Costa: “Hoje será o dia de solução para a TAP”. PM acredita em acordo com acionistas privados

O primeiro-ministro espera chegar a acordo com os acionistas privados, mas avançou que, se “for necessário”, o Estado está preparado para se impor.

António Pedro Santos / Lusa

António Costa espera que hoje seja encontrada uma solução para a TAP, acreditando que é possível chegar a acordo com os acionistas privados: Humberto Pedrosa e David Neeleman.

“A TAP está seguramente a caminho de ter uma solução estável que assegure a Portugal manter a sua companhia, que é fundamental para a nossa continuidade territorial, para a nossa ligação com o mundo”, começou por dizer o primeiro-ministro hoje em declarações na cidade fronteiriça de Elvas, distrito de Portalegre, numa cerimónia a marcar a reabertura das fronteiras com Espanha.

“Estou certo que, se não hoje, no limite nos próximos dias teremos uma solução final. Se tivesse de apostar diria que hoje será o dia de solução para a TAP”, afirmou em declarações transmitidas pela TVI 24.

“Espero que [a solução seja] negociada e por acordo com os nossos sócios privados e não propriamente um ato de imposição do Estado. Se for necessário, cá estaremos para isso, espero que não seja necessário”, apontou.

Questionado sobre o impasse nas negociações entre o acionista Estado e o acionista privado David Neeleman, conforme tem sido noticiado, o primeiro-ministro espera que as divergências negociais sejam ultrapassadas. “Não tive oportunidade de ter informações nas ultimas horas, mas creio que o problema será ultrapassado muito rapidamente”.

A SIC avançou na terça-feira que o Estado está a tentar comprar a posição de David Neeleman na TAP, onde conta com 22,5% do capital.

O Estado está disposto a pagar 40 milhões de euros, mas o empresário norte-americano só aceitar sair por 55 milhões de euros, de acordo com a SIC que avança que o outro acionista privado, Humberto Pedrosa (22,5% do capital) poderá reforçar a sua posição na companhia ao entrar com os 15 milhões de euros que faltam para fechar o negócio.

Se este cenário avançar, o Estado passa a deter 70% do capital, face aos atuais 50%, com o capital a passar a ficar maioritariamente nas mãos do Estado português.

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