Covid-19: Fed vai comprar ativos “no montante necessário” para combater “dificuldades tremendas”

A instituição liderada por Jerome Powell sublinhou que a pandemia deverá causar “graves pertubações” na maior economia do mundo. Para manter o bom funcionamento dos mercados, disse que está disposto a comprar o que for necessário em ativos, quando há apenas oito dias tinha dito que ia adquirir no valor de pelo menos 700 mil milhões de dólares.

A Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos anunciou esta segunda-feira novas medidas de política monetária para ajudar a maior economia do mundo a suportar o “momento desafiante” provocado pelo novo coronavírus, incluindo a remoção dos limites que tinha estabelecido no volume de ativos que vai comprar para garantir a liquidez nos mercados.

“A Reserva Federal está comprometido em usar toda a sua gama de ferramentas para apoiar as famílias, as empresas e a economia dos EUA em geral neste momento desafiante”, disse, em comunicado. “A pandemia de coronavírus está a causar tremendas dificuldades nos Estados Unidos e no mundo”.

Adiantou que a primeira prioridade é cuidar das pessoas afetadas e limitar a propagação do vírus. “Embora permaneça grande incerteza, ficou claro que nossa economia vai enfrentar graves perturbações”, adiantou, explicando que “esforços agressivos devem ser empreendidos nos setores público e privado para limitar as perdas de empregos e rendimentos e promover uma rápida recuperação quando as interrupções diminuírem”.

Recordou que o papel da Fed é orientado pelo mandato para promover o emprego máximo e a estabilidade de preços estáveis, além de promover a estabilidade do sistema financeiro.

Para apoiar esses objetivos, a Fed anunciou que Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) irá comprar títulos do Tesouro e dívida hipotecária “nos montantes necessários para apoiar o bom funcionamento do mercado e a transmissão efetiva da política monetária para condições financeiras e económicas mais amplas”.

O FOMC anunciara a 15 de março que compraria pelo menos 500 mil milhões de dólares em títulos do Tesouro e pelo menos 200 mil milhões de dólares em dívida hipotecária.

“A Reserva Federal está a atirar tudo aos mercados financeiros – essencialmente o que é Quantitative Easing”, disse James Knightley, chief international economist do ING, numa nota de research. “Há uma série de outras medidas também, já que o Fed procura levar ordem a dias de caos. O medo é que, se não forem bem-sucedidas, as tensões exacerbarão o que já é uma situação económica desesperada”.

Os bancos centrais à volta do mundo têm anunciado cortes nas taxas de juro e programas de compra de ativos para tentar estabilizar os mercados. A Fed já cortou a federal funds rate duas vezes este mês num total de 150 pontos base (para um intervalo de 0% a 0,25%), o Banco Central Europeu anunciou na semana passada um pacto de compras num valor de 750 mil milhões de euros e o Banco de Inglaterra cortou na semana passada a taxa de juro directora em 15 pontos base para 0,1% e aumentou o programa de compra de ativos em 200 milhões de libras para 645 milhões.

Ainda assim, os mercados financeiros continuam voláteis e em rota descendente. Os principais índices bolsistas norte-americanos perderam já entre 25% e 32% este mês, enquanto na Europa quase todas as praças afundaram mais de 30% no mesmo período.

Entre as medidas anunciadas pela Fed esta segunda-feira estão novos programas para fornecer até 300 mil milhões de dólares em novos financiamentos para apoiar o fluxo de crédito para empregadores, consumidores e empreas,o estabelecimento de duas linhas de apoio ao crédito para grandes empregadores uma terceira versão do TALF (Term Asset Loan Securities Facility Facility) e facilitação do fluxo de crédito para os municípios, expandindo o Mecanismo de Liquidez dos Fundos Mútuos do Mercado Monetário (MMLF) para incluir uma gama mais ampla de valores mobiliários.

[Atualizada às 13h32]

Ler mais

Relacionadas

O “tudo que for necessário” 2.0 do BCE, versão Lagarde

‘Bazuca’ de 750 mil milhões do BCE inverteu subida dos juros da dívida de Portugal. O programa pode, contudo, fazer esgotar o stock de dívida de qualidade e criar procura por maior risco, avisam analistas.

Fed reage novamente ao coronavírus e corta taxa de juro em 100 pontos base, para intervalo entre 0% e 0,25%

Trata-se do segundo corte na ‘federal funds rate’ anunciado pelo banco central liderado por Jerome Powell este mês. “Os efeitos do coronavírus irão pesar na atividade económica a curto prazo e apresenta riscos ao outlook económico”, explicou a Fed. Há também mais compra de títulos, medidas para a banca e coordenação com outros bancos centrais.
Recomendadas

Governo tem 38 milhões para trabalhadores informais

Entre os requisitos para aceder ao apoio está “a vinculação ao sistema de proteção social durante 30 meses, findo o prazo de concessão do apoio (dezembro de 2020)”.

Exportações tombam 15,4% este ano e crescem 8,4% em 2021, segundo o Governo

A resolução do Conselho de Ministros que aprova o Programa de Estabilização Económica e Social foi publicada no sábado à noite no suplemento do Diário da República e inclui as previsões do Governo para 2020 e 2021 que não tinham sido apresentadas por António Costa.

Governo estima inflação com recuo de 0,2% em 2020 e aumento de 0,4% em 2021

A resolução do Conselho de Ministros que aprova o Programa de Estabilização Económica e Social foi publicada no sábado à noite no suplemento do Diário da República.
Comentários