COVID-19 – Pandemia Económica?

Efetivamente, vivem-se tempos difíceis, tanto ao nível sanitário, como aquilo que já me permito chamar de “pandemia económica”. Não gosto pessoalmente de alarmismos, mas aquilo que estamos a viver, nomeadamente ao nível das empresas, irá representar seguramente vários cenários, todos eles pouco motivadores.

Da última vez que escrevi neste fórum, longe estava eu de pensar aquilo que todos nós iríamos passar tão pouco tempo depois. Efetivamente, vivem-se tempos difíceis, tanto ao nível sanitário, como aquilo que já me permito chamar de “pandemia económica”. Não gosto pessoalmente de alarmismos, mas aquilo que estamos a viver, nomeadamente ao nível das empresas, irá representar seguramente vários cenários, todos eles pouco motivadores. Irá com certeza provocar o encerramento de empresas que já estavam com sérias dificuldades, irá criar sérias dificuldades a empresas que estavam saudáveis, e que por imposição do estado de emergência, foram obrigadas a fechar, irá criar dificuldades a empresas que não fecham, mas que vêm a sua capacidade de tesouraria seriamente afetada por toda a envolvente económica.

A grande questão associada a esta pandemia, é que ao contrário doutros fenómenos, neste, ninguém estará em condições de prever o verdadeiro impacto económico que esta situação irá conduzir a nossa economia regional, nacional, e internacional. As medidas anunciadas pelos Governos Nacionais e Regionais, indiciam a vários níveis, ajudas aos empresários através de linhas de crédito, que apesar da criação de um novo passivo nas empresas, apresentam condições que permitem ter acesso a liquidez para fazer face a diversas responsabilidades. Outro tipo de ajuda é o layoff simplificado, que vem permitir em condições específicas, mitigar em grande parte o custo salarial, repartindo o mesmo entre a Segurança Social, trabalhador e Empresa. Como em todos os regulamentos, existem questões que poderiam ir mais além. Nomeadamente a obrigatoriedade de algumas empresas que não fazem paragem total da atividade, terem que demonstrar uma redução significativa da faturação em relação a um período homólogo de 60 dias. Ora, na grande maioria dos casos, o comparativo dos últimos 60 dias com o homólogo, não revelará uma redução efetiva da atividade, na medida em que a crise pandémica começou há cerca de duas semanas. Por outro lado, foram igualmente lançadas medidas fiscais, que atenuam o esforço de tesouraria das empresas, remetendo para o 2º semestre, grande parte das tributações e das contribuições para a Segurança Social. Em suma, medidas existem, urge sim fazer chegar tesouraria às empresas, por forma a não colocar em causa a remuneração das pessoas, já a partir do mês de abril, sem que exista um estrangulamento financeiro com consequências dramáticas para as empresas.

Boa quarentena, fiquem em casa!

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