Continente investe mais de um milhão de euros e abre supermercado sem caixas nem filas

A experiência de compra à moda da Amazon Go é possível graças a 230 câmaras, 400 sensores e tecnologia (‘machine vision’) da startup portuguesa Sensei. O estabelecimento comercial situa-se em Lisboa e abre portas ao público esta quarta-feira à tarde.

Duas senhoras aproximam-se da porta do supermercado, ainda entreaberta: “Quando é que abre?”, perguntam aos trabalhadores que ultimam as obras para a inauguração dali a dois dias. “Na quarta-feira à tarde”, respondem-lhes, entre escadotes. A curiosidade perante aquela que é a primeira ‘loja do futuro’ em Portugal aumenta, mas o Continente dá amanhã um passo rumo ao retalho de vanguarda ao inaugurar um supermercado sem caixas nem scanning de produtos, e portanto, sem filas.

O cliente só precisa de entrar, escolher e sair. Ou seja, é uma experiência de compra à moda da Amazon Go nos Estados Unidos ou Reino Unido – que é possível graças a 230 câmaras, sensores e um sistema tecnológico robusto desenvolvido pela startup portuguesa Sensei. O Jornal Económico (JE) foi conhecer o espaço comercial, na zona do Saldanha, em Lisboa, e pode garantir que não se entra num filme de ficção científica (a menos que olhe para o teto).

“É uma loja viva, um laboratório de experimentação com os clientes, onde vamos trazer os nossos clientes do dia a dia – quem quer comprar no Continente – para experimentarem connosco novos desenvolvimentos tecnológicos, de produto, de gama e nos darem – quer através do seu comportamento quer através de feedback – informação sobre até que ponto as alterações que estamos a introduzir estão a contribuir para melhorar a sua experiência”, começa por explicar Frederico Santos, diretor de Inovação e Transformação Digital do Continente, ao JE.

A marca do grupo Sonae MC está a trabalhar há cerca de dois anos com a Sensei para criar esta “loja autónoma” (100% cashierless), que se assemelha a outra qualquer do grupo, dado que a Continente Labs tem à venda mais de mil produtos, incluindo frescos, como frutas e legumes, carne, peixe, produtos de higiene e limpeza, entre outro. Os clientes podem levar os seus sacos ou comprar com os que estão à venda.

“A Sensei desenvolveu todo o sistema que permite a identificação dos produtos. Na prática, como funciona? O cliente entra e é identificado – temos de saber porque o cartão de crédito é usado para pagar e será emitida fatura – mas a Sensei não sabe. Os dados são do Continente. Depois, a tecnologia apenas acompanha o cliente pelo local em que se encontra, a posição que ocupa e a cor que veste. Não há reconhecimento facial”, esclarece o responsável de Inovação.

O investimento foi superior a um milhão de euros. A empresa garante que a tecnologia está preparada para perceber se as embalagens nas quais os consumidores pegam são as mesmas que coloca no saco (logo, deteta se apenas agarrou num pacote de bolachas e voltou a colocá-lo na prateleira), a fim de não serem cobrados extraordinariamente, mas para acautelar situações desconfortáveis aconselha-se a que, se for às compras acompanhado, cada um pegue nos seus itens – esse alerta é aliás dado na app.

“O cliente pode tirar da prateleira e se mudar de ideias devolver, pode tirar de uma e pôr noutra. Não há problema nenhum. Na máquina das bebidas quentes, o procedimento é o mesmo: tira o café ou um chocolate quente normalmente. E se precisarem de ajuda há colaboradores aqui”, assegura Frederico Santos.

A loja Continente Labs está aberta todos os dias das 12h00 às 21h00, tem uma área de venda de 150m2 e seis pessoas a trabalhar no local. Perante as restrições da Covid-19, apenas são permitidas sete clientes no estabelecimento.

Em entrevista ao JE, o diretor de Inovação e Transformação Digital do Continente descarta qualquer “empurrão” da pandemia neste projeto, que teve início em 2019 e está em constante processo de melhoria. Por exemplo, ainda não é possível comprar fruta à unidade, pois o sistema necessita que esses bens alimentares estejam em embalagens com diferentes cores. “Não gosto de ter a fruta embalada. Temos de ter, porque, temporariamente, temos de adaptar isso à tecnologia. Durante umas semanas ou uns meses ainda vai ser preciso”, diz ao JE.

Questionado sobre a adesão e replicação deste laboratório de consumo, Frederico Santos afirma que não tem dúvidas de que este conceito fará parte do futuro, mesmo que não seja exatamente nos mesmos moldes. “Sabemos que haverá gente a achar um piadão, a querer experimentar o conceito e a gostar. Também sabemos que há pessoas que não estão à vontade com a aplicação e o cartão de crédito. Penso que teremos uma loja média em termos de volume”, refere.

Como se vai às compras na loja Continente Labs?

  • Instalar a aplicação móvel Continente Labs (nota: é necessário registar-se na app tradicional do Continente, ainda que não seja preciso tê-la instalada depois), que está disponível gratuitamente para sistemas Android e iOS
  • Passar o QR code que lhe for apresentado no pórtico de entrada do supermercado (torniquete)
  • Fazer as compras
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