Coronavirus: The show must go on!

Em suma, ao nível da taxa de mortalidade, o novo Coronavirus não apresenta um perfil muito distante da gripe sazonal normal, que todos nós já apanhamos e que, com toda a probabilidade, vamos voltar a apanhar no futuro.

Vivemos num mundo tomado de assalto pelo recente surto do Coronavirus, que lançou as bolsas de valores mundiais num frenesim, originando a maior perda de pontos da história do Dow Jones num só dia (maior inclusive do que nas crises financeiras de 1929 e 2018), levou a que milhões de pessoas se fechassem nas suas casas e pessoas e empresas cancelassem toda e qualquer viagem não fundamental e motivou a Lufthansa a decidir parar 150 dos seus aviões de médio e longo curso fruto da diminuição do tráfego aéreo.

Obviamente que não sendo um especialista na área da saúde, não me cabe a mim opinar do ponto de vista técnico sobre este tema, mas julgo que é importante enquadrar este novo surto com os factos que são consensuais até ao momento.

O primeiro ponto a apontar é que não é a primeira vez na história da humanidade que enfrentamos um surto pandémico de dimensão substancial, na verdade e se formos a ver bem, lidamos com as pandemias a uma regularidade cada vez mais frequente, sendo múltiplas as pandemias e surtos que já foram controladas e geridas, tais como: a Gripe das aves em 2005, a Pandemia de Gripe Suína / Gripe A em 2009, ambas a uma escala global, mas também surtos e pandemias que se generalizaram a uma escala local ou regional mais circunscrita como o maior surto de Ébola de sempre no Uganda de 2018-2020, a Febre de Rift Valley que afectou a Arábia Saudita e o Yémen em 2000, a Leishmaniose cutânea no Paquistão em 2019, o surto de Ébola Hemorrágica no Gabão e Congo, assim como a febre amarela na Costa de Marfim entre muitas outras. Ou seja, embora estes surtos tenham características diferentes e acima de tudo formas e velocidades de contágio diferentes, a verdade é que a contenção de surtos e pandemias é algo muito mais regular do que possa parecer à primeira vista.

Por outro lado, existe a questão da mortalidade dos surtos…. Ora, é relativamente consensual que o Coronavirus é um surto que apresenta um potencial de contágio muitíssimo superior aos demais, na medida em que qualquer humano que seja portador do vírus pode facilmente contaminar outros humanos, quando, por contraposição, a gripe das aves transmitia-se por contacto com aves infectadas, o que criava um universo de contágio muito mais reduzido. Mas é importante não esquecer que existem igualmente diferenças brutais nas taxas de mortalidade entre os dois surtos, uma vez que a gripe das aves apresentava uma taxa de mortalidade de cerca de 60% enquanto que a taxa de mortalidade dos Coronavirus é de cerca de 2% e incidindo especialmente sobre pessoas idosas e com outras patologias associadas, como doenças cardiovasculares, diabetes ou doenças respiratórias crónicas. Em suma, ao nível da taxa de mortalidade, o novo Coronavirus não apresenta um perfil muito distante da gripe sazonal normal, que todos nós já apanhamos e que, com toda a probabilidade, vamos voltar a apanhar no futuro.

Por último, é importante não esquecer que em momento nenhum na história a humanidade esteve tão bem preparada para lidar com surtos e epidemias a nível global, sendo incríveis os avanços farmacêuticos e tecnológicos que se fizeram nos últimos 20 anos.

Em suma, devemos estar preocupados com o Coronavirus, sim, especialmente as franjas da população mais idosa e/ou com patologias associadas deve tomar medidas de prevenção muito substanciais, mas é importante não perdermos todos a noção que o Mundo não deixou de rodar, pelo que, como dizem os norte-americanos “the show must go on”.

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