Correios britânicos estão a investigar “com urgência” devoluções de votos postais portugueses

Um porta-voz do Royal Mail confirmou a existência de “alguns casos” em que os envelopes que contêm o voto postal para os cidadãos portugueses que vivem no Reino Unido não estão a ser reconhecidos pelos sistemas de processamento da empresa.

Pedro Nunes/Reuters

Os correios britânicos estão a investigar “com urgência” a razão pela qual os envelopes com os votos postais dos portugueses residentes no estrangeiro estão a ser devolvidos aos remetentes, informou hoje uma fonte oficial à agência Lusa.

Um porta-voz do Royal Mail confirmou a existência de “alguns casos” em que os envelopes que contêm o voto postal para os cidadãos portugueses que vivem no Reino Unido não estão a ser reconhecidos pelos sistemas de processamento da empresa.

“Estamos a investigar com urgência por é que isto está a acontecer”, adiantou a mesma fonte, acrescentando estar a trabalhar com os CTT – Correios de Portugal para resolver o problema.

Vários representantes da comunidade portuguesa alertaram na quinta-feira, em declarações à Lusa, para dezenas de casos de eleitores residentes no Reino Unido que receberam de volta os envelopes com os boletins de voto para as eleições legislativas de 06 de outubro, que tinham colocado no correio dias antes.

Segundo Pedro Xavier, proprietário de um escritório de serviços de apoio à comunidade, e presidente da secção do PSD no Reino Unido, disse que até quinta-feira de manhã já tinha tido conhecimento de 127 casos.

O conselheiro das comunidades portuguesas António Cunha, e um dos diretores do Centro Comunitário Português, Artur Domingos, corroboraram a ocorrência, tendo identificado “dezenas de casos”, muitos dos quais comentados também nas redes sociais.

As autoridades portuguesas confirmaram a existência de “casos pontuais” de devoluções, as quais atribuíram a um erro de processamento dos correios britânicos, mas garantiram que a situação “já foi ultrapassada”.

“Com efeito verificou-se que em alguns postos de correio do Reino Unido não estava a ser reconhecido o porte pago, sendo as cartas endereçadas à Administração Eleitoral devolvidas ao eleitor”, adiantou a Administração Eleitoral da Secretaria Geral da Administração Interna (AESGAI), em informações prestadas à Lusa.

A mesma entidade adiantou que a situação foi “já ultrapassada na sequência da intervenção dos CTT e do Ministério dos Negócios Estrangeiros junto da empresa de correios do Reino Unido ‘Royal Mail'”.

A AESGAI garante que o formato do envelope de resposta respeita as normas internacionais dos correios e que a indicação do porte pago em língua francesa “cumpre as indicações internacionais, sendo esta a língua utilizada comum e universal a todas as empresas de correios”.

Nesse sentido, indicou que tem estado a receber sobrescritos com votos provenientes do Reino Unido.

Os boletins de voto por correspondência começaram a chegar aos eleitores no Reino Unido na semana passada e as devoluções registadas no início desta semana.

Pedro Xavier disse temer que este problema resulte em casos de abstenção, pois muitas pessoas “não estão para se chatear” e estarão a mandar os envelopes devolvidos “para o lixo”, receios partilhados por Artur Domingos.

Esta é a primeira vez em que foi dada aos emigrantes a opção entre o voto por correspondência e o voto presencial, sendo que, dos 1.466.750 eleitores registados, apenas 2.242 (0,15%) escolheram votar diretamente nas urnas, normalmente situadas nos consulados.

No ano passado também foi aprovado o recenseamento automático dos portugueses residentes no estrangeiro, que permitiu alargar o número de eleitores de cerca de 300 mil para 1,4 milhões.

Nas anteriores legislativas de 2015, o universo eleitoral era de 242.852 inscritos e votaram 28.354 eleitores (11,68%).

Na altura, o processo de voto postal dos portugueses no estrangeiro também ficou marcado por um lapso no endereço do destinatário, onde faltava a referência a Portugal, resultando em dificuldades na chegada dos envelopes à AESGAI.

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