Crise de energia pode ameaçar recuperação económica global, alerta agência internacional

Na verdade, de acordo com a IEA, a procura mundial de petróleo vai ultrapassar em 2022 os níveis anteriores à pandemia, impulsionada pelo aumento do preço do gás e do carvão, que terão consequências nos preços do “ouro negro”.

A crise global de energia vai aumentar a procura por petróleo em atinja 99,5 milhões de barris por dia em 2022, acima dos níveis anteriores à pandemia, algo que poderá resultar no aumento da inflação e desacelerar a recuperação económica mundial. A conclusão é avançada esta quinta-feira pela Agência Internacional de Energia (IEA), um dia depois da gasolina 98 ter atingido o preço mais alto de sempre em Portugal e ultrapassando os 2 euros por litro.

Na verdade, de acordo com a IEA, a procura mundial de petróleo vai ultrapassar em 2022 os níveis anteriores à pandemia, impulsionada pelo aumento do preço do gás e do carvão, que terão consequências nos preços do “ouro negro”.

“Os preços recordes do carvão e do gás, bem como apagões contínuos, estão a levar o sector da energia e as indústrias intensivas em energia a recorrer ao petróleo para manter as luzes acesas e as operações a correr bem”, cita a “Reuters” as declarações da IEA no seu relatório mensal do petróleo, acrescentando que “somando-se a pressões inflacionárias que, juntamente com os cortes de energia, podem levar à redução da atividade industrial e à desaceleração da recuperação económica”.

A IAE adverte ainda que a escassez da oferta e o elevado preço do gás natural e do carvão “está a provocar um desvio maciço” para o petróleo e seus derivados para a produção de energia e usos industriais.

A forte procura, juntamente com a lenta recuperação da produção da OPEP+ (OPEP, Organização dos Países Exportadores de Petróleo e 10 aliados liderados pela Rússia), juntamente com os efeitos do furacão Ida na produção dos EUA e as paragens para manutenção em outros países produtores como o Canadá e a Noruega, provocaram a subida dos preços do petróleo para os níveis mais elevados em sete anos no início deste mês.

A AIE prevê um aumento “forte” da produção a partir deste mês de outubro, impulsionado pela recuperação nos EUA depois do Ida, o fim das operações de manutenção em outros países e a recuperação na OPEP+, mesmo que a aliança se mantenha abaixo dos seus níveis de produção habituais.

O atual pacto de produção da OPEP+ prevê aumentar o seu fornecimento em 400.000 barris por mês até setembro de 2022, e o relatório da organização divulgado na quarta-feira dá a entender que, por agora, se manterá fiel a esse compromisso.

Com estes números, a AIE estima que a produção global de petróleo atingirá níveis de antes da pandemia durante a primeira metade de 2022, salvo imprevistos.

O documento da agência refere que o aumento da produção da OPEP+ “não alterou as expectativas do mercado, pelo que as previsões atuais de oferta e procura implicarão uma redução a das reservas a curto prazo, pelo menos até ao final do ano”. Isto significará “um tónico forte para os preços, que, por sua vez, irá apertar ainda mais o mercado petrolífero”, acrescenta.

A tensão no fornecimento do setor petrolífero tem sido agravada por problemas no setor da refinação em dois grandes consumidores, China e Índia. O relatório adverte que os preços elevados da energia, juntamente com os problemas nas cadeias globais de abastecimento, já estão a causar uma revisão em baixa das previsões de crescimento global (5,9% este ano e 4,7% em 2022).

Face a esta situação, a AIE aconselha um aumento do investimento em energias renováveis, “mas isto tem de acontecer rapidamente ou os mercados globais de energia enfrentarão um caminho complicado no futuro”.

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