Crescimento da economia portuguesa poderá cair até 17% este ano, estima Católica

O Católica Lisbon Forecasting Lab estimam uma recessão de 5% este ano num cenário otimista, que poderá subir para os 10% no cenário base e agravar-se no cenário pessimista. No caso extremo, crescimento da economia poderá recuar 20% no segundo semestre.

O Católica Lisbon Forecasting Lab (NECEP) projeta uma queda do PIB de 10% este ano, no cenário base, mas que num cenário mais adverso pode chegar aos 17%. Segundo as previsões do núcleo de economistas da Católica, publicados esta quarta-feira, o tombo no cenário pessimista está associado a uma contração em torno dos 20% da atividade económica no segundo trimestre.

“O NECEP mantém o cenário central, anunciado em março, de queda de 10% do PIB em 2020. Esta projeção resultou da construção de cenários que permitem quedas do PIB entre 5% e 17% este ano, pelo que o valor de 7% indicado no Orçamento do Estado Suplementar de 2020 parece otimista já que pressupõe um segundo semestre do ano bastante favorável”, refere a folha trimestral de conjuntura do organismo.

Os economistas da Católica calculam, no entanto, que no cenário pessimista a queda será de 17%, “estando associado a uma contração em torno dos 20% da atividade económica no segundo trimestre”, com a taxa de desemprego a ser superior a 10% caso este cenário, que compara com a de 9% no cenário anterior.

Já o cenário otimista aponta para uma uma queda de 5%, naquilo que consideram seria “um resultado benigno que exigiria uma queda amortecida no segundo trimestre, em torno dos 10%, seguida de uma forte recuperação até ao final do ano, com a taxa de desemprego a ficar-se em 7,6%”.

“Publicar estimativas do PIB trimestral em tempo real é ousado no atual contexto económico, pelo que o NECEP apresenta as suas estimativas de crescimento trimestral em dois cenários”, explicam.

Tendo como quadro o cenário base, estimam ainda que a economia portuguesa terá contraído 13% em cadeia no segundo trimestre, após um recuou de 3,8% no primeiro trimestre. “Este cenário é justificado por quedas menos acentuadas em alguns setores, como é o caso da construção, bem como pela recuperação já evidenciada pelo comércio a retalho e pelas operações através da rede Multibanco, se bem que parcial e ainda distante dos níveis observados no final do ano passado”, explicam.

Já no cenário alternativo, a recessão será de 20% no segundo semestre, devido à “proporção muito elevada da população ativa, cerca de 25%, que esteve ausente do posto de trabalho normal durante o segundo trimestre”.

“Este cenário é ainda sinalizado por alguns indicadores, como é o caso das vendas de veículos ou do número de dormidas em estabelecimentos turísticos”, acrescentam.

Dando nota de que a economia portuguesa deverá cair “de forma mais intensa” face à média da zona euro, apontam para uma “visibilidade é ainda diminuta” para os próximos dois anos.

“A análise do NECEP sugere que a economia portuguesa deverá permanecer abaixo do nível do PIB de 2019 no próximo ano, com um hiato próximo dos 8% no cenário central. No entanto, uma completa recuperação face a 2019 é possível num cenário otimista, bem como no horizonte de 2022 (+2,5%), com o cenário central a apontar para uma perda próxima dos 5% dois anos após o surgimento do surto pandémico”, explicam.

Realçam ainda que “mais importante que a dimensão da queda do PIB este ano é a dimensão da perda da atividade económica no último trimestre do ano”.

“Se esta for inferior a 5% face a 2019, não é de excluir uma recessão curta com rápida recuperação da normalidade em termos de atividade económica. Porém, se a queda for muito superior a 5% então a destruição de capacidade produtiva, emprego e rendimento só permitirá uma recuperação lenta e penosa até aos níveis observados em 2019. Ainda é muito cedo para antecipar, com base em dados concretos, o estado da economia no final do ano”, adiantam.

Ler mais

Relacionadas

Governo admite revisão em alta do défice para 7% do PIB este ano

Secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro diz que o impacto das medidas aprovadas na discussão sobre o Orçamento Suplementar resultam numa diferença de até 1,4 mil milhões de euros face ao inicialmente previsto pelo Governo, levando a um agravamento do défice para 7% este ano.
Recomendadas

Abertos concursos para escolas contratarem 800 novos técnicos especializados

As escolas vão poder contratar mais de 800 novos técnicos especializados no âmbito do plano de desenvolvimento pessoal, social e comunitário, lançado recentemente, e tendo como finalidade o próximo ano letivo”, lê-se num comunicado hoje divulgado pelo Ministério da Educação.

Portugal com 213 casos de infeção e três mortes por Covid-19

Região de Lisboa e Vale do Tejo regista o número mais elevado de infeções ao dia de hoje, tendo confirmado mais 1447 casos em relação aos dados da véspera. O número de casos recuperados em Portugal aumentou para 37.840.

Durão Barroso considera que Fundo de Recuperação acordado em Bruxelas é “uma orgia financeira”

O antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso defende que a Portugal terá de fazer uma boa gestão dos fundos comunitários e que a Assembleia da República deve reforçar o seu papel de fiscalização sobre a sua aplicação.
Comentários