Costa : Dois milhões de alunos em casa a partir de segunda-feira durante quatro semanas. Medida reavaliada a nove de abril

O primeiro-ministro anunciou hoje a decisão ao país depois de ter ouvido os líderes partidários ao longo do dia sobre a crise do coronavírus em Portugal. As escolas só poderão voltar a abrir, na melhor das hipóteses, no dia 13 de abril, depois da Páscoa.

Cristina Bernardo

Portugal conta com dois milhões de estudantes que a partir de segunda-feira vão ficar em casa devido ao surto de coronavírus em Portugal, que já conta com 78 casos confirmados, anunciou hoje o primeiro-ministro, terminado o Conselho de Ministros.

A medida vai vigorar a partir de segunda-feira durante quatro semanas. Conforme anteriormente previsto, duas semanas seriam de aulas e as outras duas seriam de férias de Páscoa.

O Governo vai avaliar a medida a nove de abril, uma quinta-feira, para decidir se as escolas voltam a abrir a dia 13 de abril, segunda-feira, um dia depois do Domingo de Páscoa.

“Esta é uma luta pela nossa própria sobrevivência. Estamos todos juntos nesta luta”, disse hoje António Costa aos portugueses a partir de São Bento.

“O primeiro dever de todos é protegermo-nos uns aos outros. É preciso um esforço coletivo para enfrentar esta pandemia, quer ao nível internacional, quer ao nível nacional”, afirmou o primeiro-ministro esta quinta-feira, 12 de março.

O primeiro-ministro elogiou a postura dos partidos políticos com assento parlamentar que foram hoje recebidos em São Bento. “Ouvi de todos sugestões para aperfeiçoamento de novas medidas de modo a que Conselho de Ministros possa dentro em breve adotar medidas. Senti por parte de todos os partidos políticos empenho e determinação comum em enfrentar em conjunto esta batalha”.

O primeiro-ministro decidiu assim em sentido contrário ao da recomendação do Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP) que defendeu que as escolas só devem ser fechadas se existirem casos suspeitos/confirmados de coronavírus entre a comunidade escolar.

António Costa explicou que a decisão de fechar escolas, contra a recomendação do CNSP, deveu-se a uma comunicação do Centro Europeu para Prevenção e Combate às Doenças (ECDC), que “emitiu um parecer onde recomenda o encerramento de ensino em todos os graus”.

“É muito provável que nas próximas semanas mais doentes sejam contaminados. Surto será mais duradouro do que se possa ter estimado inicialmente”, sublinhou o governante.

“É preciso desejar o melhor, mas estar preparados para pior”, afirmou António Costa.

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