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Crescimento dos seguros de saúde deve-se a “SNS não conseguir dar resposta”, diz sindicato bancário

Os seguros de saúde em Portugal continuam a crescer, com mais de 4 milhões de beneficiários em 2024, devido à incapacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em responder às necessidades da população, segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), Paulo Gonçalves Marcos.
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2 – Médicos de família e de clínica geral
21 Agosto 2025, 18h12

Os seguros de saúde continuam a crescer em Portugal, e o presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), Paulo Gonçalves Marcos, explicou ao Jornal Económico que o crescimento se deve ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) não conseguir dar resposta às necessidades dos portugueses.

Em 2024, o número de pessoas cobertas por seguros chegou aos 4.060.378 beneficiários, um aumento de 3,6% face ao ano anterior, segundo o mais recente relatório do Observatório dos Seguros de Saúde, publicado pela ASF – Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões. Paralelamente, o número de apólices em vigor também cresceu, atingindo 1.377.111, mais 8,1% do que em 2023. Os prémios brutos emitidos subiram 18,9%, totalizando 1.696 milhões de euros.

Na perspetiva de Paulo Gonçalves Marcos, “Portugal tem um fenómeno muito peculiar”. “Por um lado, temos uma fortíssima progressão de apólices de seguro de saúde e também uma fortíssima progressão de planos de saúde, que são coisas diferentes”, referiu.

Segundo o dirigente do SNQTB, “há várias explicações [para o crescimento dos seguros de saúde], a principal é que aquilo a que chamamos Serviço Nacional de Saúde não tem conseguido dar resposta adequada àquilo que são os anseios da população”.

Paulo Gonçalves Marcos recordou que, quando António Costa assumiu a liderança do Governo anterior, “havia cerca de 500 a 600 mil portugueses, na sua maior parte do Continente, sem médico de família. Ele prometeu regularizar isto”.

Em setembro de 2016, o antigo primeiro-ministro garantiu que no ano seguinte todos os portugueses teriam médico de família. “2017 é, de uma vez por todas, o ano em que todos os portugueses terão um médico de família atribuído”, disse na altura no Parlamento.

Para o SNQTB, a promessa de Costa foi “feita com muito boa vontade, mas desconhecendo a realidade”. “Quando António Costa abandonou as suas funções governativas, passámos de meio milhão para quase uma milhão e meio de portugueses sem médico de família”, apontou.

“Nós, em Portugal, temos um reduzido número de jovens a escolher a especialidade de medicina geral e familiar. As vagas ficam por preencher”, e, além disso, “os jovens médicos migram à procura de melhores condições”. “Nós temos a Europa toda a sugar os nossos médicos”, garantiu.

No que diz respeito aos médicos que ficam em Portugal, Paulo Gonçalves Marcos contou que cedo abandonam o SNS e vão para o setor privado, o que também representa um problema para o regular funcionamento do Serviço Nacional de Saúde e, consequentemente, leva ao crescimento de seguros de saúde.

Em janeiro deste ano, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) afirmou que faltam especialistas no Serviço Nacional de Saúde e defendeu “um verdadeiro plano” para atrair médicos, especialmente de Medicina Geral e Familiar e de Ginecologia Obstetrícia.

“Há planos para tudo, mas não há um verdadeiro plano de atração para o Serviço Nacional de Saúde. E eu estou extremamente preocupado com aquilo que tem acontecido nestes últimos tempos, em que os médicos não escolhem sequer uma vaga de especialidade, em que os médicos saem do SNS”, disse o bastonário.


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