Cristas convoca congresso e não se recandidata

O desastre eleitoral das legislativas levou Assunção Cristas a pedir um Congresso antecipado.

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António Cotrim/Lusa

Depois do desastre eleitoral, Assunção Cristas anuncia a sua saída do CDS. A líder centrista vai convocar o Conselho Nacional e quer que o CDS realize um congresso antecipado, com a líder centrista a não se recandidatar.

O CDS contou com 18 deputados no Parlamento na última legislatura. As projeções apontam que o CDS deverá perder mais de metade dos seus deputados.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, assumiu a derrota do partido nas eleições legislativas deste domingo, 6 de outubro, afirmando que perante este resultado pedirá “a convocação de um conselho nacional do CDS com vista a um congresso antecipado”.  Projeções das várias televisões apontam para um resultado entre 2,4% e 5% para o CDS que poderá perder mais de metade do seu grupo parlamentar, ficando, de acordo com as sondagens, com menos 11 a 16 deputados.

Cristas assumiu a derrota de imediato, depois de saudar os vencedores e “felicitar o PS” e “desejar a António Costa sucesso na condução dos destinos do País”

A líder centristas realça que ”durante quatro anos o CDS foi uma oposição forte e construtiva a um governo socialista apoiado pelo Bloco de Esquerda, pela CDU e também pelo PAN” e que o partido sentiu muitas vezes que “foi uma voz isolada no Parlamento”

Em momento de derrota, Assunção Cristas afirma: “construímos um projecto alternativo para o país que claramente não foi escolhido nestas eleições. Assumimos o resultado com humildade democrática”. E realça: “tomei a decisão de não me recandidatar”.

CDS com um dos piores resultados de sempre

Segundo as sondagens televisivas avançadas às 20h00, o CDS-PP  arrisca a estar em linha com os piores resultados de sempre, nas legislativas de 1987 e 1991, quando foi alcunhado de “partido do táxi” por eleger apenas quatro ou cinco deputados, contra os atuais 18. Projeções das várias televisões apontam para um resultado entre 2,4% e 5% para o partido liderado por Assunção Cristas.  CDS-PP poderá perder mais de metade do seu grupo parlamentar, ficando, de acordo com as sondagens, com menos 11 a 16 deputados.

A projeção da SIC Notícias aponta para um intervalo entre 2,4% e 5% com os centristas a garantirem na próxima legislatura apenas entre dois a oito deputados. Já a TVI projecta um resultado para o CDS-PP entre 2,9% e 4,9% (três a sete deputados) e a RTP um intervalo entre 3% e 5%, o que corresponde a quatro a seis mandatos.

As estações televisivas avançaram  também às 19h00 sondagens da abstenção. Segundo a SIC Notícias, a abstenção deverá situar-se entre os 47,5% e os 51,5% e a RTP entre 44% e 49%. Já a TVI 24 avança com uma sondagem, que não considera o acréscimo de 1,1 milhões de eleitores recenseados nas legislativas de 2019, num total de 10,8 milhões, contra 9,7 milhões nas eleições legislativas de 2015. A mesma estação televisiva projecta ainda, incluindo os 1,1 milhões de estrangeiros recenseados, um intervalo entre os 43,4% e os 47,49%.

De acordo com os últimos dados oficiais, até às 16h00 votaram nestas legislativas 38,59% dos 10,8 milhões de eleitores recenseados, segundo os dados oficiais. Votaram cerca de 4,1 milhões de eleitores, o que compara com os cerca de 4,2 milhões, o que representa 38,59% dos eleitores recenseados, contra a afluência das  legislativas de 2015 à mesma hora que foi de 44%, para um total de 9,6 milhões de eleitores inscritos.

Afluência desce face às eleições de 2015, mas há mais eleitores a participar nestas eleições.

O segundo balanço do Ministério da Administração Interna revelou que o valor da afluência é assim menor do que os 44% registados até às 16h00 nas legislativas anteriores, de 4 de outubro de 2015, mas representa, porém, uma subida no número de votantes, uma vez que há mais recenseados em 2019 do que há quatro anos.

Segundo dados divulgados, em 2015 havia 9.682.553 eleitores recenseados, ao passo que este ano os números chegam aos 10.810.662 no que diz respeito ao mesmo detalhe.

Contas feitas, há quatro anos até às 16h00 tinham ido votar menos de dois milhões de eleitores, enquanto que este ano já foram às urnas mais cidadãos até às 16h00, num total de 2.035.647 eleitores.

Esta é a 16.ª vez que os portugueses serão chamados a votar em legislativas, concorrendo a estas eleições um número recorde de forças políticas – 20 partidos e uma coligação – embora apenas 15 se apresentem a todos os círculos eleitorais.

No total, são eleitos 230 deputados, divididos por 22 círculos (18 no Continente, dois nas regiões autónomas e círculos da emigração – Europa e Fora da Europa), numas eleições que, ao longo dos anos, têm vindo a registar um aumento da taxa de abstenção.

 

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