Como tem corrido o regresso às aulas na Europa?

Alunos já regressaram às aulas na Alemanha, França e Noruega, países que podem servir de exemplo para Portugal, cujo regresso aos estabelecimentos de ensino decorre entre os dias 14 e 17 de setembro.

Aos poucos os países europeus retomam a normal atividade da suas economias e isso passa também pela reabertura das escolas, que já aconteceu em países como a Alemanha, a França e a Noruega, algo que se tem revelado um desafio tendo em conta o surgimento de surtos de Covid-19.

Em Portugal os alunos voltam às aulas entre 14 e 17 de setembro, na Grécia e Itália o regresso aos estabelecimentos de ensino decorrem igualmente a 14 de setembro. A vizinha Espanha escolheu esta sexta-feira para o começo das aulas, mas apenas em algumas regiões. Ainda não se sabe o impacto que a abertura destes estabelecimentos poderá ter, mas os países que avançaram com este processo podem servir como referência.

Alemanha

A 7 de agosto, 152.700 alunos voltaram a 563 escolas alemãs pela primeira vez desde que a pandemia motivou o confinamento no final de março. O regresso foi diferente daquilo a que os alunos estavam habituados, sendo que foram divididos em grupos, e o mesmo aconteceu com os professores. O objetivo deste modelo é evitar que todo o corpo docente fique em quarentena em caso de surgir um surto, segundo a revista “Time”.

Além da criação dos grupos, as salas de aula foram reconfiguradas para permitir distanciamento social e melhor ventilação. Os alunos têm de usar máscara nos corredores e ao entrar nas salas de aula e só podem retirá-la quando estão sentados nos seus respetivos lugares. Foi ainda aconselhado aos mais novos que não tocassem nos corrimões e que lavassem as mãos com regularidade.

Em Berlim, um dos primeiros locais a reabrir escolas no país, pelo menos 42 escolas das 825 que voltaram a dar aulas relataram casos de coronavírus nas primeiras duas semanas. Centenas de alunos e professores foram colocados em quarentena. Apesar do número de casos que surgiram, não ocorreu o surgimento de um grande surto e a Alemanha prevê manter os estabelecimentos de ensino em funcionamento.

França

O cenário francês tem sido ligeiramente diferente do alemão. Na França, 12 milhões de alunos regressaram às escolas nesta terça-feira, 1 de setembro, apesar da preocupação de alguns pais e sindicatos de que a reabertura dos estabelecimentos poderia aumentar a disseminação do vírus. Para manter a segurança, o governo francês decretou obrigatoriedade do uso de máscara nas escolas para alunos com 11 anos ou mais.

Três dias depois da reabertura, 22 escolas foram fechadas em França e na ilha francesa da Reunião, devido ao coronavírus, segundo a Sky News. Foram contabilizados mais de sete mil novas infeções num período de 24 horas, pela segunda vez em dois dias, após as férias de verão – a taxa diária mais alta da Europa.

Embora as escolas tenham fechado e o número de casos tenha disparado o ministro da Educação francês, Jean-Michel Blanquer, continua a defender a abertura dos estabelecimentos de ensino. “Devemos estar vigilantes, mas não esquecer os imperativos educacionais e sociais, nem nos desviarmos dos nossos dois objetivos: melhorar o nível educacional de cada criança e reduzir as desigualdades”, apontou Blanquer.

Noruega

A Noruega foi um dos primeiros países da Europa a reabrir suas escolas em abril, de forma gradual e com restritos protocolos de distanciamento social em vigor. Em maio, surgiu um modelo nacional de ‘semáforo’ que foi introduzido para orientar as escolas sobre as medidas a seguir em caso de surgirem infeções

Neste modelo, uma luz ‘verde’ indica que as escolas podem funcionar de acordo com o horário normal, enquanto uma luz ‘vermelha’ significa que as escolas devem limitar o tamanho das turmas e alterar os seus horários de acordo com o tamanho do surto.

Desde 2 de junho, o modelo do semáforo da Noruega está em amarelo, o que significa que as escolas devem tomar medidas para reduzir o contato físico e ter maiores cuidados de higiene.

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