PremiumCovid-19: O que esperar da vida depois das vacinas

Notícias animadoras nos ensaios clínicos das vacinas contra a Covid-19 trazem esperança de retoma económica, mas há razões para confinar o excesso de otimismo. Sendo a vacinação um processo de logística complicada e no qual demorará até haver imunidade de grupo, ninguém espera que o turismo volte tão cedo aos níveis pré-Covid. Certo está que o teletrabalho vai continuar a ser mais comum do que antes, mas as opiniões dividem-se quanto à cicatrização da crise.

Ter 95% de eficácia nos ensaios clínicos em curso pode muito bem ser o suficiente para alterar as regras do jogo da pandemia de Covid-19, até agora responsável por quase 1,4 milhões de mortes entre os mais de 56,9 milhões de infetados com o coronavírus SARS-CoV-2. O anúncio de que as vacinas que estão a ser desenvolvidas pela norte-americana Moderna e pela germânica BioNTech (em parceria com a Pfizer e a Fosun Pharma) ultrapassam essa fasquia de sucesso – após uma “revisão em alta” da BioNTech, que começou por invocar 90% – fez com que no mundo inteiro se vislumbrasse a luz ao fundo do túnel da maior crise de saúde pública deste século, associada a uma quebra na atividade económica que só não teve piores consequências graças a pacotes de estímulos económicos e programas de apoio social.

A perspetiva de regresso àquela normalidade que existia quando só alguns imunossuprimidos saíam à rua com máscara a cobrir o nariz e a boca, o teletrabalho era um fenómeno relativamente residual, ninguém tinha receio de viajar e os restaurantes e hotéis estavam cheios de turistas não demorou a animar os espíritos. Até porque a ministra da Saúde, Marta Temido, garantiu nesta quarta-feira que as primeiras doses das vacinas poderão ser distribuídas em Portugal a partir de janeiro, anunciando a criação de uma equipa de trabalho para gerir o processo. Mas deixando a ressalva de que, como tenderá a suceder em todo o mundo, serão destinadas num primeiro momento a profissionais de saúde e dos serviços essenciais e sociais, bem como à população em geral acima de uma certa idade e com morbilidades associadas.

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