CP vai injetar oito comboios recuperados na linha de Sintra até ao final de 2020

A inauguração da oficina da EMEF em Guifões, Matosinhos, para recuperação e manutenção de comboios, está prevista para 15 de janeiro do próximo ano. Centro Tecnológico da Ferrovia virá depois.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

A CP vai injetar oito comboios recuperados ao funcionamento na linha de Sintra até ao final de 2020, garantiu hoje, dia 12 de dezembro, Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, na 4ª edição das palestras ‘Mobilidade – Tendências, Desafios, Realidades’, uma iniciativa conjunta da ‘Transportes em Revista’ e da SRS Advogados, que decorreu em Lisboa.

O governante destacou que esses comboios que vão ser colocados ao serviço da CP na linha de Sintra são comboios da transportadora ferroviária nacional que estavam inoperacionais.

“O mais importante é que estamos a fazer a identificação do material circulante encostado pela CP, a maioria material elétrico, que é usado em países como a Suíça, que tem a melhor rede e o melhor serviço ferroviário do Mundo”, destacou o ministro das Infraestruturas.

“Vamos abrir uma nova oficina da EMEF em Guifões, Matosinhos, a 15 de janeiro próximo. Já temos locomotivas recuperadas. Vamos injetar novo material ferroviário na linha de Sintra. Até dezembro de 2020, prevemos injetar oito novos comboios na linha de Sintra. Já agora, que estamos a fazer este grande investimento na rede ferroviária, esta é uma oportunidade para desenvolver a indústria, a economia nacional, se não quisermos que o país fique limitado às atividades que desenvolve atualmente”, defendeu Pedro Nuno Santos.

No entender deste governante, “temos todas as competências industriais em Portugal parta desenvolver esta indústria.

“Perdemos a Sorefame, infelizmente, mas já fazemos, a EMEF já faz comboios em Portugal. Há comboios a circular em Portugal em que só ficou a caixa, o resto foi tudo construído pela EMEF. A indústria ferroviária está em crescimento em todo o mundo, com elevadas margens de crescimento. Temos de fazer parte desta grande indústria que fabrica comboios. Temos capacidades, competência industriais na ferrovia, que começa por este projeto de recuperação do material circulante da CP”, adiantou o ministro.

Pedro Nuno Santos anunciou ainda que está também prevista, a breve prazo, a criação do Centro Tecnológico da Ferrovia, também em Matosinhos, perto da unidade da EMEF em Guifões.

“Isto não é o Estado fazer comboios, é o estado ser agregador, organizador de empresas públicas, do setor privado e da academia. O Metro do Porto já está associado a esta iniciativa, esperemos que brevemente se junte o Metro de Lisboa, porque as sinergias são muitas”, projetou o ministro das Infraestruturas.

Enquanto que o problema da linha de Sintra é de material circulante, na linha de Cascais são dois, o material circulante e de linha ferroviária.

“A linha de Cascais está aberta porque se entende que garante as condições de segurança. Quando isso não ocorrer, teremos de a fechar. Já temos o investimento aprovado para fazer a renovação ferroviária da linha. A IP já tem a dotação para fazer o investimento na infraestrutura da linha de Cascais. Mas, neste momento, não tenho verba para fazer esse investimento no material circulante. Estamos a trabalhar para isso”, revelou Pedro Nuno Santos.

O governante sublinhou ainda que, com o PART – Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes, introduzido este ano, “vamos, em 2019, registar um aumento de 40% no número de passageiros nos suburbanos da CP, o que agravou o problema da pressão nas nossas linhas suburbanas”.

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