Costa: Chumbo do descongelamento da carreira dos professores evita “crise orçamental”

Ameaça de demissão do Governo “foi muito importante para evitar” uma crise orçamental e serviu para “reforçar a credibilidade internacional de Portugal”, defendeu António Costa.

Carlos Barroso / Lusa

O primeiro-ministro considera que um eventual chumbo do descongelamento integral do tempo de carreira dos professores vai ser positivo para as contas do Estado. A medida vai ser votada no Parlamento amanhã, sexta-feira, 10 de maio.

“Se toda a gente votar amanhã como anunciou que votaria, o país, felizmente, terá evitado uma crise orçamental que poria gravemente em risco a sua credibilidade internacional”, disse António Costa esta quinta-feira, 9 de maio.

O primeiro-ministro destacou que o gesto do Governo português, em ameaçar com a demissão, “foi muito importante para evitar essa crise”, e que serviu para “reforçar a credibilidade internacional de Portugal”.

O primeiro-ministro António Costa encontra-se na cidade de Sibiu, na Roménia, para discutir o futuro da Europa que passa pela designação de novos responsáveis para cargos de topo da UE, como o presidente do Conselho Europeu, o Alto Representante da UE e o presidente da Comissão Europeia – funções desempenhadas por Donald Tusk, Federica Mogherini e Jean-Claude Juncker.

Em declarações aos jornalistas na Roménia, António Costa revelou que o dia vai ser ocupado “a discutir a proposta de agenda da estratégia para a Europa” e que para isso iria apresentar um conjunto de contribuições, nomeadamente na área da cidadania e democracia, com especial ênfase na defesa da igualdade de género, e nas regiões e poder local europeus que “são uma grande força subaproveitada”.

O primeiro-ministro garantiu ainda que é importante discutir a política de migrações, sendo “necessário criar canais legais de imigração” por ser esta “a forma efetiva de destruir as redes de traficantes”. Em relação à área económica e social, António Costa diz ser preciso reafirmar a zona económica monetária europeia, dando “prioridade à convergência e ao reforço de coesão”.

“Entendemos que é essencial desenvolver o pilar dos direitos sociais com a afirmação do trabalho digno, com as políticas do trabalho de formação ao longo da vida”, disse Costa. O primeiro-ministro explicou que se deve “dar um grande apoio às PME”, uma vez que estas são “a verdadeira espinha dorsal do tecido económico europeu”, sendo que este enfoque não aparece nas propostas do presidente Tusk.

Quando questionado sobre se poderia vir a exercer funções para a Europa, o chefe de Governo português disse que não era “candidato a nada” a não ser às funções que exerce atualmente como primeiro-ministro e secretário-geral do PS.

Assim, Costa voltou a lembrar que apresentou “uma agenda para a década” e que abandonar Portugal não faz parte dos seus planos, referindo ainda que as sondagens europeias “indicam uma subida do Partido Socialista ao longo dos últimos meses”.

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