Contração comercial chinesa e fraca criação de emprego nos EUA arrastam Wall Street para perdas

Em fevereiro, foram criados 20 mil novos postos de trabalho na economia norte-americana, abaixo das expectativas. Exportações e importações chinesas contraíram.

Reuters

Os três principais índices da bolsa de Nova Iorque abriram em terreno negativo esta sexta-feira. Em fevereiro, foram criados menos postos de trabalho do que esperado nos Estados Unidos, pesando no sentimento dos investidores.

Esta sexta-feira, na abertura da sessão, o S&P 500 cedia 0,83%, para 2.726,23 pontos; o tecnológico Nasdaq perdia 1,20%, para 7.026,88 pontos; e o industrial Dow Jones recuava 0,49%, para 25.347,38 pontos.

Em fevereiro, foram criados 20 mil novos postos de trabalho na economia norte-americana, abaixo das expectativas, registando o pior desempenho desde de setembro de 2017.

À agência Reuters, Pault Nolte gestor de portfólios de investimento da Kingsview Asset Management, uma consultora de Chicaco, disse que “estes números fracos indicam que estamos sofrer lado a lado à economia mundial, que está a ter impacto nos EUA”.

No entanto, o desemprego nos EUA caiu 4% e registou-se ainda o maior incremento da taxa anualizada do aumento dos salários desde 2009.

No contexto da economia mundial, destaque para a queda de 20,7% das exportações chinesas em fevereiro, em termos homólogos. Foi a maior queda das exportações em três anos.

As importações chinesas também caíram pelo terceiro mês consecutivo, motivando alarmes a propósito de uma “recessão comercial”, apesar das medidas de incentivo à economia chinesa anunciadas recentemente pelo partido comunista chinês.

A contração do comércio chinês soma ao corte do crescimento da economia da União Europeia, anunciada ontem pelo Banco Central Europeu.

O banco central espera agora que a economia da moeda única cresça 1,1% este ano (face aos 1,7% que esperava em dezembro) e 1,6% em 2020, o que também compara com a anterior previsão de 1,7%, afirmou o presidente do BCE, Mario Draghi.

Para 2021, a projeção é de um crescimento de 1,5%.

BCE afunda euro e penaliza Wall Street

No que diz respeito às negociações comerciais entre os EUA e a China, o jornal norte-americano Wall Street Journal noticia que o embaixador norte-americano na China disse que os dois lados ainda não acordaram numa data para realizarem uma cimeira onde pudessem resolver a guerra comercial. O embaixador disse ainda que nem os EUA, nem a China consideram que o acordo esteja iminente.

As cotadas norte-americanas com forte exposição ao mercado chinês estão em queda. A Boeing, construtora de aviões, é a maior exportadora norte-americana para a China e está a recuar 0,75%. Também a Caterpillar está numa trajetória negativa, perdendo 1,21%.

A Apple, que reduziu o preço dos iPhones no mercado chinês por causa da fraca procura do maior mercado do mundo de smartphones, cede 0,88%.

As outras tecnológicas estão a ter um desempenho idêntico à Apple: a  Facebook  caí 0,80%; a Amazon perde 1,47%; a Netflix tomba 1,96%; e a Alphabet, dona da Google, recua 0,69%.

Fora das FAANG, a Microsoft desvaloriza 1,77%.

Nas matérias-primas, o preço do petróleo está a desvalorizar na Europa e nos EUA. Em Londres, o Brent, referência para o mercado europeu, recua quase 3%, para 64,35 dólares. Do outro lado do Atlântico, o West Texas Intermediate caí 3,14%, para 54,88 dólares.

 

 

Ler mais
Relacionadas

Bolsas mundiais pressionadas com cortes nas previsões de crescimento

O abrandamento da economia e à possível e quebra dos lucros das empresas, o mercado foca-se na concretização de um acordo comercial.

BCE afunda euro e penaliza Wall Street

Como é que uma reunião do BCE, em que boa parte das informações já eram antecipadas, acaba com um pessimismo geral que arrastou ontem o euro para uma queda acentuada e as principais praças mundiais para o vermelho? Bom, muito provavelmente pela conjugação das informações, nomeadamente o sentimento remanescente após as declarações de Mario Draghi […]
Recomendadas

Wall Street sem tendência definida depois de Fed manter taxas de juro inalteradas

Na frente empresarial, destaque para as quedas da FedEx (-6,5%) depois de ter emitido um profit warning por se estar a ressentir do arrefecimento da economia mundial. A Reserva Federal norte-americana anunciou que não vai aumentar as taxas de juro em 2019

Reserva Federal vai abrandar redução do balanço a partir de maio

O Federal Open Market Committee (FOMC) anunciou, no final da reunião de dois dias esta quarta-feira, que pretende “abrandar a redução do seu ‘stock’ de ativos do Tesouro ao reduzir o limite das amortizações mensais do atual nível de 30 mil milhões de dólares para 15 mil milhões a partir de maio de 2019”.

‘Dot plot’: Mais de dois terços dos membros da Fed não vêem mais subidas nos juros este ano

De acordo com o ‘dot plot’, diagrama que ilustra o nível em que os membros vêem essa taxa no final do ano, 11 dos 16 decisores acredita que a ‘federal funds rate’ irá continuar no intervalo dos 2,25% a 2,50% até 2020.
Comentários