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Crise dos chips ameaça travar produção nas fábricas automóveis nacionais

Associação Europeia alerta que “a paragem de linhas de produção pode estar a dias de distância”. Maiores fábricas nacionais afastam risco de paragem. Associação nacional revela que fabricantes estão a recorrer a stocks, mas terminadas as reservas, “poderá ser problemático”.
30 Outubro 2025, 07h00

Quando uma borboleta bate as asas numa fabricante neerlandesa de chips, detida por chineses, a Europa deixa de produzir carros. A decisão dos Países Baixos de assumirem o controlo da Nexperia ameaça ter consequências para o setor automóvel europeu.

A crise dos chips ameaça travar a produção nas fábricas automóveis nacionais, alertou esta quarta-feira a Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

“Os construtores estão a recorrer a stocks, mas terminados os stocks poderá ser problemático”, disse ao JE o secretário-geral da ACAP, adiantando que “para já, não há informação concreta” de produção nacional a ser afetada.

“O problema começou na Holanda, começou a ter repercussões colaterais, é um componente importante para outros componentes, e vai ter repercussões ao nível de vários produtores automóveis e fabricantes de componentes”, acrescentou Helder Barata Pedro.

“Poderá haver impacto nas próximas semanas ao nível das linhas de produção. É um problema muito político, estará a ser resolvido entre os vários governos, espera-se uma resolução a todo o momento”.

Em Portugal, reforçou que “até ao momento não há indicação concreta na produção” automóvel.

Os dois maiores fabricantes nacionais afastam, neste momento, risco de paragem de produção.

A fábrica da Stellantis em Mangualde, por seu turno, disse ao JE que está a “realizar a produção planeada” e “não há nenhuma indicação de que a questão dos chips afetará a sua atividade”. Esta unidade pesa 27% na produção total automóvel a nível nacional.

Por sua vez, a Autoeuropa disse na terça-feira que a produção está garantida até ao final da próxima semana, segundo o diretor-geral Thomas Hegel Gunther, citado pela “Lusa”. A fábrica da Volkswagen em Palmela é a responsável por mais de 70% da produção automóvel no país.

Mas a crise dos chips já fez a sua primeira vítima em Portugal. A produtora de componentes Bosch em Braga colocou em lay-off 2.500 trabalhadores devido à falta de componentes para produzir peças eletrónicas para automóveis.

Já a Associação Automóvel Europeia (ACEA) avisou que a crise de chips “piora a cada dia que passa”.

A ACEA disse estar “cada vez mais preocupada” com a iminente disrupção à produção automóvel europeia devido ao bloqueio no fornecimento de microchips “essenciais” à produção.

O setor está a recorrer aos stocks, “mas as reservas estão a desaparecer rapidamente”.

Existem “fornecedores alternativos, mas vai demorar muitos meses a constituir uma capacidade adicional para resolver a falta” de chips. O setor “não tem assim tanto tempo antes que os piores efeitos desta quebra sejam sentidos”.

“A paragem de linhas de produção pode estar a dias de distância”, disse o diretor-geral da ACEA Sigrid de Vries. “Estamos a redobrar esforços para encontrar uma solução diplomática desta situação crítica”.

Os chips produzidos pela Nexperia são considerados simples face aos mais desenvolvidos, mas são usados em abundância nos sistemas eletrónicos dos automóveis.

O Governo de Haia decidiu assumir o controlo da companhia com receio de transferência de tecnologia para a Wingtech, a empresa chinesa que… detém a Nexperia. Confuso? Pequim reagiu e bloqueou as exportações dos produtores da companhia. Apesar de a maioria dos chips serem produzidos na Europa, cerca de 70% são embalados na China antes de serem vendidos.

A “Reuters” citou fontes holandesas que alegam que Haia atuou para impedir o fecho de unidades na Europa e o despedimento de trabalhadores. Mas as autoridades europeias avaliaram os riscos em 2019 e autorizaram a operação. Agora, os Países Baixos usam uma lei de 1952 para interferir na empresa.

A decisão “representa uma crise existencial à Nexperia como empresa; e falhas no abastecimento devido às contramedidas chinesas ameaçam prejudicar a produção automóvel”, segundo Herman Quarles van Ufford do European Council on Foreign Relations, citado pelo “China Daily”.

“As tecnologias da Nexperia, no setor dos chips, não são avançadas”, segundo o analista Chen Jing do Fengyun Institute.


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