, 39% do capital vai ser disperso em bolsa, e outros 10% vão poder ser subscritos por emigrantes e trabalhadores.

Fora dos planos da companhia islandesa, estão voos diretos entre a Islândia e Cabo Verde. “Voos charters individuais  já foram operados com sucesso e podem continuar no futuro”, afirmou Erlendur Svavarsson.

Em relação a futuros investimentos na plataforma da TACV localizada no aeroporto internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, os islandeses indicam que o investimento e desenvolvimento fica a cargo do Governo de Ulisses Correia e Silva, pois os aeroportos são detidos pelo Estado cabo-verdiano.

A Loftleidir Icelandir garante que a base da TACV vai ser no Amílcar Cabral no Sal. “Nenhum outro aeroporto em Cabo Verde vai ser usado para voos de ligação da Cabo Verde Airlines”.

Na quarta-feira, 13 de março, já depois da Loftleidir ter respondido às perguntas do JE, o primeiro-ministro cabo-verdiano anunciou que o Governo da Praia pretende avançar com a concessão dos aeroportos cabo-verdianos a privados ainda este ano.

“A concessão dos aeroportos vai aumentar o fluxo de passageiros e de tráfego, o negócio da concessão é mesmo esse”, declarou Ulisses Correia e Silva numa visita à Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), citado pela agência Lusa. O Executivo cabo-verdiano também pretende desenvolver o aeroporto internacional Amílcar Cabral na ilha do Sal, precisamente onde vai ficar instalado a plataforma de ligações aéreas da TACV.

 

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O governo cabo-verdiano e a Loftleidir Cabo Verde assinaram, sexta-feira, o acordo, sendo que o valor a ser pago por aquela subsidiária da Loftleidir Incelandic pelos 51% do capital da TACV é de 1,3 milhões de euros.

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Segundo o contrato assinado, “o parceiro estratégico não poderá alienar as suas ações durante um período de cinco anos, tendo para tal de ter autorização do Governo”.

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Venda de 51% da Cabo Verde Airlines à islandesa foi acordada esta sexta-feira. Valores do negócio não foram divulgados. A Loftleidir Cabo Verde vai manter as rotas da Cabo Verde Airlines mas quer mais destinos.

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“Estamos a falar de um projeto que tem alguns anos e que vai precisar de muitas adaptações, até termos uma infraestrutura que, em termos operacionais, económicos e financeiros, possa ser um negócio viável”, disse Jorge Benchimol.

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A concessão acontecerá mediante escolha de “parceiro estratégico”, o que “pode acontecer ainda este ano”, segundo o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva.
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