Consumo: como as lojas de moda sofreram com a crise

A combinação da “guerra” de descontos e a queda no consumo, desde o início da crise mundial, está a ter impacto nas cadeias de moda. O jornal Expansión aponta a Blanco como um exemplo das cadeias que mais sofreu com este impacto.

Já não é preciso aguardar ansiosamente por aquelas duas alturas do ano em que a loja com o produto desejado coloca a etiqueta “Saldos”. Hoje, proliferam as promoções e a maioria do comércio vive verdadeiras “guerras” de descontos. Contudo, a combinação desta política – que tanto jeito dá ao bolso do consumidor – de queda das vendas, fruto da crise, está a ter consequências nas lojas de moda.

O jornal Expansión aponta a Blanco como um exemplo das cadeias que mais sofreu com este impacto. A empresa que nasceu nos anos 70 está com graves dificuldades financeiras, segundo o jornal espanhol, e fechou 102 lojas em Espanha. Em 2014, já tinha sofrido um reforço de capital pelo grupo Alhokair Arábia, mas também aqui fechou a sua loja no Chiado.

A empresa galega Caramelo, detida pelo grupo Inveravante, também fechou portas, deixando 169 trabalhadores espanhóis desempregados. A Promod é outro exemplo da diminuição dos lucros das cadeias de pronto-a-vestir. O grupo francês encerrou quase metade das lojas em Espanha e rescindiu contrato com 132 dos seus 400 trabalhadores em território espanhol.

A C&A seguiu-lhe o caminho e anunciou o encerramento de 23 das 106 lojas que detém em Espanha e o despedimento de 300 trabalhadores.

Estas empresas têm em comum “uma expansão muito agressiva nos anos antes da crise, não previram (como quase todos) nem a duração nem a profundidade da crise e não têm a agilidade para mudar e adaptar-se às novas necessidades dos consumidores”, comentou o presidente da associação do comércio têxtil espanhol, Eduardo Zamácola, citado pelo Expansión. 

Zamácola defende, contudo, que existem empresas que encontraram “um nicho que lhes tem sido muito rentável, sem ter que entrar na guerra de ‘low cost'”. 

A crise tem penalizado o consumo e num setor como a moda “o consumo é fundamental”, considera o presidente da indústria patronal têxtil, Ánge Asensio, que considera ter sido a estratégia de “guerra de descontos”, utilizada por algumas cadeias, a responsável pela diminuição das margens de rentabilidade do setor.

Em sentido oposto caminha o grupo Inditex (que aglomera entre outras cadeias, a Zara, Massimo Dutti e Stradivarius) e a irlandesa Primark.

O grupo de Amancio Ortega anunciou o reforço da aposta na moda masculina, com a linha Stradivarius Man. A estratégia do grupo passa pela distribuição em 32 lojas físicas de 17 países diferentes e a disponibilização para compras online em 22 países.

(Actualizada)

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