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Criptomoedas tentam recuperar enquanto a prata perde algum protagonismo

Tendo em conta este contexto, surge então a questão de se a Bitcoin, tal como em 2020, poderá regressar aos holofotes em 2026 e começar a aproximar-se do tipo de desempenho que a prata apresentou em 2025.
golden bitcoin, conceptual image for crypto currency
30 Dezembro 2025, 09h41

As criptomoedas estão esta semana a tentar uma nova recuperação após o recente sell-off. A Bitcoin
recupera gradualmente para a zona dos 90.000 dólares, enquanto o Ethereum conseguiu superar
a barreira dos 3.000 dólares.

Nos últimos dias, foi a prata que captou as atenções do mercado especulativo, roubando, de certa forma, o protagonismo à Bitcoin. Contudo, o preço do metal sofreu hoje uma correção abrupta, caindo de um valor recorde de 82 dólares para baixo dos 75 dólares. Este movimento deve-se a uma forte realização de lucros, acelerada, em parte, pelo aumento dos requisitos de margem por parte da CME.

Simultaneamente, o caso da prata – cuja capitalização de mercado ronda os 4,5 biliões de dólares, face aos cerca de 1,8 biliões da Bitcoin – demonstra também que um movimento em direção aos 200.000 dólares poderá, teoricamente, ser realista em 2026 caso a tendência se altere, apesar da dimensão do mercado.

A prata subiu mais de 100% desde o início de junho de 2025, o que pode alimentar a imaginação otimista, especialmente se a Bitcoin entrar no novo ano num sentimento muito melhor. Por enquanto, a maior criptomoeda continua a negociar cerca de 30% abaixo de seu máximo histórico, enquanto o Ethereum, apesar dos sólidos fundamentos da rede, permanece cerca de 45% abaixo dos níveis recordes.

Tendo em conta este contexto, surge então a questão de se a Bitcoin, tal como em 2020, poderá regressar aos holofotes em 2026 e começar a aproximar-se do tipo de desempenho que a prata apresentou em 2025.

Numa perspetiva macroeconómica, o padrão típico tem sido o dos metais preciosos (ativos de refúgio) moverem-se primeiro, com a Bitcoin a seguir esse caminho apenas posteriormente. O capital tende a assumir inicialmente uma postura defensiva, transitando só mais tarde para os ativos de risco.

Após a queda de março de 2020 (COVID-19), o principal impulsionador foi o aumento de liquidez: a Reserva Federal dos EUA (Fed) “inundou” os mercados, mas essa liquidez não fluiu de imediato para as criptomoedas; procurou, em primeiro lugar, segurança. O ouro e a prata foram os primeiros a reagir. O ouro subiu de cerca de 1.450 para 2.075 dólares em agosto de 2020, enquanto a prata saltou de cerca de 12 para 29 dólares no mesmo período.

Entretanto, a Bitcoin passou cerca de cinco meses a consolidar-se entre 9.000 e 12.000 dólares, num comportamento semelhante à atual tendência lateral.

O ponto de viragem ocorreu quando os metais estavam a bater recordes: assim que o ouro e a prata atingiram picos locais (agosto de 2020), o capital começou a rodar em direção ao risco, desencadeando a fase seguinte do ciclo.

O efeito de rotação em 2020/2021: a bitcoin subiu de cerca de 12.000 para 64.800 dólares em maio de 2021 (cerca de +550%), enquanto a capitalização total do mercado de criptomoedas cresceu cerca de oito vezes.

Hoje, o ouro está em níveis recordes perto de 4.550 dólares e a prata em torno de 80 dólares. Se esse quadro se mantiver, o interesse pelos metais poderá diminuir em 2026, potencialmente a favor da Bitcoin.

Um elemento adicional nesta narrativa é outro grande evento de liquidação ocorrido a 10 de outubro (de certa forma comparável a março de 2020). Habitualmente, após um “choque” desta dimensão, a Bitcoin demora meses a reconstruir a sua estrutura antes de definir uma tendência mais clara. Assim, o que pode diferenciar 2026 de 2020? Se no ciclo anterior a liquidez dominou isoladamente, desta vez poderá somar-se um “pacote estrutural” mais favorável, que inclui:

● potenciais injeções renovadas de liquidez e cortes esperados nas taxas;
● possíveis alívios/isenções regulatórias para bancos;
● regulamentação mais favorável às criptomoedas nos EUA;
● cenários que envolvem cheques distribuídos aos cidadãos como parte da política fiscal dos EUA;
● expansão contínua de ETF’s de criptomoedas à vista;
● acesso mais fácil para os maiores gestores de ativos, incluindo Fidelity e BlackRock;
● liderança potencialmente mais favorável às criptomoedas na Fed.

O facto de o ouro e a prata se terem iniciado o movimento de subida primeiro não constitui um
sinal de baixa para as criptomoedas. Geralmente, a Bitcoin e o mercado cripto só se movimentam
após a consolidação dos metais preciosas. Deste modo, a atual evolução do preço da Bitcoin,
bem como o seu desempenho relativamente inferior face à prata e ao ouro, não implica
necessariamente o início de um mercado em baixa (bear market).

Não obstante, importa salientar que o conceito dos ciclos de quatro anos da Bitcoin sugere um
cenário distinto, podendo apontar para semelhanças com 2022, em vez de 2020. Contudo, estes
ciclos de poderão já não exercer a mesma força do passado, tendo em conta que:

• mais de 90% de toda a oferta de BTC já está em circulação;
• os ETFs spot (à vista) estão operacionais nos EUA;
• em 2026, a Fed deverá estar ainda a reduzir as taxas de juro (ao contrário do aumento verificado em 2022).
• adicionalmente, o ambiente regulatório atual nos EUA é mais favorável às criptomoedas, e uma ampla “desregulamentação” poderia reforçar os fundamentos do ativo.


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