Crise na Greensill continua à medida que Banco de Inglaterra e regulador alemão entram com ações judiciais

É o mais recente golpe para o credor do sector do retalho, que conta com David Cameron, ex-primeiro-ministro britânico como consultor. A Greensill, que permite que as empresas recebam dinheiro emprestado para pagar a fornecedores, deverá entrar com um pedido de insolvência no Reino Unido nos próximos dias.

Alessia Pierdomenico/Reuters

A crise no credor Greensill Capital continua depois do Banco de Inglaterra ter avançado com medidas contra um dos principais parceiros de negócios da empresa e com os reguladores alemães a proibirem a sua subsidiária local de fazer negócios, a que se junta uma ação judicial contra a administração, segundo o “The Guardian”.

É o mais recente golpe para o credor do sector do retalho, que conta com David Cameron, ex-primeiro-ministro britânico como consultor. A Greensill, que permite que as empresas recebam dinheiro emprestado para pagar a fornecedores, deverá entrar com um pedido de insolvência no Reino Unido nos próximos dias.

A incerteza sobre o futuro do credor representa uma ameaça para uma complexa rede de investidores, e quase 50 mil postos de trabalho em empresas que dependem fortemente dos seus empréstimos, incluindo em toda a indústria siderúrgica (ferro e aço) do Reino Unido.

Na quarta-feira, dia 3 de março, o órgão financeiro alemão BaFin confirmou que ordenou ao Greensill Bank – que detém aproximadamente 4,5 mil milhões de euros em ativos – congelar quaisquer pagamentos, por considerarem que existe um risco iminente de que o banco se tornasse sobrendividado.

A medida surgiu na sequência de uma auditoria forense na qual a BaFin levantou questões sobre a contabilidade, em particular sobre as transações ligadas ao GFG Alliance Group, o império siderúrgico liderado por Sanjeev Gupta e que emprega milhares de pessoas no Reino Unido.

Em um comunicado, o regulador disse que “descobriu que o Greensill Bank AG não foi capaz de fornecer evidências da existência de contas a receber no seu balanço que havia comprado do GFG Alliance Group. Por este motivo, o BaFin já tomou medidas abrangentes para garantir a liquidez do banco e limitar os riscos para o Greensill Bank AG e nomeou um representante especial para o banco”.

Os sindicatos levantaram preocupações sobre o risco potencial para milhares de empregos ligados às operações britânicas de Gupta à medida que a crise no Greensill cresce.

O banco desempenhou um papel fundamental no financiamento do vasto império empresarial de Gupta. O seu ativo premiado é a Liberty Steel, que emprega cerca de cinco mil pessoas no Reino Unido, incluindo fábricas em Rotherham, South Yorkshire e Newport.

Outras questões foram levantadas sobre as finanças do GFG Alliance Group, quando o Banco de Inglaterra ordenou que a sua subsidiária, GFG Alliance, injetasse cerca de 75 milhões de libras (87,1 milhões de euros) no Wyelands Bank, um credor do qual Gupta é acionista. A Wyelands usará o dinheiro para devolver aos clientes de poupança no retalho como parte de um plano que está acordado com os reguladores.

Gupta disse que Wyelands sofreu “perturbações causadas pelo Brexit e pela pandemia de Covid-19”.

O BaFin avançou com uma queixa criminal contra a gestão do Greensill Bank por suspeita de manipulação do balanço, de acordo com o “Financial Times”. O regulador, que não quis comentar, começou a supervisão direta das operações do banco na terça-feira, dia 2 de março.

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