Covid-19: Ryanair vai reduzir capacidade em 80%, mas admite colocar toda a frota em terra

Outras medidas de combate à pandemia são o adiamento total de investimentos e recompra de ações, congelamento de recrutamento de pessoal e de outras despesas discricionárias, além de implementar uma série de opções de rescisões voluntárias, suspensões temporárias de contratos de trabalho, e uma significativa redução de horas de trabalho e de pagamentos.

Francois Lenoir / Reuters

A companhia aérea ‘low cost’ Ryanair vai reduzir a sua capacidade de oferta de lugares de passageiros em cerca de 80% durante os próximos meses de abril e de maio, anunciou há minuto a empresa.

Num comunicado em que explica as medidas urgentes que está a tomar para enfrentar o surto o coronavírus, A Ryanair sublinha que, “na passada semana, o alastramento do vírus Covid-19 e as restrições governamentais associadas, a maioria das quais sem notificação prévia, tiveram um impacto significativo e negativo nas calendarizações de todas as companhias aéreas do Grupo Ryanair.

“Nos últimos sete dias, Itália, Malta, Hungria, República Checa, Eslováquia, Áustria, Grécia, Marrocos, Espanha, Portugal, Dinamarca, Polónia, Noruega e Chipre impuseram restrições de voos em graus diversos, desde sobre todos de e para o país, ou proibição de voos para países com alto risco de infeção de Covid-19. No passado fim de semana, por exemplo, a Polónia e a Noruega proibiram todos os voos internacionais, enquanto noutros países (sem proibições de viagens) tem ocorrido uma acentuada redução de serviços de controlo de tráfego aéreo e de outros serviços aeroportuários”, assinala o comunicado da Ryanair.

Segundo esta nota informativa, “a Ryanair prevê que o resultado destas restrições seja o estacionamento em terra da maioria das sua frota de aeronaves por toda a Europa ao longo dos próximos sete a dez dias. Naqueles países em que a frota não está estacionada em terra, o distanciamento social tornam impraticável a experiência de voar, para qualquer intento e objetivo, se não mesmo impossível”.

“Todas as companhias aéreas do Grupo Ryanair estão a fazer tudo para combater o desafio colocado pelo surto do Covid-19, que na última semana causou restrições de viagens extraordinárias e sem precedentes impostas pelos governos nacionais, em alguns casos com mínima ou nenhuma notificação prévia”, destaca Michael O’Leary, CEO da Ryanair.

O mesmo responsável acrescenta que “estamos a comunicar com todos os passageiros afetados por ’email’ e por SMS, e estamos a organizar voos de resgate para repatriar clientes, mesmo naqueles países em que as restrições de voos foram impostas”.

“A nossa prioridade continua a ser a saúde e o bem estar da nossa população e dos nossos passageiros, e estamos a fazer tudo o que podemos para que possam reencontrar-se com os seus amigos e famílias ao longo destes tempos difíceis”, garante o CEO da Ryanair.

Michael O’Leary adianta também que “a Ryanair está a desencadear todas ações necessárias para cortar os custos operacionais, e melhorar os ‘cash flows’ das nossas companhias aéreas”.

“A Ryanair é um grupo de companhias aéreas resiliente, com um balanço financeiro muito forte e substancial liquidez de caixa, e nós podemos, e iremos, com ação a tempo e horas e adequada, sobreviver durante um período prolongado de reservas de voos reduzidas ou até mesmo, para que possamos estar adequadamente preparados para o regressos à normalidade, que deverão ocorrer mais cedo que tarde à medida que os governos da União Europeia estão a tomar medidas sem precedentes para restringir o alastramento do Covid-19”, destaca Michael O’Leary.

“Para abril e maio, a Ryanair espera agora reduzir a sua capacidade de lugares em cerca de 80%, e um total estacionamento da frota não está afastado. A Ryanair está a tomar ações imediatas para reduzir os custos operacionais e melhorar os ‘cash flows’. Isso implica o estacionamento em terra suplementar, adiamento total de investimentos e recompra de ações, congelamento de recrutamento de pessoal e de outras despesas discricionárias, além de implementar uma série de opções de rescisões voluntárias, suspensões temporárias de contratos de trabalho, e uma significativa redução de horas de trabalho e de pagamentos”, revelam os responsáveis da Ryanair.

O comunicado acrescenta que “estamos a trabalhar com o nosso pessoal e sindicatos através dos diversos países da União Europeia para enfrentar evento extraordinário e sem precedentes do Covid-19, cuja impacto e durtação e impossível de determinar neste momento”.

A companhia aérea assegura que o grupo “tem uma liquidez forte, com uma forte disponibilidade de caixa, equivalente a cerca de quatro mil milhões de euros a 12 de março”.

“O nosso foco neste momento é concretizar o máximo possível do programa de voos calendarizados como está a ser permitido pelos governos nacionais durante os próximos sete dias, de forma a que possamos repatriar clientes, onde for possível, mesmo que as restrições sejam impostas e que os serviços de controlo de tráfego aéreo e outros serviços aeroportuários essenciais sejam reduzidos”, adianta o referido comunicado.

Este documento da Ryanair assinala que “temos assistido a um declínio substancial nas reservas nas últimas duas semanas, e esperamos que assim continue num futuro previsível.

“Continuaremos a monitorizar a procura, assim como as restrições de voos governamentais, e continuaremos a fazer cortes suplementares aos planos de voos sempre que necessário”, assegura o mesmo comunicado.

 

Ler mais
Recomendadas

Parlamento anula transferência de 476,6 milhões do Fundo de Resolução para Novo Banco

O Orçamento de Estado acaba de aprovar a bandeira do Bloco de Esquerda de impedir a injeção do Fundo de Resolução dos 476,6 milhões de euros para o Novo Banco. Esta medida deixa o banco numa situação delicada para cumprir os compromissos de limpeza do balanço assumidos com Bruxelas.

AHRESP diz que Programa Apoiar pode não ser acessível a 58% do setor da restauração

A condição obrigatória que as entidades disponham de contabilidade organizada, é um requisito que pode impedir o acesso a 58% das empresas da restauração e bebidas, que são Empresários em Nome Individual (ENI), na sua esmagadora maioria inscritos no Regime Simplificado”, diz a Associação.

Mário Ferreira lança OPA sobre 70% da Media Capital. Paga 0,67 euros por ação

Na sequência de uma deliberação da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a Pluris Investments, de Mário Ferreira, lançou uma OPA obrigatória sobre a totalidade do capital que não controla na dona da TVI.
Comentários