Consolidação das engenharias é tendência no ensino superior

Os cursos de Engenharia lideraram as notas de entrada no ano passado e cresceram em número de alunos. Acredita-se que este ano não será muito diferente.

O concurso nacional de acesso de 2017/2018 foi dominado pela Engenharia. O número de alunos subiu 11% e cinco cursos figuraram no top 10 das notas mais elevadas.

Engenharia Aeroespacial, do Técnico, repetiu pelo segundo ano consecutivo o lugar de curso com média de entrada mais elevada na universidade: 18,80 valores teve o último aluno colocado na primeira fase do concurso nacional de acesso, via de entrada no ensino superior público. Seguiram-se Engenharia Física e Tecnológica, também do Instituto Superior Técnico, e Engenharia e Gestão Industrial, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a uns ‘pozinhos’ de distância.

O excelente desempenho das engenharias não se limitou a arrebatar os primeiros lugares das médias mais altas. Com efeito, o número de alunos que escolheu estudar este ramo do saber aumentou consideravelmente face ao ano letivo anterior. Foram quase mais de mil alunos. O número cresceu de 8.301, em 2016, para 9.235, em 2017/2018, o que se traduziu numa subida de 11%.

Ao Jornal Económico, o Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Mineiro Aires, fez, na ocasião, a leitura dos resultados: “Os jovens deixaram de ter medo da Matemática e da Física, há o entendimento de que o futuro passa por determinadas áreas da Engenharia e começaram a dedicar-se a elas.”

Num mundo tecnológico em que as engenharias se assumem como o motor em várias frentes, “é bom” para todos que este salto se esteja, finalmente, a dar, justifica Carlos Mineiro Aires: “Sem engenharias nunca haverá desenvolvimento nem crescimento, é bom para as famílias, que não vêem os seus filhos partir e é bom para a Ordem, que tem o resultado do que sempre defendemos – que é fundamental o país apostar na educação e na formação de engenheiros.”

Além dos já referidos, o top 10 dos cursos com notas mais altas do concurso nacional de acesso de 2017/2018 regista mais dois cursos ligados às engenharias: Bioengenharia, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), em quinto, e Engenharia Biomédica, do Instituto Superior Técnico de Lisboa, em nono. Há ainda a assinalar que nas cinco instituições de ensino que registam as notas mínimas de entrada mais elevadas do país – Universidade do Porto, Universidade do Minho, Universidade de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa e Instituto Politécnico do Porto –, os graus de preenchimento de vagas situaram-se acima dos 98%. Em dois destes casos – UMinho e Nova -, a cobertura foi plena.

“Portugal tem meios, escolas e capacidades únicas, temos apetência para a tecnologia e para estes cursos. Os estudantes aperceberam-se disso e os resultados estão aí”, congratula-se o Bastonário da Ordem dos Engenheiros.

O concurso do ano passado colocou 46.544 estudantes no ensino superior público, 59% dos quais no ensino universitário e 41% no ensino politécnico. No que diz respeito às áreas de formação, as engenharias e técnicas afins, Saúde e Ciências Empresariais lideraram no número de colocações. As Artes e Ciências do Comportamento registaram igualmente mais de três mil estudantes colocados cada. Em contrapartida, Agricultura, Silvicultura e Pescas, Serviços de Segurança e Indústrias Transformadoras foram as áreas de estudo menos apelativas para os estudantes no concurso do ano passado.

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