Crise dos professores: Será que Presidente Marcelo vai quebrar longo silêncio depois da votação?

Desde o início do mês de maio que Marcelo Rebelo de Sousa não tem agenda pública. Este é o período mais longo de silêncio do presidente da República, que continua sem comentar a crise política que se gerou por causa da recuperação do tempo de serviço dos professores.

Nunca o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve tantos dias sem falar aos portugueses. O silêncio do chefe de Estado sobre a recuperação do tempo de serviço dos professores tem indignado os sindicatos e deputados parlamentares, que esperam que após a votação do texto final da Comissão de Educação e Ciência, o silêncio seja quebrado.

Desde o início do mês de maio que a agenda de Marcelo Rebelo de Sousa está em branco. O dia 2 de maio marca a aprovação, na especialidade, da garantia de recuperação do tempo de serviço dos professores e o início de uma breve crise política, que levou ao anúncio de demissão do Governo por falta de “sustentabilidade financeira”. O PSD e CDS-PP juntaram-se ao PCP, PEV e BE, na chamada ‘coligação negativa’, para aprovar a iniciativa legislativa.

O segundo dia de maio coincidiu com a viagem de regresso do presidente à China. Marcelo Rebelo de Sousa estava numa visita oficial de seis dias, a convite do homólogo chinês, Xi Jinping, onde participou na segunda edição do fórum “Faixa e Rota” e visitar Xangai e Macau.

Aterrou em Portugal no dia seguinte, 3 de maio, e a primeira coisa que fez foi ligar a Iker Casillas, guarda-redes do FC Porto, que tinha sofrido um enfarte de miocárdio.

“Pareceu estar muito, muito bem-disposto e animado”, afirmou. Sobre a crise dos professores que ameaçava a demissão dos professores, nem uma palavra. E assim se manteve nos últimos dias.

Na tarde de sexta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se com António Costa, após uma reunião de emergência do Governo. Sobre essa reunião, nem uma palavra. Numa declaração ao país, depois de falar com o Presidente, António Costa anunciava a intenção do Governo de se demitir, caso a recuperação do tempo de serviço dos professores avançasse. Depois disso, nem uma palavra do Presidente.

Durante o fim-de-semana, o Presidente da República telefonou aos líderes partidários para discutir a recuperação do tempo congelado. No domingo, a líder centrista, Assunção Cristas, e o presidente do PSD, Rui Rio, anunciavam um recuo na posição tomada na quinta-feira na Comissão de Educação, considerando que só votariam a favor da medida, em plenário, se a sustentabilidade orçamental estivesse garantia. Uma vez mais, nem uma palavra de Marcelo aos portugueses.

Pelo meio, o Presidente promulgou 12 diplomas da Assembleia da República, incluindo a alteração ao regime da carreira especial de enfermagem e da carreira de enfermagem nas entidades públicas empresariais e nas parcerias em saúde, e a definição dos critérios de seleção e aquisição de produtos alimentares, promovendo o consumo sustentável de produção local nas cantinas e refeitórios públicos.

O chefe de Estado devolveu ainda ao Parlamento o diploma que permite a manutenção de uma farmácia de dispensa de medicamentos ao público num hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS), pedindo “mais clarificação do seu caráter excecional e singular”.

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