Covid-19: APED defende venda dos autotestes nos super e hipermercados

O diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) defendeu, em entrevista à Lusa, a venda dos autotestes covid-19 nos supermercados e hipermercados, salientando que o setor quer estar “na parte da solução”.

José Coelho/Lusa

Gonçalo Lobo Xavier classificou de “muito importante” o facto de os autotestes covid-19 “já estarem a ser vendidos em farmácias e parafarmácias” e defendeu que, “à semelhança do que tem sido feito noutros países, se possa alargar a venda noutras áreas, concretamente de supermercados e hipermercados”.

O diretor-geral da APED sublinhou que a vida dos associados do retalho alimentar “é vender produtos essenciais”, recordando o seu papel na venda de equipamentos de proteção individual durante a pandemia, como máscaras, álcool gel, entre outros.

“Nenhum deles quer fazer negócio” com isso, “até porque há regras e há limites do ponto de vista do lucro” para equipamentos de proteção individual, destacou.

“No caso dos autotestes é a mesma coisa: nós queremos ajudar a disponibilizar à população mecanismos que sejam importantes para combater a pandemia”, sublinhou Gonçalo Lobo Xavier.

Na entrevista, o responsável lançou um apelo de que é “preciso valorizar a carreira no setor da distribuição”.

A distribuição alimentar, disse, “tem um processo de carreiras que deve ser valorizado, foram os nossos colaboradores que tiveram desde o princípio [da pandemia] na linha da frente, que asseguraram que nada faltava na vida dos portugueses do ponto de vista de bens essenciais, leia-se retalho alimentar”, prosseguiu.

“Mas há também as outras carreiras que devem ser valorizadas e que hoje têm que ser inventadas”, acrescentou.

“Nós percebemos todas as prioridades que são definidas em termos de vacinação de setores, dos setores das pessoas ligadas à saúde, sem dúvida, não nos queremos pôr, nem colocar em ‘bicos de pés’, mas queremos que olhem para nós como pessoas que estiveram e estão todos os dias na linha da frente e que merecem uma atenção especial”, sublinhou o responsável.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o aumento dos preços dos bens essenciais durante o primeiro ano da pandemia de covid-19 só começou a abrandar em dezembro do ano passado.

Instado a comentar o tema, o diretor-geral da APED salientou que “o aumento dos preços não reflete apenas, ou sobretudo não reflete um aumento da margem na distribuição alimentar”, considerando que “há vários mitos” que é preciso “desmistificar”.

Citou estudos do EuroCommerce que “indicam que as margens no retalho alimentar estão na ordem dos 2%, 3%, enquanto, por exemplo, na indústria de processados, de alimentação processada, as margens estão entre os 15% e os 30%, diferentes em função do produto”.

A isso acresce, no caso da produção agrícola, segundo o EuroCommerce, que “só cerca de 17%, 18% da produção agrícola europeia é comprada diretamente pela distribuição”, sendo o restante comprado pela indústria, apontou.

“Portanto, estamos aqui perante alguns dados que permitem ter uma leitura um bocadinho mais equilibrada de como se forma o preço que nós apresentamos finalmente ao nosso cliente”, afirmou.

“Os nossos associados do alimentar estão muito à vontade nesta matéria, na medida em que os preços refletem os preços de custo que estão associados quer à produção agrícola, que é diretamente comprada aos agricultores, quer a que é comprada à indústria”, disse o responsável da APED.

Por isso, “se houve aqui algum crescimento”, como referem os dados do INE, “são crescimentos residuais, mas que refletem também um aumento da procura e que tiveram que ser refletidos no preço final a entregar ao consumidor”, argumentou.

“Não se pense que este aumento de faturação é o reflexo do aumento dos preços finais ou sequer se isto representa um ganho da mesma proporção para o setor alimentar”, reforçou, apontando que devido à pandemia cada insígnia teve de realizar “um investimento brutal na ordem dos 2%, 3%” face ao orçamento para garantir a limpeza dos espaços, ter equipamentos de proteção individual, reestruturar lojas, para cumprir as regras de segurança e as recomendações da Direção-Geral de Saúde (DGS).

De acordo com o barómetro da APED, a faturação no retalho alimentar cresceu 8%, enquanto o retalho especializado registou uma queda de 15%, “valores que contribuem para o decréscimo total do setor de 1,5%”.

Gonçalo Lobo Xavier salientou que o crescimento da faturação dos associados “não foi por via do aumento dos preços”, apontando que o retalho é constantemente auditado e fiscalizado pelas autoridades, em concreto pela ASAE.

“E até agora não temos indicação de nenhuma contraordenação nesta matéria”, rematou.

Ler mais
Recomendadas

Depois da polémica com barragens, Governo anuncia investimentos de 90 milhões em Trás-os-Montes

O ministro do Ambiente anunciou investimentos – financiados pelo Orçamento do Estado, fundos europeus e Fundo Ambiental – para os 10 municípios transmontanos onde ficam localizadas as barragens vendidas pela EDP a um consórcio francês. Movimento Terras de Miranda tem exigido o pagamento de 110 milhões de euros por esta transação no valor de 2,2 mil milhões de euros.
Supremo Tribunal de Justiça

Supremo indemniza maquinista da MTS despedido após levar filha na cabina

Relação de Lisboa já tinha defendido que responsabilidades parentais do trabalhador divorciado se sobrepunham aos direitos da concessionária do metro de superfície em Almada e no Seixal. Segue-se cálculo do valor a pagar a quem foi despedido por nove faltas consideradas injustificadas.

20 maiores devedores do Novo Banco deixaram buraco de 1,26 mil milhões de euros

Prejuízo foi pago à entidade bancária pelos contribuintes com base no Acordo de Capitalização Contingente (ACC), entre 1 de julho de 2016 e o final de 2018.
Comentários